15 de jun. de 2020

A cura pela imposição de mãos


PERGUNTA: E quanto às curas de paralíticos, cegos, surdos, mudos, que nos podeis esclarecer?

RAMATÍS: Embora se tratasse de entidade angélica, responsável pela vida espiritual do orbe terráqueo, Jesus também teve que se adaptar sensatamente ao metabolismo complexo da vida humana e de suas relações com o meio. Sob a pedagogia dos Essênios, amigos da família, Jesus desenvolveu as suas forças ocultas sob rigorosa disciplina e aprendizado terapêutico, a ponto de curar pela simples presença, aqueles que dinamizavam um intenso estado de fé em sua alma. Mas ele não violentou ou contrariou as leis do mundo físico ou do mundo espiritual. Seguia determinados métodos e regras na distribuição, concentração e doação dos seus fluidos curadores. O Mestre, embora um Sábio e um Justo, submetia-se fielmente ao mecanismo natural da vida humana criada por Deus e exercia o seu ministério sem discrepar dos princípios de controle e organização dos mundos planetários. Não há dúvida de que a capacidade espiritual de Jesus poderia dispensar qualquer técnica ou gestos apropriados para efetuar suas curas. Mas a verdade é que ele mesmo mobilizava, dirigia e aplicava os fluidos terapêuticos conforme as leis que os regiam. No entanto, quando são os espíritos desencarnados que, junto a um médium curandeiro, efetuam o socorro fluídico, estes não precisam fazer nenhum gesto, porque ali apenas funcionam como o catalizador da fé dos doentes, enquanto seus protetores seguem as regras das leis terapêuticas. Assim, Jesus curava pela imposição das mãos, pela concentração e dispersão de fluidos, atuando a guisa de um técnico hábil, movimentando com segurança e precisão as forças vivas criadoras. Qualquer ginasiano sabe que a eletricidade exige determinados recursos e sensatez para ser aplicada com êxito e segurança em favor do gênero humano. Ela não se escoa pelas pontas ou hastes obstruídas por isoladores de louça, por mais vigorosa que seja a capacidade da Usina ou o comando do mais avançado eletrotécnico. As leis que regulam o fluxo da energia elétrica exigem caminho livre e sábio controle no seu manuseio, para resultarem benefícios como o calor, a luz, o frio e a força geradora. Jesus, portanto, lidando com forças mais sutis, disciplinadas por leis da mais alta fonte criadora do Espírito, um Sábio e não um milagreiro, operava de modo inteligente nas suas curas, submetendo-se à técnica e às regras terapêuticas do magnetismo superior!

Sem dúvida, o ingrediente principal que dinamizava essas forças com êxito e eficiência era a natureza angélica de sua própria alma, doando-se na receptividade confiante e merecedora de seus enfermos. Sadio de organismo, sem qualquer deformidade "psico-física", com um duplo etérico portador do mais puro ectoplasma, em combinação com o mesmo elemento extraído da contextura do próprio orbe, Jesus era uma antena viva diamantífera, de onde fluíam energias vitais, que operando modificações surpreendentes nos enfermos, eram tidas por milagres! A sua palavra criadora era penetrante e hipnótica; insuflava a vitalidade, o ânimo, a alegria e a esperança nos que o ouviam. O seu falar se impregnava de tal força, que os paralíticos se moviam, os cegos enxergavam e os leprosos se limpavam das chagas corrosivas! Era um fabuloso potencial de energias criadoras que lhes dava a saúde e restabelecia-lhes o dinamismo orgânico. Aliás, o conhecimento moderno da própria ciência acadêmica demonstra que o ser humano pode despertar e acumular forças vitais em si mesmo, quando confia e submete-se incondicionalmente a uma vontade insuperável, que o convence de curá-lo de todos os seus males. E' o que acontece mui comumente com certos enfermos que procuram a fonte milagrosa de Lurdes, pois incendidos por uma fé que lhes ativa todo o cosmo orgânico-vital, logram curas surpreendentes, que são fruto de sua própria mobilização energética! No entanto, outros, menos graves, mas vacilantes e pessimistas, escravos da incerteza espiritual que cerceia o fluxo vital de sua reserva corporal, voltam sem obter resultado algum.

Quando Jesus assinalava a confiança nos olhos súplices dos enfermos, envolvia-os com as ondas do seu mais profundo amor, ativando-lhes a germinação de forças magnéticas através das próprias palavras e gestos com que os atendia; e, à semelhança de misterioso turbilhão, fazia eclodir poderosos fluidos no mundo interior dos infelizes enfermos! Sob os gritos de júbilo desatavam-se os músculos rígidos ou se ativavam nervos flácidos; desentorpeciam-se membros enregelados, enquanto as correntes vitais purificadoras regeneravam todo o sistema orgânico, restituindo a vista a cegos, saturando as cordas vocais nos mudos, sensibilizando sistemas auditivos, desatrofiando tímpanos, curando surdos!

A influência excitante e criadora que o olhar do faquir exerce sobre a semente enterrada no solo, para obrigá-la a dinamizar suas energias ocultas e crescer apressadamente, Jesus também a exercia, através do poder assombroso e dinamizador do seu olhar! Um corpo chagado tornava-se limpo no prazo de alguns minutos, sob o energismo incomum que o Mestre projetava na alma e no organismo dos enfermos!

Mas insistimos: era um processo que não causava espanto nem ultrapassava o entendimento comum de Jesus sobre as leis criadoras, e não surpreendia os anjos que o acompanhavam na sua peregrinação sobre a face da Terra. Jesus lidava sensatamente com as forças regidas pela física transcendental, embora fosse a fonte doadora dos fluidos que temperava com seu sublime amor. Por isso, ao terminar as suas curas, ele ficava num estado de visível exaustão, pálido e trêmulo recompondo-se aos poucos, graças também ao recurso da prece e ao auxílio dos seus amigos espirituais.


Por: Ramatís (Hercílio Maes) - em O Sublime Peregrino - Editora do Conhecimento

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