2 de fev de 2018

Caboclos


Os Caboclos são entidades de luz que representam os índios brasileiros que passaram pelo processo de colonização do país.

Dotados de sabedoria extrema e dons de cura e limpeza espiritual, os caboclos são geralmente colocados em posição de guias chefes e dirigentes dos terreiros de Umbanda.

Essa posição se dá também porque a primeira entidade de Umbanda que se manifestou em um médium, fundando assim a religião, foi um caboclo. O Caboclo Sete Encruzilhadas, que veio por meio do médium Zélio Morais. Portanto é muito comum encontrarmos casas (que como a nossa) levam o nome do caboclo ou cabocla dirigente. Motivo também que na saída de santo do médium, tiramos o Caboclo da camarinha além do Orixá. Geralmente coroando ele com o seu cocar.

Brados

A grande maioria dos caboclos ao serem invocados, se apresentam com brados característicos de suas aldeias. Brados estes, que são tanto para anunciar sua presença quanto de espantar espíritos mal-intencionados do lugar em que chegam. Esses brados não são imperceptíveis, mas também não há necessidade do caboclo de estourar as cordas vocais do médium para mostrar que está chegando. Embora seja comum ao desincorporar de um caboclo o médium apresentar uma certa rouquidão, isso não será pela intensidade dos brados e sim pela quantidade de vezes que o mesmo bradou. Esse é um ponto de atenção para os Zeladores que estão doutrinando seus médiuns na incorporação dos caboclos.

Fala e Postura dos Caboclos

Os caboclos falam de maneira meio enrolada, uns mais outros menos. Isso se dá devido ao grau de instrução, desenvolvimento espiritual (que evolui juntamente com o desenvolvimento do médium) e frequência que trabalha.

Tanto a fala quanto a quantidade de cores que os caboclos escolhem usar diz respeito ao contato que tiveram com o homem branco em vida. Vida essa que na grande maioria omitem detalhes por serem guias de movimento e só olharem para a frente.

São entidades simples, que zelam pelo minimalismo (só não mais que os Pretos Velhos), e dão valor às pequenas coisas e gestos, nos ensinando assim a dar o mesmo valor. Não se colocam como superiores de nada nem ninguém, mas também não abaixam a cabeça, por serem uma linha muito iluminada e terem por si só o senso de que esse gesto caracteriza submissão e muitas vezes vergonha.

Adeptos na grande maioria à cor verde, por representar as matas. Mas é possível e até comum encontrar os que trabalhem com marrom, branco ou até outra cor que não seja o preto.


Grupos e Falanges

Dividimos os caboclos em dois grupos e dentro desses dois grupos as suas falanges.

Os grupos são:


As falanges são as dos Orixás, e dentro delas encontramos os seguintes caboclos que não necessariamente o médium precisa ser filho de cabeça do Orixá para trabalhar com o caboclo:

Falange dos Caboclos de Ogum

Águia Branca, Águia Dourada, Águia Solitária, Araribóia, Beira-Mar, Caboclo da Mata, Icaraí, Caiçaras Guaraci, Ipojucan, Itapoã, Jaguaré, Rompe-mato, Rompe-nuvem, Sete Matas, Sete Ondas, Tamoio, Tabajara, Tupuruplata, Ubirajara, Rompe-Ferro, Rompe-Aço

Falange dos Caboclos de Xangô

Araúna, Cajá, Caramuru, Cobra Coral, Caboclo do Sol, Girassol, Guaraná, Guará, Goitacaz, Jupará, Janguar, Rompe-Serra, Sete Caminhos, Sete Cachoeiras, Sete Montanhas, Sete Estrelas, Sete Luas, Tupi, Treme-Terra, Sultão das Matas, Cachoeirinha, Mirim, Urubatão da Guia, Urubatão, Ubiratan, Cholapur.

Falange dos Caboclos de Oxóssi

Caboclo da Lua, Arruda, Aimoré, Boiadeiro, Ubá, Caçador, Arapuí, Japiassu, Junco Verde, Javari, Mata Virgem, Rompe-folha, Rei da Mata, Guarani, Sete Flechas, Flecheiro, Folha Verde, Tupinambá, Tupaíba, Tupiara, Tapuia, Serra Azul, Paraguassu, Sete Encruzilhadas, e todos os de Penas (Branca, Azul, Dourada, Verde, Vermelha, Roxa)

Falange dos Caboclos de Omulu

Arranca-Toco, Acuré, Aimbiré, Bugre, Guiné, Gira-Mundo, Iucatan, Jupuri, Uiratan, Alho-d’água, Pedra Branca, Pedra Preta, Laçador, Roxo, Grajaúna, Bacuí, Piraí, Suri, Serra Verde, Serra Negra, Tira-teima, Seta-Águias, Tibiriçá, Vira-Mundo, Ventania.

