16 de nov de 2017

Parabéns Umbanda!


Há 109 anos, o nascimento da Umbanda não podia ser mais controverso. Tudo começou quando um jovem que se preparava para ingressar nas forças armadas, começou a falar de um modo diferente e
fez com que sua família acreditasse de que se tratava de um distúrbio mental. Tratado em um Sanatório, que não conseguiu identificar o distúrbio, foi levado a um padre e submetido a um exorcismo.

Tempos depois ficou misteriosamente paralisado, sem que os médicos encontrassem alguma solução. Foi então que um dia sentou-se na cama e disse: “Amanhã estarei curado”. E assim voltou a caminhar normalmente para assombro dos médicos que o acompanhavam.

No dia 15 de novembro de 1908 o jovem Zélio foi levado por seu pai à Federação Espírita de Niterói, onde mais uma vez surpreendeu os presentes dizendo que ali ‘faltava uma flor’ que ele mesmo se levantou para buscar. Colocando-a no centro da mesa de trabalho, incorporou um espírito e ao mesmo tempo diversos médiuns presentes também incorporaram espíritos de caboclos e pretos velhos. A essa altura, o dirigente dos trabalhos estava repreendendo aquele comportamento, e o espírito incorporado no então menino Zélio tomou a palavra:

“Por que não se podem se manifestar esses espíritos que, embora de aspecto humilde, são trabalhadores?”

Entre os presentes havia um vidente que o questionou: “O irmão é um padre jesuíta. Por que fala dessa maneira e qual é o seu nome?


Ao que a entidade respondeu: “Amanhã estarei na casa deste aparelho, simbolizando a humildade e a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados. E se querem um nome, que seja este: sou o Caboclo das Sete Encruzilhadas”.

Imaginem o espanto das pessoas que presenciaram esta cena há 109 anos atrás! Em uma histórica entrevista na revista Gira da Umbanda de 1972, concedida a Lilia Ribeiro, Lucy e Creuza, o próprio Zélio de Moraes narrou o que aconteceu.

“Minha família ficou apavorada. No dia seguinte, verdadeira romaria formou-se na Rua Floriano Peixoto, onde eu morava, no número 30. Parentes, desconhecidos, os tios, que eram sacerdotes católicos, e quase todos os membros da Federação Espírita, naturalmente, em busca de uma comprovação. O Caboclo das Sete Encruzilhadas manifestou-se, dando-nos a primeira sessão de Umbanda na forma em que, daí para frente, realizaria os seus trabalhos. Como primeira prova de sua presença, através do passe, curou um paralítico, entregando a conclusão da cura ao Preto Velho, Pai Antonio, que nesse mesmo dia se apresentou. Estava criada a primeira Tenda de Umbanda, com o nome de Nossa Se¬nhora da Piedade, porque assim como a imagem de Maria ampara em seus braços o Filho, seria o amparo de todos os que a ela recorressem”.

Desde então, o acolhimento, a humildade e a fraternidade são a verdadeira essência da Umbanda. Ao longo destes 109 anos muitos tentaram rotulá-la e até mesmo engessar seus rituais, mas sem sucesso. Afinal, trata-se de uma religião que está aberta à todas as classes étnicas e sociais, expandindo-se para diversos países, acolhendo os mais diversos espíritos e adaptando-se às mais diversas culturas com um único objetivo: FAZER EXCLUSIVAMENTE O BEM!


A evolução da Umbanda se dá à medida que seus próprios membros evoluem, estudando sua doutrina e teologia e adaptando-as à nossa realidade moderna. É esse paradoxo entre a flexibilidade de adaptação e a rigidez de seus princípios que tornam a Umbanda tão encantadora.

Seja qual for o Orixá, o Guia, o Mestre, o Mentor… todos eles trabalham para levar a luz e o bem. Não importa se o templo está estabelecido ou não, se está na cidade, na natureza ou no coração de um médium: A Umbanda está lá de braços abertos para aprender e ensinar o caminho de volta à mais sublime essência, o Criador de Tudo e Todos, que existe desde os tempos imemoriais.


Por: Laura Carreta, inspirada pelo amor e dedicação do Mestre Alexandre Cumino a esta linda religião brasileira.