26 de jul de 2018

O valor e a função do som



Para que servem os atabaques que os outros irmãos usam em seu culto e por que não os empregamos em nossa cabana?

Ahhhh, meu filho... — falou com boa vontade o pai-velho. — É preciso estudar em profundidade os fundamentos por trás do uso de certas ferramentas de trabalho. 

Como dizia antes, filhos, nego vai lembrar um pouquinho do que disse a respeito do valor e da função do som em nossas vidas. Quando meus filhos pensam alguma coisa, elaboram ideias ou fazem algum planejamento mental, tudo isso tem que se materializar de algum jeito no mundo, não é mesmo?

Ah! Meu pai agora me lembra de um pouco do que o senhor falou... 

Pois é. Dessa forma, o som é uma das principais formas de materialização do pensamento na realidade objetiva da vida. Quando nosso Senhor Jesus Cristo fez as coisas no mundo, ele foi considerado a palavra viva de Deus. E a palavra divina ou o verbo divino é, para nós, a precipitação do pensamento do Pai. O som tem essa função, de condensar certas energias, certos pensamentos, e fazer com que repercutam nos planos astral, físico e etérico, de acordo com as características e disposições advindas da fonte. Quando vocês provocam um som e esse som obedece a um ritmo, produz-se um efeito que varia conforme a cadência entoada. 

Isso é válido desde uma cantiga que desperta a saudade a uma música que irrita o pensamento e as emoções de meus filhos. O atabaque produz determinado tipo de som. Se for explorado por uma pessoa que entenda da lei do ritmo, da harmonia, e saiba como conduzir esse som de modo a atender a um propósito específico, ele será um bom instrumento. Quando tocado no ritmo de algumas cantigas dos orixás, o som dos atabaques desperta energias primárias em meus filhos, movimentando a força dos chakras localizados na região inferior, abaixo do umbigo.


Por: Pai João de Aruanda/Robson Pinheiro - Do livro “Corpo Fechado”