28 de jul de 2017

Caçadores de axé

Uma vez estava conversando sobre Umbanda com uma conhecida, estávamos no MSN numa conversa agradável e despretensiosa enquanto ela falava de suas religiões: Umbanda, Quimbanda e Candomblé. Até aí tudo bem, eu estava aprendendo um pouco mais sobre as diferentes liturgias e culto aos Orixás quando fiz questão de falar que eu nunca havia passado por nenhum tipo de ritual de iniciação na Umbanda como batismo, feitura de cabeça, Bori ou coisas afins e mesmo assim conquistei o respeito das entidades
de luz e os Orixás nunca haviam me cobrado. Nessa hora ela disparou: "Mas isso não acontecerá jamais, porque umbandista não tem Orixá". Não discuti, cada um tem a sua crença e não cabe a mim converter ninguém, até porque aprendi na Umbanda que não existe religião errada e nem religião certa, todas estão caminhando - cada qual em sua velocidade - para a perfeição, assim como os homens que as formam. O certo mesmo é a religiosidade, não a religião. Deus é um só, não importando como ele é chamado ou em quantas personalidades o dividimos, somos parte dele e por isso considero Deus como sendo de tamanho e quantidade incontáveis.

Fato é que após aquela conversa - que se encerrou após aquela frase, diga-se de passagem - comecei a refletir sobre as motivações de cada um para aceitar uma ou mais religiões. Percebi que das pessoas que já falaram sobre isso comigo, apenas uma minoria escolhe uma religião para buscar Deus e outra fração ainda menor está numa religião porque já encontrou Deus e vai para compartilhá-lo com quem precisa. Já a fatia mais farta engloba as pessoas que tem medo do destino de sua alma caso não faça parte de uma ceita, seja ela qual for. Neste meio também contabilizei as pessoas que buscam uma solução para a sua vida, que querem se livrar de dívidas, de brigas e outras coisas mais. São os que vão em busca de milagres e que em sua maioria acreditam que simplesmente estando dentro de um templo, orando ou pedindo a um Orixá as coisas acontecerão.

E há também o grupo mais curioso, o das pessoas que desejam sentir energias que as balancem, que almejam participar de toda sorte de rituais que lidem com as forças mais densas possíveis, não importando a finalidade, elas querem é sentir o Axé. São os "Caçadores de Axé". São pessoas que infelizmente acabam no Candomblé guiados pela riqueza ritualística dessa religião maravilhosa, que pela sede de poder que as magias milenares da Mãe África traz acabam maculando a imagem dessa religião. Não raro essas pessoas dizem "Umbanda? Isso aí é fraquinho demais para mim, é tão parado...". Ou então imploram para adentrar numa corrente e desenvolver sua mediunidade porque acham muito legal perder o controle do corpo.

Para que isso? Quem quer agitação, vá a uma festa. Quem quer perder o controle do corpo, basta ir a um beco escuro. Sei que lá haverá alguém com um pacote pequeno que, por um preço, resolverá a sua vontade de descontrole. Tudo é questão de foco e o foco da Umbanda é a caridade, é a doação.

Se você entrou ou quer entrar para uma religião pense bem o que você deseja dela e o que ela promete lhe dar. Até hoje a Umbanda não me prometeu nada. E foi por isso que a escolhi.

Axé.


Por: Claudio Corrêa