20 de nov. de 2019

Eu sou...





Eu sou o primeiro que chega
E o ultimo a sair
Sem a minha mão
Nenhum dos outros podem vir.
Se você não me convida
Não adianta insistir
O sagrado é selado
Um cadeado a impedir.
Eu sou a chave.

Eu sou diferente
Fui criado de outra maneira
Os Orixás estão lá em cima
E eu sentado na sua esteira
Você pensa que ninguém viu
Seu tolo que asneira.
Eu estava olhando.

O Orixas são muitos
Quatro vezes quatrocentos
Mas todos eles poderosos
Me chamam a todo momento
Precisam do mensageiro
Pra saber de todo acontecimento
Eu sou a testemunha
De cada dia e cada evento.
Eu sei de tudo.

Minha natureza é uma esfera
Sem final e sem começo
Dá-me o pagamento justo
Pois tenha a certeza que mereço
E não espere de mim doçura
Eu posso ser o seu tropeço
Não adiantam as mentiras
Eu enxergo o seu avesso.
Eu sou afiado.

A vela sempre acesa
Pimenta e azeite ainda quente
Pra mim é um bom começo
Junto a minha aguardente
Eu abro a porta de passagem
Isso evita acidente
Pois quem não me reconhece
Pode achar que sou clemente
Mas muito se engana
Eu sou o tal exigente.
De mim não se esqueça.

Nao tem senhor de raios
Ou rainha no rio profundeza
Que possa ser o suficiente
Para não precisar da minha destreza
Eu sou necessário
Devido a minha esperteza.
Eu nunca falho.

Eu sou senhor do fogo
Que deita na encruzilhada
Dou o sinal da Boa sorte
Mas as vezes armo cilada
Ande na linha ligeiro
Você nunca foi Obrigado a nada
Mas ja que quis andar conosco
Vai ter que temer a espada
Pois fulano pra ser filho
Precisa correr uma jornada
Que é dura e insegura
Ao som da minha gargalhada.

Exu é o meu nome!

Laroye Exu! Mojubá


Fonte: União da Luz
Ilustração: Oradia Porciúncula

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