25 de mai. de 2020

A inferioridade cria ambição


Chuang Tzu Diz:

Perceba... Sempre que a mente sente o complexo de inferioridade ela quer ser superior – surge o oposto. Quando se sente feio, você tenta ser bonito. Se você é bonito, então não há esforço.

Uma pessoa feia está sempre tentando esconder a feiura, sempre tentando ser bonita. Pelo menos o rosto, o rosto pintado, as roupas, os enfeites – todos eles pertencem ao feio.

A feiura de alguma forma tem de ser superada e você tem que criar o oposto para escondê-la, para escapar dela. Uma pessoa verdadeiramente bonita não se preocupa, ela nem tem consciência de sua beleza. E só uma beleza inconsciente é bonita.

Quando você sente que é inferior, quando você se compara e vê que os outros são superiores a você, o que você faz? O ego se sente magoado – você é inferior. Você simplesmente não pode aceitar essa inferioridade, então quer enganar a si mesmo e aos outros.

Quando não estou em conflito com o ego de ninguém, quando eu não tento ser superior, eu sou superior. Mas essa superioridade não é oposta à inferioridade, é uma ausência da sensação de inferioridade.

Então, podemos dizer que existem dois tipos de superioridade. Num deles você simplesmente escondeu a inferioridade, você está usando uma máscara – a inferioridade existe por trás da máscara.

Nesse caso, sua superioridade é apenas superficial; no fundo você permanece inferior e, porque você continua sentindo inferioridade, você tem que usar essa máscara de superioridade, de beleza; tem que dar um jeito de se exibir, tem que ter uma imagem falsa.

Esse é um tipo de superioridade, mas não é verdadeiro.

Existe outro tipo de superioridade, e essa superioridade é ausência de inferioridade, não é oposta a ela. Você simplesmente não se compara. Se você não se compara, como pode ser inferior? Veja, se você é um ser único na Terra, a quem você vai ser inferior?

Com quem vai se comparar? Em relação a que? Você não vai ser nem superior nem inferior – e digo que essa é a superioridade da alma. Ela nunca se compara. Compare e surge a inferioridade. Não se compara, e você simplesmente é – único.
Quando você compara você perde; então você sempre vai olhar para os outros. E não existem duas pessoas iguais; elas não podem ser iguais.

Cada indivíduo é único e cada indivíduo é superior, mas essa superioridade não é comparável. Você é superior porque não pode ser outra coisa. Superioridade é apenas a sua natureza. A árvore é superior, a rocha também é superior, porque toda a existência é divina.

Como alguma coisa pode ser inferior aqui?

É a existência transbordando em milhões de formas. Num lugar a existência tornou-se uma árvore, em outro lugar a existência tornou-se uma rocha, em outro lugar a existência tornou-se um pássaro, em outro lugar a existência tornou-se você.

Apenas a divindade existe; portanto não existe comparação.

Procure, então, vivenciar a sua singularidade, vivencie a sua divindade, e por meio de sua vivência da divindade você perceberá a divindade de tudo.

Nesse estado, você já não tem mais ambição; você não tem que provar nada, você já está provado, você não tem nada a declarar. Seu próprio ser é a prova. Você é... Basta! Nada mais é necessário.

Buda diz: “Não seja ambicioso, porque através da ambição você sempre será inferior. Seja não ambicioso e atinja a superioridade intrínseca. Ela é sua natureza, não é nada que precise ser provado ou alcançado; você já a tem, você a conquistou”.

Na verdade, você não sabe quem você é – por isso tanto esforço para descobrir sua identidade, na tentativa de provar que você é superior aos outros. Você não sabe quem você é.

Depois que você sabe, então não há problema. Você já é superior. E não é só você que é superior – tudo é superior. Toda a existência é superior, nada é inferior, porque a existência é uma só.

Assim, nem o inferior nem o superior podem existir. E a mente não ambiciosa acaba percebendo isso.


Por: Osho

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