30 de abr de 2018

Feijoada para Ogum!


Para mim, preparar a feijoada de Pai Ogum é poder usar a alquimia da comida de santo para declarar todo o meu bem querer.

A dureza da carne desidratada, salgada, representa os momentos difíceis, obstáculos que temem em nos desafiar. Desafio que fica gostoso depois de vencido. É como a carne seca que, depois de cozida, se desmancha na boca deliciosamente. Entra em cena o lombinho defumado, e a linguiça. Um ingrediente que só existe se curtido. Curtido, assim como a vida deve ser curtida. Um ingrediente em que o tempo é fator essencial. Nada melhor que o tempo.

Só que não é só de carne que a Feijoada do Valente Guerreiro sobrevive. Se, ao limpar a carne, tiramos toda a gordura ruim, agora é hora de colocar um pouco de uma boa gordura. E aí entra a graça do bacon e do paio.

Bem, não conte para ninguém, mas, na minha feijoada, tem um ingrediente que todo mundo se assusta ao saber, só que não há meios de eu pensar na comida sem ele: pimenta. No meio do preparo, sem ninguém ver, pego uma, duas ou até cinco pimentas grandes e carnudas e escondo naquele caldo. Por quê? Porque sem pimenta a vida não tem graça. E a vida deve ser apimentada mesmo. 

Daí, é só reunir quem você gosta na Oca de Orixás, seu povo do asé, sua comunidade, colocar nos pratos e servir toda essa alquimia de bem querer que está presente na minha feijoada de Ogum.

Tudo preparado, daqui a pouco é fogão e dedicação, repartir o alimento e saravá Ogum....


Por: Mãe Carmem de Nanã