13 de set de 2018

Existe um tipo de mediunidade melhor?



Sem dúvida, quer seja um médium intuitivo, de incorporação ou de efeitos físicos mais ostensivos, não há exatidão para que possamos comparar um tipo de mediunidade com a outra como sendo inferior ou superior, perfeita ou imperfeita, pior ou melhor, mais ou menos mediúnica, como costumamos fazer ao comparar vasos em nossos bazares, sendo que o mais chamativo nem sempre é o mais valioso. Mesmo a mediunidade de "incorporação", que exige o desdobramento completo do corpo astral do medianeiro para que seja sonâmbulo e inconsciente, fenômeno raríssimo nos dias atuais, apresenta especificidades e características únicas de um espírito encarnado para outro.

Aliás, considerando que a mediunidade inconsciente está ficando inexistente e clarifica-se cada vez mais o homem intuitivo e anímico, obviamente devemos reavaliar o conceito de "incorporação" nos terreiros de umbanda. O que ocorre na atualidade é uma "parceria" anímico-mediúnica, em que o sensitivo fica envolvido pela irradiação mental e magnética do espírito, com o seu corpo astral (perispírito do médium) levemente desacoplado. É um tipo de "transe" sem perda da consciência, pois o médium capta os fatos e idéias transmitidas de outra mente, extracorpórea, reproduzindo-os com suas palavras, decorrentes de conhecimentos psíquicos mais profundos, o que podemos denominar de registros de memória atemporais que afluem do inconsciente milenar do espírito reencarnado para a periferia do consciente.

Urge constatar que a complexidade do mediunismo de terreiro é algo que desconstitui a noção malsã de muitos umbandistas de que a intuição seja mais anímica no sentido de ser menos mediúnica, a exemplo de um vistoso pavão chumbado no solo que chama mais a atenção dos olhares do que os singelos pássaros que voam nos céus.


Por: Norberto Peixoto - do Livro Mediunidade de Terreiro