27 de nov. de 2019

Os vícios




PERGUNTA: — Supondo-se o caso de um indivíduo de alma excelsa que, depois de desencarnado, merecesse até a visão de Jesus, que lhe aconteceria se ele houvesse sido um fumante inveterado, na Terra?

RAMATÍS:
— Seria semelhante a um balão cativo que, tendo-se livrado de noventa e nove amarras, ainda lutasse aflitivamente para se desprender da última e frágil corda de seda que o impedisse de se alar ao espaço! Essa alma santificada, embora pudesse ingressar imediatamente no seio de uma humanidade feliz e com ela gozar de todos os benefícios e alegrias de uma vida superior, sentiria de vez em quando turvar-se a sua ventura, ante o desejo insólito e condicionado, do cigarro, vibrando ainda na sua intimidade astral. Diante da Lei justa de ascensão espiritual, tanto usufruímos das glórias merecidas por uma vida humana santificada, como também teremos de sofrer o resultado de qualquer descuido ou imprudência, que tenhamos praticado na forma de vícios ou de paixões da carne. 

Eis por que o sofrimento na vida futura pode atingir mesmo aqueles que já lograram desenvolver os bens superiores do espírito, mas que se hajam descuidado de extinguir algum vício ou hábito alimentado na carne. 

Algumas almas desencarnadas, de cujo perispírito já se desprendem refulgências de luzes, não se podem furtar, de vez em quando, ao fato de a sua mente ser perturbada pelo insofreável desejo, do fumo, do churrasco ou mesmo do uísque fidalgo ou da cachaça pobre. “Em verdade vos digo que tudo o que ligardes sobre a Terra será ligado também no céu, e tudo o que desligardes na Terra será desligado também no céu”(Mateus 18:18). Como se vê, nesse admirável conceito de Jesus está implícito o ensinamento de que só habitaremos o céu no mais completo estado de paz, liberdade e alegria depois que nos desligarmos completamente de todas as coisas, desejos e vícios do mundo carnal. 

Então, o que na Terra foi desatado pela própria vontade e consciência do espírito, também será desatado no Além. Aquele que fuma, bebe ou se alimenta descontroladamente na Terra fica ligado a esses prazeres terrenos, até que o próprio espírito se esqueça deles, visto que a morte não o obriga a deixar os vícios com o corpo físico no túmulo da matéria. 

O corpo de carne apenas revela as sensações do espírito no mundo físico; por isso, os desejos inferiores, que vivem na intimidade da alma, continuam a se manifestar mesmo ante as munificências dos ambientes celestiais.


Por: Ramatís/Hercilio Maes - Fisiologia da alma (Ed. do Conhecimento)

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