7 de dez de 2018

Dezembro das Yabás




Dezembro é o mês das Yabás

Além do encerramento do ano, são prestadas homenagem a 3 principais Orixás femininos:

Dia 04/12 :Yansã, senhora dos ventos e tempestades.
Dia 08/12:Oxum, senhora das águas doces 
Dia 31/12: Yemanjá

VAMOS SABER UM POUCO SOBRE ESSAS DIVINDADES (ORIXÁS) FEMININAS

AS YABÁS E A ÁGUA

Em muitos ritos a água aparece tendo um significado muito importante, desde o rito do ìpàdé, quando ela é utilizada para acalmar as ajé, até o ritual das águas de Oxalá, quando ela representa a limpeza lustral do egbe. Colocar água sobre a terra significa não só fecundá-la, mas também restituir-lhe seu sangue branco com o qual ela alimenta e propicia tudo que nasce e cresce em decorrência, os pedidos e rituais a serem desenvolvidos. 

Deitar água é iniciar e propiciar um ciclo. Diria ainda que as águas de Oxalá pelas quais começa o ano litúrgico yorubá tem precisamente este significado…Entre os eboras ou orixás femininos, destacamos aqui Nàna que está associada à terra, à lama e também às águas. Nàna ou Nàna Burúkú ou Nàna Bukú, como é chamada no antigo Dahomé, foi considerada como o ancestre feminino dos povos fons.

Outro orixá feminino associado à água é o orixá Oxum. Oxum tem toda a sua história ligada às águas pois, na Nigéria, Oxum é a divindade do rio que recebe o mesmo nome do orixá.

Oyá ou Yansãn, divindade dos ventos e tempestades, também está ligada às águas, pois na Nigéria Oyá é dona do rio Niger, também chamado pelos yorubás de Odò Oyá ou “Rio de Oya”.

Não diferente dos demais orixás femininos, Yemanjá também está muito ligada às águas. É o orixá que em terra yorubá é patrona de dois rios: o rio Yemonja e o rio Ogun –não confundir com o orixá Ogun, Deus do ferro. Daí Yemonja estar associada à expressão Odò Iyá, ou seja, “Mãe dos Rios”.

(fonte-mensageiros da luz)

As Yabás e a Maternidade

Quando Olódùmaré criou o Àiyé (o mundo) e os Orixás, determinou que as Àyabás (Òrìsàs, mães Rainhas) fossem responsáveis pela fecundidade, pela riqueza e pela feminilidade. Cada um desses Orixás tem um domínio próprio.

Para Òsun (Oxum), ficou a responsabilidade pelas águas das cachoeiras, fontes, rios e pela fecundidade de todos os seres. Oxum é a dona do ovo (a maior célula viva) e do líquido amniótico (água que envolve o bebê no ventre materno). Oxum toma conta das crianças desde a gestação até elas aprenderem a falar. Para cultura yorubá, sem o consentimento de Oxum, não há gravidez.

Yánsàn (Yansã), divindade dos ventos e tempestades, também está ligada a maternidade, como pode ser comprovada pelo significado da expressão que dá origem ao próprio nome: "Ìyá omo mésàn òrun” (Yánsàn é mãe de nove crianças no céu). Yansã é a única que enfrenta e domina os Égúns (espíritos) com rituais específicos. Yansã protege as crianças contra os ohùn burús (coisas ruins).

Nàná ou Nàná Burúkú ou Nàná Bukú (Nanã), como é chamada no antigo Dahomé, é reverenciada também como o ancestre feminino dos povos fons, sendo mãe de Bessen e Sapata. Na Nigéria, Bessen é chamado de Oxumarê; e Sapata, de Omolu. Para os yorubás, Nanã é a grande sábia, por isso é ela que instrui as crianças passando-lhes o conhecimento da vida até a idade adulta.

Já Yemojá (Yemanjá) é a mãe de muitos Orixás, Ela é considerada a Rainha das Águas. Aqui, no Brasil, o culto a Yemanjá está relacionado ao mar. Yemanjá protege a criança e toda a família.

Para cultura yorubá, as gestantes são tratadas de forma especial, pois são vistas como “ìlóyún émí alafé”(grávidas de espíritos divinos). Quando um émí (espírito) é enviado para a terra, nasce com ele uma mãe e esta mãe merece culto, pois sem seu ventre, não seria possível a vida.

Ser mãe é algo tão mágico que acaba contagiando a todos que estão ao seu redor. Além disso, no momento em que a gestante começa a gerar o bebê dentro de seu ventre é como se tudo que ela desejou durante sua vida inteira estivesse ali. Por este motivo, ela acaba se sentindo realizada e passa a sentir um amor tão grande por aquela criança que mesmo sem tê-la ainda em seus braços, dispensa-lhe todos os cuidados e atenção possíveis.

