12 de ago. de 2020

Refletiu a luz divina

 
O hino da Umbanda, cantado em milhares de terreiros por este Brasil continental, inicia remetendo-nos à Luz Divina:
 
Refletiu a Luz Divina
Com todo seu esplendor
Vem do reino de Oxalá
Aonde há paz e amor
Luz que refletiu na terra
Luz que refletiu no mar
Luz que veio de Aruanda
Para nos iluminar
 
Mas afinal, o que é esta Luz?

As tradições espirituais consagradas e fidedignas, seja no Oriente ou no Ocidente, explicam a gênese divina através da Luz. Ou seja, fomos criados da Luz e temos a capacidade de refletir esta Luz. Não a de refletirmos como um espelho reflete a luz do Sol, pois nós também somos luz, um pequeno “sol” que ainda precisa ser descoberto, para que o seu facho luminoso rompa a escuridão que o impede de ser percebido no íntimo de cada cidadão planetário. Como diminutas estrelas (almas), fragmentos de uma Estrela Maior que se partilhou amorosamente (Deus), refletimos a luz de nossa origem e ao mesmo tempo somos emissores desta Luz Divina. Todavia, similarmente à luz que está intrinsecamente ligada ao Sol, só existimos por sermos uma expansão da Suprema Consciência Universal. 

O Reino de Oxalá é o Reino de Deus e se encontra dentro de cada um de nós. A Umbanda nos ensina, enquanto ciência metafísica de autorrealização espiritual, a nos reconectarmos com a fonte de paz e amor que se reflete em toda a Terra, nos mares, nos céus e no infinito. Aruanda simbolicamente é o reino mais elevado, gerador desta Luz, útero e berçário de todos os Orixás, sagrado prisma que refrata e “rebaixa” esta luz geradora em vários espectros de frequência, plenos de poderes de realização, desta maneira propiciando a vida humana planetária. 

Esta luz refratada nos diversos Orixás traz enfeixada consigo um enorme contingente de espíritos iluminados para nos auxiliar na evolução. São os Mestres Autorrealizados e liberados de quaisquer resíduos de ego, nossos amados Guias que vibram amorosamente para que consigamos nos iluminar, expandir nossas consciências e, dia chegará, de nos libertarmos da cadeia inevitável de sofrimentos em corpos físicos impermanentes, “imposição” do interminável ciclo de reencarnações sucessivas.

De fato todos os universos, em seus infinitos alcances cósmicos, inimagináveis em nosso atual estado de entendimento, por suas diversas dimensões e amplitudes de frequências vibratórias, são formados e sustentados pela Luz Divina, que similarmente ao sêmen que insemina o útero para uma vida humana encarnar, é a “inseminadora” de toda a vida no Cosmos. 

É possível em meditação profunda, em estado alterado e superior de consciência amparado por um Mestre Espiritual, se conectar com Deus na “forma” de Luz; uma Luz “esbranquiçada” e leitosa, por vezes em tons amarelados, opalinos ou lilases, dependendo do espectro de frequência ao qual se sintoniza. Nestas ocasiões, as palavras não conseguem descrever o sentimento de conexão, ou fusão de consciências, e a profunda paz e amor que se sente por todos, momentos de integração com a Totalidade Cósmica. 

Concluo que cada variação desta cor é um Orixá, um espectro da sutilíssima frequência original que foi rebaixada até se fazer sentir através de um nome e forma humanizados (deidade), para que nós, humanas criaturas - limitadas, materializadas e densas -, possamos percebê-Los e compreendê-Los. Em verdade, são caminhos sensoriais válidos para chegarmos até o único Deus, impessoal e livre das formas transitórias. Afinal, a “Mente Divina” preenche todos os nomes e formas aos quais os devotos o cultuam nas diversas religiões e não discrimina nenhuma.

A mente de Deus criou as estrelas e todos os mundos. Assim é a operadora suprema de toda a criação e mantêm unidas as células de nossos corpos físicos e coesos os elementos planetários – o que está em baixo é igual ao que está em cima. Esta maravilhosa consciência que existe em cada partícula de matéria é expansão e obra da onisciência divina que não precisa de instrumentos para realizar seus objetivos. Nossas pequenas mentes são partes da mente onipotente de Deus. Sob as ondas de nossas consciências está o oceano infinito da consciência divina. A onda individualizada se isola do poder oceânico quando esquece que é parte do Mar. A Umbanda nos reunifica e nos reintegra com os poderes divinos dos Orixás e, através d’Eles, com Deus. ⁣

Axé, Saravá, Namastê.
 

Por: Norberto Peixoto

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