21 de mar. de 2016

Não acho um terreiro "bom"para trabalhar minha mediunidade

Vejo hoje as pessoas com muita pressa. Já chegam no terreiro sabendo tudo, eles "de fora" explicando aos "de dentro" o que é e o que não é da religião, num aprendizado superficial, "pasteurizado", de apostila meramente, sem vivência. Ocorre que o saber dentro da Umbanda é adquirido ao longo do tempo. Não se pega tudo pronto, só de comprar a apostila ou fazer o curso aqui ou acolá. Não se aprende tudo de uma vez em poucos meses, já dizendo-se "pronto". 


O saber é formado a partir das experiências, da sabedoria que é passada através dos mais velhos, das situações inusitadas que ocorrem dentro do templo sagrado, das inúmeras orientações que nossos Guias nos passam. É claro, não podemos também nos fechar e não nos interessarmos por aspectos históricos e mitológicos, em nos abrirmos para estudar. Todavia, reflitamos que àqueles que acham que estão fazendo o certo ao não se fixarem em nenhum terreiro, pois nada está ao alcance de seus conhecimentos, só mostra a falta de preparo, falta de humildade em seguir uma casa, em se ter pertencimento a um grupo, comunidade e à uma egrégora. 

Quem muito se deixa levar como folha ao vento é sinal de que não tem nada a oferecer. Os galhos se fixam no tronco, o tronco se sustenta numa raiz.

Muitos entram entusiasmados e rapidamente na Umbanda. Poucos, creio que muito poucos, tem a paciência de esperar o tempo certo, vivenciado numa corrente, para criarem em si as condições propiciatórias à Umbanda entrar em seus corações.

Tenho 45 anos de batizado na Umbanda. Fazem 15 anos que tenho casa aberta e sou zelador à frente de um Congá. Ainda hoje me sinto incapaz para a Umbanda entrar plenamente em meu frágil coração, tanto ainda que me resta vivenciar e aprender.

Axé,


Por: Norberto Peixoto

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