25 de dez de 2017

Vivendo Buda; vivendo Cristo


E com essa mensagem gostaria de desejar a todos vocês que nos acompanham, seja de forma presencial em nossas giras ou seja por aqui, virtualmente pelas redes sociais, um feliz natal!

Natal que não seja meramente um símbolo do nascimento do Cristo, mas que seja o realmente nascimento, ou renascimento, dele em nossos corações.

Paz, luz e amor a todos nós!

Jesus vive em nossos corações!!!!

Cantinho de Francisco de Assis



Está escrito nos Salmos: “Aquietai-vos e sabei que sou Deus”. “Aquietar-se” significa ficar tranquilo e concentrado. O termo budista é samatha (parando, acalmando-se, concentrando-se). “Saber” significa adquirir sabedoria, insight ou entendimento. O termo budista é vipasyana (insight, ou examinando em profundidade).

“Examinar em profundidade” significa observar algo ou alguém com tanta concentração que a distinção entre observador e observado desaparece. O resultado é o insight da verdadeira natureza do objeto. Quando examinamos o coração de uma flor, vemos nele as nuvens, a luz do sol, os minerais, o tempo, a terra e todas as outras coisas que existem no universo. Sem as nuvens não poderia haver chuva, e não existiria nenhuma flor. Sem o tempo a flor não poderia desabrochar.

Com efeito, a flor é totalmente formada por elementos que lhe são extrínsecos; ela não possui uma existência independente e individual. Ela “interexiste” com todas as outras coisas no universo. Interexistência é um novo termo, mas estou certo de que em breve ele estará nos dicionários por se tratar de uma palavra extremamente importante. Quando percebemos a natureza da interexistência, as barreiras entre nós e os outros se dissolvem, e a paz, o amor e o entendimento tornam-se possíveis. Onde quer que exista o entendimento, nasce a compaixão.

Assim como a flor é formada por elementos que lhe são extrínsecos, o budismo é composto apenas por elementos não-budistas, inclusive cristãos, e o cristianismo é formado por elementos não-cristãos, inclusive budistas. Temos diferentes raízes, tradições e maneiras de perceber as coisas, mas compartilhamos as qualidades comuns do amor, do entendimento e da aceitação.

Para que nosso diálogo seja aberto, precisamos abrir nossos corações, pôr de lado nossos preconceitos, ouvir profundamente e representar verdadeiramente o que sabemos e compreendemos. Para fazer isso, precisamos de certa quantidade de fé. No budismo, ter fé significa ter confiança na nossa habilidade e na habilidade dos outros de despertar para a mais profunda capacidade de amor e entendimento. No cristianismo, ter fé significa confiar em Deus, Aquele que representa amor, compreensão, dignidade e verdade.

Quando estamos em quietude, olhando profundamente e entrando em contato com a fonte da nossa verdadeira sabedoria, entramos em contato com o Buda vivo e o Cristo vivo que existe dentro de nós e em cada pessoa que encontramos.


Por: Thich Nhat Hanh, no livro “Vivendo Buda, Vivendo Cristo”