21 de fev de 2018

Nada sem Xangô


Nem que eu viva cem anos
Nem que eu conclua meus planos
Nem que eu erre e perca
Nem que eu peneire e descarte
Nem que eu seja um baluarte
Nem que a vida me engane
Nem que o mundo me dane
Nem que a vida seja curta
Nem que eu seja filha da puta
Nem que a amnéisa me tome
Nem aquilo que o erro consome
Nem que eu seja perfeito
Nem que aquilo doa em meu peito
Nem as tragédias da vida
Nem a dor nas costas da alida
Nem a remuneração do patrão
Nem a palavra que solto em vão
Nem a alegria do meu time ganhando
Nem meu povo na rua apanhando
Nem a dor de ser eu mesmo
Nem a fúria de amar a esmo
Nem o pai, o filho, o avô
Nada na vida eu sou sem Xangô
Kaô kabecile!


Por: Alexandre Careca
Fonte: Ventania