18 de jul de 2017

Conto de Preto-Velho

Caminhei com fé e com dor.

Caminhei na fé e no amor.

Caminhei com Deus e Nossa Senhora. 

Caminhei no chicote e fui banido de Angola.

Minha vida inteira Caminhei, sonhando em algum dia ser um Rei. 

Rei de cor que nunca tive, para fugir do deslize, que não sei se tive.

Eu sou um Preto, sou crioulo, Sou um Preto estimado.

Minha vida foi sempre um Cajado, mais meu amor sempre teve ao meu lado.

Amor de Preto era uma Senhora, que nunca me abandonou, nem mesmo na degola.

Senhora Guerreira e Justiceira. 

A Nossa Senhora de ANGOLA.

A Senhora dos Orixás, Mãe de todas as energias vitais, Mãe da natureza Feliz, Mãe dos Mortais e dos Imortais, a Minha Mãe Angola.

Ai que saudade de Angola.

Que agora não vejo mais, pois fui banido da minha Terra, para meus Caminhos de volta, jamais encontrar.

Que Preto sou eu?

Não sei dizer.

Que Preto tu és?

Não sei dizer.

O que sei dizer e que Preto eu sou, e Branco foste tu que me maltratou.

Sem pena e sem dor, e sem Amor.

Mais Branco não tenha mais dó, pois agora finalmente sou Rei.

Rei do meu amor.

Pois morri e acordei na minha Angola.

A Angola de Meu Pai, o Rei Redentor, o Nosso Senhor Deus Salvador.

Angola de Luanda, Huambo e Benguela, Angola de Lobito e Lubango.

Angola do Cristianismo, trazido pelos meus irmãos de cor de Rei, os Brancos Portugueses.

Angola das minhas tradições tribais.

A minha Mãe Angola, o meu Amor.

Caminhei com fé e com dor.

Caminhei na fé e no amor.

Caminhei com Deus e Nossa Senhora.

E nunca mais caminharei no chicote dos Reis de cor, que me baniram de Angola, o meu Amor.


Por: Ronaldo Jatapequara