21 de nov de 2018

O médium digno de exercer o intercâmbio com os espíritos superiores




PERGUNTA: — Como se caracteriza o médium adequado e digno de exercer o intercâmbio com os espíritos superiores? 

RAMATIS: — O médium já caracterizado definitivamente pela eclosão de sua faculdade mediúnica, e que pode ser convocado para o serviço ativo do Bem, é algo semelhante ao mensageiro enviado a ruidosa cidade repleta de vícios e ilusões perigosas, onde ele deve estagiar para divulgar a mensagem sublime dos seus maiorais. 

Ele tem o direito de trocar a sua veste empoeirada pelo traje limpo, usufruir da alimentação justa, do sono reparador e permanecer junto dos seus entes queridos. Entretanto, comprometeu-se a evitar qualquer contato vicioso e indigno, que possa enodoar o serviço superior e trair a confiança daqueles que o credenciaram para a consecução dos objetivos benfeitores. No seu contrato espiritual, o médium obrigou-se a repelir qualquer empreendimento capaz de subverter-lhe a sensibilidade mediúnica ou afetar-lhe o caráter espiritual, tais como as aventuras condenáveis, onde a malícia, o desrespeito, a paixão desregrada ou o vício deletério terminam atrofiando as mentes levianas e indisciplinadas. 

Ele deve ser o esposo digno, o pai amoroso, o cidadão honesto, o filho generoso, assim como o amigo fiel para os que o aceitam no círculo de suas amizades, ou o homem tolerante e benevolente para com os seus adversos. Embora não despreze os viciados e os infelizes que tombam sob o guante das paixões pecaminosas, não deve pactuar com o vício e a corrupção. 

Jesus afagava os pecadores, mas de modo algum ele condescendia com o vício e as impurezas do mundo. Amava os homens, mesmo quando eram pervertidos ou débeis de espírito, mas não se associava às suas tramas desonestas nem admitia os seus desregramentos morais. 

O médium, como espírito que aceitou espontaneamente a tarefa de servir aos encarnados, precisa evitar as práticas viciosas que lhe agravam o carma pretérito, para usufruir da aura benfeitora que se nutre só dos fluidos sadios dos pensamentos regrados e dos sentimentos benevolentes. Embora ele seja também um espírito encarnado atuando no seio turbilhonante da vida física e, assim, participando dos ambientes de infelicidade e dos sofrimentos humanos, ainda cumpre-lhe o dever de orientar o próximo por entre o cipoal contraditório da vida humana, ofertando-lhe os ensinamentos confortadores que recebe dos seus amigos desencarnados. Mas, sem dúvida, não deve olvidar que, acima de toda a sua obrigação mediúnica, ainda precisa cuidar carinhosamente de sua própria redenção espiritual. 

Se ainda existe um contato proveitoso das altas esferas com a humanidade encarnada, isso se deve muito mais ao heroísmo dos espíritos bondosos, que abdicam do seu ambiente paradisíaco para socorrerem seus irmãos ainda comprometidos com a carne, do que ao trabalho dos médiuns existentes na Terra. 

PERGUNTA: — Essas frustrações muito comuns no intercâmbio dos espíritos benfeitores para com a Terra só ocorre com os chamados "médiuns de prova", ou também poderão ocorrer entre aqueles cuja mediunidade é o fruto de sua evolução espiritual?

RAMATIS: — Conforme já frisamos anteriormente, há grande distinção entre a mediunidade de "prova" e a mediunidade "natural", em que esta última é faculdade espontânea e intrínseca do espírito já sublimado, isto é, uma decorrência ou corolário do seu próprio grau espiritual. Aquele que usufrui da Intuição Pura, como percepção angélica, fruto abençoado dos milênios de sacrifícios, renúncia e renovação moral na escalonada espiritual, põe-se facilmente em contato com a consciência crística do Criador, pois já vive em sua intimidade o estado de Paz e euforia das almas santificadas. Não pode ele sofrer alterações que o contradigam espiritualmente na sua faixa vibratória já alcançada; é imune às influências menos dignas, pois não vibra com as modulações inferiores dos vícios, das paixões ou das seduções da matéria. Ele não se dissintoniza com o comando angélico do orbe. Sua alma filtra os pensamentos e as revelações angélicas, assim como a lâmina diamantífera fulge à luz suave do Sol, sem se ofuscar o seu brilho natural. 

O médium natural não exige que os altos dignitários da Vida Oculta desçam vibratoriamente até à sua organização humana para efetuar o serviço mediúnico, uma vez que ele se encontra ligado permanentemente à fonte angélica e representa na Terra o seu prolongamento vivo. 

É o cidadão sideral que desceu de sua moradia sublime, mas sem se desligar do plano Divino, cuja mente vibra sempre à distância de qualquer pensamento ou resíduo moral menos digno. Buscando-vos algum exemplo esclarecedor, diríamos que o médium em prova é a lâmpada de vidro colorido, que dá à luz que ele filtra a cor de que também é constituída, enquanto o médium natural, como um foco luminoso cristalino, irradia sempre a luz em sua pureza original. Como não há retrogradação na intimidade do espírito, o médium natural nunca apresenta contradições em sua mediunidade, a qual é somente a emanação de sua própria graduação espiritual. 

A faculdade mediúnica é intrínseca à sua própria índole superior, não podendo poluir-se com as imperfeições do meio em que vive, porque também não há decadência em seu nível superior já consolidado. 

Em conseqüência, ele não pode causar nenhuma decepção às almas que o inspiram pela "via-interior" e o induzem a elevar o seu padrão espiritual do mundo físico. Ele jamais precisa ser atuado para agir corretamente, uma vez que permanece continuamente ligado ao pensamento crístico da vida sublime, e a qualquer momento constitui-se na sentinela avançada do Alto sobre a Terra. 

Quando ele pensa, deseja e age, ainda reproduz vivamente o alto grau da mensagem angélica porque, sendo íntegro no trato evangélico com todos os seres, em seus atos reflete sempre a vontade definitiva do Criador. Assim o foram Francisco de Assis, Antônio de Pádua, Crisna,Tereza de Jesus, Pitágoras, Buda, Jesus e muitos outros anônimos que o mundo desconhece, pela sua grande renúncia e humildade. 


Por: Ramatís/Hercílio Maes - do livro: Mediunismo - Editora do Conhecimento