31 de jul. de 2020

Mediunidade intuitiva e animismo


"Não resta dúvida de que o médium consciente sempre emoldura com sua índole psicológica e sua bagagem intelectual o conteúdo do que lhe é comunicado do outro mundo."

(Ramatís)

PERGUNTA. — E no caso de o médium ser intuitivo, como se processa o fenômeno anímico?

RAMATÍS: — A mediunidade intuitiva, cuja manifestação não é mensurável ou palpável à luz dos sentidos físicos, é mais espiritual e menos fisiológica, conforme já dissemos, pois permite ao homem abranger panoramicamente os fenômenos de que o seu espírito participa em todos os sentidos de vida física, mental e espiritual.

No entanto, quando nos referimos ao médium intuitivo, como geralmente é classificado pela generalidade dos espíritas, e não ao homem espiritual em essência e senhor absoluto da percepção angélica que o põe em contato constante com o mundo divino, aludimos ao médium que ouve, sente ou recebe o pensamento dos desencarnados, mas o faz de modo consciente.

O espírito desencarnado age diretamente no cérebro perispiritual do médium intuitivo que, depois, transmite as idéias do seu comunicante para o mundo material, servindo-se do seu próprio vocabulário familiar e vestindo-as com suas expressões peculiares.

E assim o médium intuitivo tem pleno conhecimento do que diz ou escreve, sendo esse tipo de mediunidade o mais comum e generalizado entre os homens. Por isso exige a melhor interpretação possível do que é enviado do Além, e não se presta satisfatoriamente para determinação correta da identidade dos espíritos comunicantes, tão exigida pelos pesquisadores de provas, sempre tão desconfiados da realidade imortal. Ela não serve para oferecer os detalhes minuciosos que a família, em seu ceticismo comum, exige do parente desencarnado em comunicação pelo médium de boa-vontade. Quando o médium intuitivo é ainda inseguro e deficiente, então as comunicações dos desencarnados podem ser reduzidas, deturpadas ou confusas, pois devem passar primeiramente pelo cérebro físico dele, que assim as fiscaliza e as expõe conforme suas posses intelectuais e temperamento psicológico. Em conseqüência, se o médium intuitivo é excessivamente anímico, as idéias recebidas dos desencarnados fundem-se com as suas idéias próprias ou preconcebidas, influindo também a bagagem do seu subconsciente, que pode ser tomada como sendo uma entidade desencarnada. Assim, os pensamentos amplos, ou os conceitos filosóficos incondicionais, da vida espiritual, sofrem as restrições acanhadas do médium que os recepciona.

Devido ao seu condicionamento particular, ele enquadra tudo o que os espíritos transmitem na moldura do seu intelecto, que é limitado pelas chapas ou lugares comuns da vida humana. Se se tratar de criatura avessa ao estudo e ainda ingenuamente convicta de que basta a "boa intenção" para garantir o êxito de sua tarefa ainda incipiente, não há dúvida de que muitas vezes ela comunicará coisas tolas e ridículas, à conta de mensagens de alto teor espiritual.

PERGUNTA: — Como poderíamos compreender mais claramente esse condicionamento mediúnico, capaz até de modificar o teor das mensagens dos espíritos comunicantes?

RAMATIS: — O médium, em verdade, também é uma personalidade destacada no tempo e no espaço, e não passa de criatura humana restrita ao campo de provas da Terra, que ainda é um planeta de ordem inferior.

Desde a infância ele se condiciona ao ambiente em que vive e é educado; sofre então a influência dos seus parentes, amigos, professores, filósofos, cientistas e lideres religiosos, com os quais mantém contato no seu roteiro educativo e que por isso também nele influem psicologicamente. Durante a eclosão e o desenvolvimento da mediunidade, esse médium ainda fica circunscrito à influência dos seus confrades espíritas, que o assistem e o orientam na caminhada vacilante para o seu ajuste sensato aos postulados do Espiritismo.

No intercâmbio mediúnico, ele ainda se vê obrigado a cingir-se à psicologia dos desencarnados com os quais se relaciona mais freqüentemente e que, por isso, impõem-lhe um certo cunho pessoal. Conseqüentemente, o intelecto desenvolvido ou tardo do médium intuitivo e as suas concepções amplas ou as premeditações acanhadas, sobre a natureza da vida imortal, hão de influir fortemente nas comunicações dos desencarnados, quer restringindo-lhes, quer ampliando-lhes o curso das idéias projetadas do Além.

Não resta dúvida de que o médium consciente sempre emoldura com sua índole psicológica e sua bagagem intelectual o conteúdo do que lhe é comunicado do outro mundo.


Por: Ramatís/Hercílio Maes - Mediunismo - Editora do Conhecimento

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