(fonte:Casa Àgógó)


AS YABÁS E A TERRA

… o símbolo por excelência das Iyabás mesmo é a terra.

Ela é a grande mãe, a que nos sustenta, razão pela qual é saudada como Iyá mim, literalmente
minha mãe.

De acordo com a tradição ioruba, no principio do mundo, a terra, representada pela mulher foi a única antepassada que acompanhou os dois princípios ancestrais: Oxalá e Ogum.

Isso nos leva a crer que para estes grupos, as mulheres sempre desempenharam vital importância e sobre elas caíram a responsabilidade de como a terra sustentar o mundo.

Como no mito que conta que Nanan ampara o mundo.
É ela quem cuida, junta, ao mesmo tempo em que separa para que o dia não se encontre com a noite, os planetas não se choquem e assim por diante.

Acredita-se que a força da terra esteja presente em todos nós, mas de forma especial nas mulheres.

Talvez isso explique porque desde cedo as primeiras civilizações compuseram para as mulheres, cânticos, ou mesmo as chamaram de música, ou assim que puderam, as transformaram em objeto de adoração, ergueram para elas cultos, ou ainda estabeleceram relações entre estas mulheres e as frutas que como a terra guardam elementos geradores de vida.

Mitologia dos Orixás

Na mitologia dos orixás, que guarda o saber ancestral dos povos de origem iorubá trazido pelas religiões africanas, a mulher está representada pelas iabás, os orixás femininos.

Sua gênese e histórias estão contadas nos mitos que os escravos vindos da África para cá, transmitiram oralmente.

O saber das Iabás cria outras formas de organização da vida e do mundo.

As Iabás representam a feminilidade e, por conhecer a memória dos corpos, transmitem suas histórias, afetos e conflitos.

Elas guardam em seu ventre um poder que ninguém, senão elas mesmas, possuem. O segredo de todas as mulheres:

O poder de gerar e dar vida a outros seres.

Exercem também o poder da criação, conquista, multiplicação, luta e transformação.


O elemento água é comum a todas as iabás. O estado no qual ela se apresenta na natureza caracteriza o
temperamento de cada uma delas.

A água fertiliza a terra, a faz produtiva, penetra nas plantas e corre nas suas veias como sangue.

A água proporciona que as plantas deem seus frutos que alimentam o homem.

Transforma a terra seca em terra criativa e criadeira.

Não apenas lhe dá vida, mas preserva-a, uma vez que o homem foi gestado na água do ventre da mãe.

O sangue que corre em suas veias é composto de grande quantidade de água.

Assim como a água, o amor em suas diferentes manifestações alimenta a alma, dá-lhe vida, preserva-a e transforma-a.

Como um elemento fluido, é condutor poderoso da alma humana para muitas direções, bem como está presente em todos os momentos da vida como elemento de vital importância.

O estudo da mitologia das iabás pode trazer uma reflexão sobre como viver e experimentar os sentimentos nos diferentes momentos da vida que, tal qual a água, apresentam vários estados. É possível à mulher viver e cultuar suas deusas interiores, as iabás, da quais descendem e da quais herdam a feminilidade em suas variadas nuanças e cores, sabendo que seu eu é sagrado e deve ser vivido e cultuado na sua totalidade.

Nas iabás há um pouco de todas as mulheres e muito das várias mulheres que habitam uma mulher!

(fonte-Magia dos orixás)

Aqui presto minha homenagem com essa bela oração:

“Abençoada seja a força feminina que emana das águas
Águas que constituem a maior parte do planeta
Águas que compõem a maior parte do meu corpo
Águas que lavam meu coração de todas as angustias e tristezas

Saravá, a força das Iabás que nos abençoam na sua doçura e encanto
E da sua fragilidade constituem nossa maior força, pelo poder da transmutação, que só as águas podem trazer

Abençoado o ventre materno, que encerra em seu casulo a força das nossas Mães
A doçura de Oxum, a força de Iansã, o acolhimento de Iemanjá, a sabedoria de Nanã
A fim de preparar o corpo físico, para que nosso espírito possa navegar no mar da encarnação

Salve a força das Senhoras, minhas mães! 
Oraieieu! Eparrei! Odoya! Saluba!
Que nos mostram que para ser forte, não é preciso ser frio e insensível
Que para ser guerreiro, não é preciso ser austero
Que para ser corajoso, não é preciso ser hostil
Que para ser sábio, não é preciso ser arrogante

Abençoada a força feminina, que no seu ventre, detém o laboratório de Deus.
Que nossas Iabás, Orixás do magnetismo feminino, abençoem nossos passos, hoje e sempre!”