6 de set de 2017

Na Umbanda, menos é mais


Olá irmãos de fé, como vão? Mais uma vez peço desculpas pela falta de textos nas últimas semanas.
Este "silêncio" tem sido motivado por uma grande mudança no templo que dirijo, pois estamos nos mudando de Itanhaém, cidade em que atuamos há quase 10 anos, berço de nosso terreiro e sede de nossa irmandade desde 2007. Isso causa em mim um sentimento meio difícil de explicar, mas prometo escrever sobre este tema futuramente.

Contudo o tema deste texto nasceu justamente em uma conversa acerca desta mudança. Neste fim de semana a família estava reunida na casa de minha irmã e Mãe de Santo, todos - meu pai, minha mãe, minha irmã, meu irmão (que já frequentou nossa casa) e eu - conversando à mesa quando meu irmão dispara:

"Na verdade vocês só finalizaram algo que já estava morto há tempos, né! Só tem dois gatos pingados na assistência e 4, 5 médiuns..."

Ah meus irmãos, ele mexeu com o assunto errado na frente do cara errado. Naquela hora todos os presentes, exceto, claro, meu irmão, fizeram cara de "Ferrou, lá vem". Comecei a conversa dizendo que era para ele tentar se lembrar que aqueles gatos pingados que estavam na assistência da gira eram um casal de velhinhos que chegaram ao nosso terreiro sem a mínima esperança de encontrar uma solução para o problema de drogas que seu filho enfrentava há mais de 15 anos. Disse que, felizmente, aqueles 2 gatos pingados eram hoje 3 gatos, pois o filho já frequentava as nossas sessões e havia abandonado o vício. Depois daquele episódio houve mais um, com o neto que precisaria de uma cirurgia ainda na barriga da mãe em que ambos poderiam morrer, mas tudo deu milagrosamente certo.

Desdobrei o assunto para evitar ficar falando das graças alcançadas ou de pessoas específicas. Entramos no tema quantidade x qualidade e o lembrei que na época em que ele frequentava nossas giras a casa era cheia. Cheia de pessoas querendo mais dinheiro ou um emprego melhor, de filhos que só queriam saber de enfeitar os guias e nada de fazer a caridade. Se hoje estamos com um quadro infinitamente menor, temos o alento de ver trabalhos maiores sendo executados. Além, é claro, de tudo aquilo que acontece num plano em que nossa visão física não pode chegar, nos irmãos espirituais que rumam para nossa casa buscando ajuda, nos trabalhos desfeitos e também em toda energia positiva que geramos ali e que em seguida é encaminhada para pessoas necessitadas em toda parte.

Claro que é a maior alegria para um Pai de Santo ver sua casa cheia de filhos e de pessoas assistindo. Eu mesmo chorei feito criança na festa de Cosme e Damião deste ano ao ver tanta gente lá, mas quantidade nunca foi um indicador de sucesso para mim (e não deveria ser para casa alguma!).

Acho que meu irmão entendeu o que quis dizer e vai tentar ter um pouquinho mais de empatia nas próximas vezes.

E você, entendeu?

Axé!


Por: Cláudio Corrêa