Falange das Caboclas de Iansã

Bartira, Jussara, Jurema, Japotira, Maíra, Ivotice, Valquíria, Raio de Luz, Palina, Poti, Talina, Potira

Falange das Caboclas de Iemanjá

Diloé, Cabocla da Praia, Estrela d’Alva, Guaraciaba, Janaína, Jandira, Jacira, Jaci, Sete Ondas, Sol Nascente

Falange das Caboclas de Oxum

Iracema, Imaiá Jaceguaia, Juruema, Juruena, Jupira, Jandaia, Araguaia, Estrela da Manhã, Tunué, Mirini, Suê

Falange das Caboclas de Nanã

Assucena, Inaíra, Juçanã, Janira, Juraci, Jutira, Luana, Muraquitan, Sumarajé, Xista, Paraquassu
*Assim como mulheres podem incorporar caboclos, homens podem muito bem incorporar caboclas sem a menor distinção ou significado aprofundado. Nem mesmo baseando-se em orientação sexual do médium, tendo em vista que uma coisa não tem absolutamente nada a ver com a outra. Mesmo porque os caboclos são entidades que não trabalham na sensualidade nem muito menos na vida sexual do médium.
Trato nos cultos e Oferendas dos Caboclos:

Os caboclos, como dito anteriormente, são minimalistas e prezam pela simplicidade. O mais enfeitado que você deverá encontrar um caboclo, é com penas, e em giras específicas (geralmente festas) os que são adeptos manuseiam o urucum para pintar seus rostos. Isso por questões obvias, por se tratar de índios.

Caboclos gostam de fruta, e na grande maioria vão comer ela com casca. Tudo que é natural!

Gostam de beber vinho ou cerveja (sem distinção de quente ou fria) por terem sido apresentados a essas bebidas pelos colonizadores, sucos naturais sem açúcar ou adição de absolutamente nada, e água.

Fumam charutos ou cachimbos (contanto que estes sejam o mais simples possível – preferencialmente os de madeira lascada) com fumo de plantas. Pisam no chão independente da ocasião, comem com a mão e não fazem questão nenhuma de luxo.

Portanto se nos depararmos com um caboclo que não aceita trabalhar porque no terreiro não temos determinada coisa por falta de recursos, certamente estaremos lidando com o ego do médium e não da entidade em si. Partindo do princípio que a natureza se adapta, sempre há algo para substituir o vinho que possa estar faltando ou a vela verde que não foi possível comprar.

Elementos e Vibração

Temos também os elementos dos caboclos que nos ajudam a entender o foco vibratório de cada um. Isso geralmente já se identifica pelos nomes que eles se apresentam, mas há exceções à regra.

Dentre esses elementos podemos entender o seguinte:

* O mesmo caboclo pode vibrar com mais de um elemento, consequentemente apresentar características de ambos.
Linhas Paralelas de Caboclos:

Existem também linhas paralelas de caboclos que se subdividem e em algumas casas são cultuadas em giras específicas, já fora das giras dos caboclos das falanges citados acima.

Dentre essas linhas temos:

Caboclinhos da Ibeijada ou Curumins

Nesta encantadora linha, encontramos os Caboclinhos e Caboclinhas do Mato que se manifestam em sua forma indígena.

Pajés ou Caboclos Feiticeiros

Linha dos índios mais idosos e experientes. Por muito tempo confundidos com Pretos Velhos por geralmente apresentarem estrutura corporal de um idoso. Baseado na função dos pajés nas aldeias indígenas, essa linha trabalha proporcionando as curas através de operações espirituais, e orientações de uso de ervas medicinais para a saúde dos que a procuram.

Caboclos D’Água ou Caboclos da Praia

Caboclos que representam os primeiros Índios que tiveram contato com o homem branco e trabalham nos mistérios das águas. Esses caboclos geralmente não passam muito tempo incorporados e têm muito mais dificuldade de se comunicar do que qualquer outro. Sua chegada e partida breves acontece pois geralmente esses caboclos só aparecem para absorver alguma energia negativa que tenha ficado no ambiente e leva-la embora. 

OKÊ CABOCLO!


Por: Pai Everton D’Oxossi