19 de jan de 2018

Oxóssi e São Sebastião



Sincretismo, fusão de dois ou mais elementos culturais antagônicos num só elemento, continuando porém, perceptíveis alguns sinais de suas origens diversas (definição do dicionário on line Michaelis).

No Brasil um dos países mais sincréticos do mundo, essa fusão ocorre entre diversas correntes religiosas. No caso de Oxóssi pode-se citar a mistura de crenças quando ele é cultuado no dia de São Sebastião.

O santo católico que morreu como mártir e ficou conhecido pelo dia em que foi flechado pela guarda pretoriana quando se postou a favor de sua fé, era um cristão convicto e mostrava-se um soldado exemplar. Seu maior objetivo era converter pagãos ao cristianismo, missão que se dedicou a vida inteira.

O sincretismo garante a existência dos cultos afro em um período que os povos africanos trazidos ao Brasil, escravizados, eram obrigados a responder que sim aos seguintes dizeres “Queres lavar tua alma com água santa? Queres provar do sal de Deus? Jogas fora da tua alma todos os teus pecados? Não pecarás nunca mais? Queres ser filho de Deus? Jogas fora da tua alma o diabo?”

Dessa maneira o culto aos Orixás era absolutamente proibido e passa a conviver com os santos católicos encontrando nesse culto uma forma de resistência. Reza-se no altar católico rendendo homenagens ao orixás africanos, olha para São Sebastião e encontra em sua iconografia semelhanças com Oxóssi. Devemos destacar aqui também que em alguns Ilês de Candomblé Oxóssi é sincretizado com São Jorge e Ogum com São Sebastião, e dependendo da região isso também pode acontecer incluindo outros orixás.

Para quem acaba de chegar na religião ou apenas busca saber sobre esse orixá é normal a confusão com a linha de caboclos. Pois bem, se você é essa pessoa começamos explicando que no fundamento umbandista temos a linhagem de espíritos que se intitula Caboclos e que fazem parte desse grau na evolução.

Desta forma temos espíritos que vem em terra sob o arquétipo do índio brasileiro. Dado as semelhanças entre essa forma de se manifestar com a representação do orixá que é caçador da floresta (muitas vezes retratado como índio nativo) entendemos o por quê das confusões, porém, Oxóssi enquanto orixá é uma divindade, um trono, uma qualidade, uma essência e um sentido de Deus em nossas vidas.

Sendo assim fica claro que para o umbandista Oxóssi não foi um ser que encarnou e nem encarnará, mas se manifesta como um fragmento de Olorum na criação.


Fonte: União da Luz