27 de mar de 2018

A loucura de "Queimar o Igba"




São muitas as vezes que escutamos adeptos da religião dizer que “queimaram meu Igba” ou “sai da casa e meu pai de santo fez maldade com ota do meu Igba” “Sou de Osala meu pai ferveu meu Ota no dendê” Sou de Osossi meu pai colocou meu Otá no mel” entre outros atos que vou me dar ao luxo de nomea-los como cômicos.

Quando nos iniciamos no culto, nosso zelador (a) é responsável por colocar aquela pequena partícula do nosso Orisá em nosso Orí, logo, seria controverso ele mesmo “queimar” essa força.

Vamos deixar claro que uma das principais funções de um Igba é “alimentar” o Orisá, ou seja, é onde nosso santo comunga conosco. Deve-se sempre zelar por aquilo, mas, nosso Orisá esta no Orí, e não em uma pedra (Otá) ou na louça.

Outro ponto é que, se o zelador “quizilar o orisá” do seu Igba, quem vai estar irritando ou afrontando o Orisá é ele, e não você, Orisá não é burro nem cego! Vamos usar o exemplo de Osala, se o pai ou mãe de santo pegar o otá de seu Igba de Osala e ferver no dendê, a quizila é dele não do filho, quem colocou lá foi ele e não o filho, já ouvi alguns ridículos dizerem que dizem pro Orisá que quem mandou colocar foi o filho, ai me pergunto: Orisá é louco?

No mesmo instante me respondo: Não, louco é quem acha que Orisá é bobo.
Orisá conhece nosso interior, o que sai da nossa boca, foi antes pensado! Logo, ele saberá exatamente a intenção de cada um de nós.

Meu objetivo, é sempre tentar mudar essa imagem do “sagrado maluco” que alguns zeladores tentam passar para amedrontar os filhos, e mais uma vez eu digo, “EU NÃO CULTUARIA UM DEUS LOUCO”.

A verdade é que se meu Orisá me castiga por algo que um terceiro fez, desculpem, não cultuaria mais e ponto final.

Fiquem tranquilos quanto a isso, seu Orisá é divino, vai além de nossa interpretação. Lembrem-se seu corpo é seu maior e principal Igba.

Motumbá!


Por: Danilo Vieira
Fonte: Soul Yawo