6 de jun de 2017

Terreiro de Umbanda: grande ou pequeno?

Quando a gente sequer tinha um teto para fazer nossas giras: uma de nossas fases mais felizes.

Um terreiro de umbanda deve ter como objetivo (além da prática incessante da caridade) o crescimento físico, ou seja, a quantidade de pessoas em desenvolvimento e o tamanho to templo? 

Eu olhei para o passado. 


Vivemos na era do hiper-registro e isso, em minha opinião, é muito nocivo para o convívio social, afinal a gente passa mais tempo criando registros do que realmente vivendo as situação. Todavia como tudo tem dois lados, este costume fez com que eu registrasse o meu terreiro durante anos, me possibilitando uma visita objetiva (sem as armadilhas emocionais da memória) ao passado de nosso templo. Vi que o nosso terreiro se reinventou ao logo dos anos, tivemos dezenas de médiuns na corrente, passamos por fases em que a gira tinha 3 ou 4 pessoas e por aí vai. Cada fase com o seu tom.

Nesta análise eu dei especial atenção ao fator populacional da casa. Por que crescemos em número de pessoas? Em quais épocas isso aconteceu? Por que o número retraiu? Qual a razão desta flutuação populacional?

Percebi que o fator que influenciava esta flutuabilidade era o conflito entre o ego de seus dirigentes (eu me incluo MUITO aqui) e o propósito da casa. Eu explico:

O ego do dirigente: se você dirigisse uma templo, iria querer que ele ficasse vazio ou cheio? Cheio, claro! Se você se depara, por exemplo, com dois restaurantes, sendo que um está completamente vazio e o outro está razoavelmente cheio, você optará pelo cheio, não é? Se todos preferiram o segundo é porque sua comida e serviços é melhor, você pensa. Para um dirigente (que é um ser humano comum, nunca se esqueçam disso) a lógica é a mesma, porque casa cheia é mais alegre, os pontos são entoados de forma mais vibrante e (aí entra mais a questão do ego) é sinal de sucesso.

O propósito da casa: se a casa nasceu para ser pequena, ela será pequena sempre, não importa o quanto você se esforce pelo contrário. Não somos nós, mortais e limitados, que decidimos isso, até porque a casa não nos pertence, ela é parte dos desígnios de Deus, dos orixás e das entidades. São eles quem fazem tudo acontecer, quem decidem as grandes diretrizes, quem fica e quem sai ao longo do tempo. Á gente cabe a administração de pessoas, processos, números e da ordem, o que é muita coisa.

Quando a gente desistiu dessa "queda de braço" entre o que queríamos e o que a casa realmente é, ficamos em paz. Somos uma casa pequena e permaneceremos assim para sempre.

Se você quiser saber mais sobre as características de uma casa grande e de uma pequena, leia este texto.

Axé!


Por: Cláudio Correa