25 de jan de 2018

Os guerreiros de Olorum


Contam os itans que Ogum,o ferreiro, criou o Obé (facão) mas não compreendia como iria utilizá-lo.
Levou o instrumento aos pés de Olorun, que logo tratou de chamar Oguiyan,o rei comedor de inhame e deu a este, a incumbência de descobrir uma forma de utilizar a nova invenção.

Passado algum tempo, Oguiyan retornou ao Orun (céu) para demonstrar a Olorun e a Ogum a arte do manejo do obé. Feliz, Olorun nomeou Oguiyan como o ELEMOSSÓ (O senhor de todos os ricos ornamentos), e nomeou Ogum como o OLÚOBÉ (O senhor da faca). Assim Ogum forjou um obé para Oguiyan com ricos detalhes e lhe presenteou com seguis (contas azuladas). Em contra partida, Oguiyan o ensinou a arte da guerra e o manejo do obé.

Tempos depois Ogum soubera de uma grande novidade, seu irmão Oxossi tivera um filho com Oxum, a senhora das águas doces. Para presentear a felicidade do nascimento de seu sobrinho e em respeito a Oxum, que amava metal dourado, Ogum forjou um obé dourado, de grande beleza. Ao chegar à casa de seu irmão, Oxossi pede que Ogum cuide de seu filho e de Oxum, pois teria que se ausentar por longo tempo. E assim Ogum ensinou Logun a guerrear como ele, dando a Logun o título de ELUAWO (O senhor que guarda o segredo), aquele que guarda os segredos da guerra.

No candomblé, tudo sempre é passado de alguém mais experiente para alguém menos experiente. Como dizem os mais velhos, “antiguidade é posto” ou “cabeça não passa o corpo”. 

Esse resumo de alguns itans nos mostra que tudo primeiramente passa aos olhos de Olorun, o Deus supremo. E que a arte de guerrear foi passada de um mais experiente para um menos experiente.

OGUIYAN – OGUM – LOGUN, guerreiros de Deus, nos encorajem a guerrear pela vida todos os dias! 

Motumbá


Fonte: Soul Yawo