25 de mai de 2018

Adeus Umbanda...



Leia até o final, é importante.

Muitas coisas aconteceram desde que adentrei a religião de Umbanda. Com um início conturbado, mediunidade aflorada e sem saber o motivo de estar acontecendo tanta coisa ao mesmo tempo, simplesmente continuei para ver até onde daria.

Após a ansiedade natural do começo, as coisas foram se ajeitando e o medo do desconhecido começou a ser substituído pela novidade linda do mundo dos espíritos. É bom saber que temos amigos invisíveis olhando por nós, nos instruindo, nos valendo, nos protegendo, nos ensinando a olhar para a vida de uma maneira diferente do que nos é apresentado.

O desenvolvimento foi aos poucos, Caboclo, Preto-Velho, Baiano, Erê, Exu, Marinheiro… Cada um com seu jeito de ser, com sua luz maravilhosa e aconchegante. A cada gira uma nova oportunidade para aprender, se desenvolver, se doar. E assim fui seguindo.

Após dar ouvido as entidades que me assistem, comecei a perceber que o terreiro que estava já não era o melhor pra mim. Nada contra, mas não me sentia integrante daquela corrente. Troquei de terreiro. Nova forma ritualística, novo corpo mediúnico, nova forma de trabalho. Devo dizer que a adaptação foi um pouco difícil, mas nada impossível. Alguns meses depois já estava me sentindo em casa novamente, as entidades trabalhando de forma muito bonita e cativante. Aí, começaram as dúvidas que tiraram as noites de sono. O mesmo sentimento de não me sentir parte daquela corrente mediúnica, daquele terreiro de luz. Pensei: “– Está na hora de mudar novamente, se é para fazer a caridade tem de ser completo”. Aquietei por algum tempo para ver o que aconteceria. A casa acabou encerrando suas atividades porque estava difícil para os médiuns, tendo em vista que dia de semana não era viável e aos sábados alguns trabalhavam.

Pensei com meu coração: “– Deus não pode ficar bravo comigo, pois eu tentei até agora e tudo só deu errado”. Fiquei quase um ano sem pisar em um terreiro, nem para tomar um passe. As entidades que me acompanham ficaram em silêncio, achei que tivessem desistido de mim.

Por vias de fato, problemas pessoais e conscienciais, encontrei outro terreiro. Até que em um atendimento na gira de boiadeiro, eu como consulente, ouvi: “– Você precisa decidir se realmente quer continuar. Não dá mais para ficar nessa situação.” Achei engraçado, pois eu só tinha tentando com todo coração fazer dar certo. Iniciei no terreiro, as entidades voltaram a trabalhar e conversar comigo. Questionei muitas coisas, e ouvia apenas que “o tempo é a melhor resposta”.

Conheci muitas pessoas nesse tempo, gente com anos de Umbanda, outras começando a caminhada como eu. Gente muito boa, com uma luz incrível pararam no meio do caminho. Outras, mesmo com sérias dificuldades de saúde, iam com afinco a cada gira, agradecendo a Deus e aos Orixás por mais uma oportunidade de exercer a mediunidade.

Mas tudo tem um ciclo, um propósito, um recomeço. Vi e vejo muitas pessoas parando de frequentar a Umbanda, e está tudo bem. Tem de ser, não apenas estar, e os Orixás e guias continuarão olhando e cuidando, tenho certeza.

Esses tempos atrás, pensei em desistir e parar, e comecei a analisar realmente quem parava. Pelo menos os casos no qual pude observar – sem exceção –, as pessoas pararam por causa de outras pessoas. Seja por fofoca, por relacionamento desgastado, por não concordar com o terreiro em que trabalha, por não gostar das “novidades” da Umbanda atual, por ter brigado com amigos e confidentes.

Muitas coisas já me desanimaram, me deixaram puto. Mas, em contrapartida, muitas me ajudaram a me tornar uma pessoa um pouco melhor, me deixaram feliz, me proporcionaram experiências únicas.

Após toda essa introdução, posso afirmar: muitas coisas me deixaram desanimado, mas Deus, os Orixás, as entidades… NUNCA me decepcionaram.

Com isso, digo Adeus Umbanda. Adeus a Umbanda que eu idealizo, Umbanda que tem de ser como eu quero, Umbanda dos hipócritas, Umbanda que tentam dizer que é a correta, única e verdadeira.

Eu sou Umbanda, eu respiro Umbanda, eu vivo Umbanda. Todos os dias. E se um dia eu realmente parar minha caminhada nessa opção evolutiva, será por não julgar-me honrado para continuar a espalhar mensagens acolhedoras dos guias, por me sentir avesso aos valores de fraternidade, caridade (em sua essência pura), de não ter comunhão com Deus e os Orixás, de não ser uma pessoa melhor uma vez que temos em todas as giras mensagens e ensinamentos para levantar a bandeira da paz, de Oxalá.

Ah, quantas pessoas nos decepcionam e nos deixam tristes? Muitas. E quantos decepcionamos, deixamos tristes? Inúmeras. Então as entidades nos ensinam a humildade e amor, para aceitarmos o que não podemos mudar e agradecer por todo bem que nos é enviado. Simples assim.
Para encerrar, deixo uma frase bastante conhecida:

“Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados.” Caboclo das Sete Encruzilhadas

Eu sou Umbanda, você é Umbanda?

Axé!