20 de jun de 2017

Impermanência - Lei divina universal


A cada dia Deus recria o universo e reinventa suas criaturas.

Nada é permanente, a não ser a própria impermanência das coisas.

A impermanência é lei divina e é em conseqüência dela que tudo evolui, recriando-se a cada segundo. É, pois, na impermanência das coisas que está o próprio progresso inexorável a que todos estamos sujeitos.

Vemos a impermanência de tudo na própria natureza, quando o colorido da primavera se transforma na luz abrasadora do verão, que fenece na frutificação do outono, que descansa nas sombras frias do inverno e novamente desperta em luz viva na primavera.

E ainda que este movimento pareça circular e repetitivo, a cada volta completa manifesta-se num nível acima do anterior, evoluindo numa espiral ascensional de vida e amor.

E a cada nível superado, toda a natureza se renova, criando novas espécies, eliminando outras, adaptando-se constantemente à vontade de Deus.

Nenhuma consciência é descartável, mas todas são substituíveis no movimento contínuo de renovação da Criação, pois vão se seguindo, umas às outras, nos vários níveis, de modo que nenhum deles fique vazio e improdutivo. No momento em que uma consciência está pronta para ascender ao nível seguinte, uma outra consciência toma seu lugar, mantendo em movimento a engrenagem divina.

Nesse turbilhão ascensional, ninguém consegue ficar parado, ainda que se acorrente voluntariamente à aparência efêmera das coisas.

Ninguém é capaz de deter a própria evolução, ainda que ignore deliberadamente todos os movimentos contínuos da natureza em seu próprio ser.

Nesse universo em transformação, ninguém possui nada de si, a não ser o próprio processo interno de crescimento e evolução. E nesse despojamento espiritual com que Deus criou a todos, está a razão primordial de toda existência, pois é Nele que tudo começa e termina, no encontro sagrado do Alfa e do Ômega.

A cada torção da espiral, a consciência se recria, despojando-se, mais uma vez, do que pensa que é para retornar ao que realmente é no contexto divino universal.

E, no processo de recriar-se a cada ciclo de sua existência espiritual, a consciência se reinventa, agregando novas experiências e conhecimentos à sua estrutura essencial eterna.

Recriar-se e reinventar-se são processos internos contínuos, a que toda consciência está submetida em obediência à lei universal de impermanência.

Recriando-se e reinventando-se, a cada segundo, toda consciência renova consigo o próprio universo, que também se transforma no mesmo processo.

Nascer e renascer são partes do recriar-se e renovar-se, e estão muito além do simples nascer e morrer de um corpo físico.

Toda consciência nasce e renasce, de si mesma, a cada pensamento, a cada movimento, a cada nova invenção que faz consigo mesma, criando um novo ser.

Toda consciência nasce e renasce milhares de vezes a cada parto e a cada morte física, pelas emoções e sensações experimentadas a cada vez que estes fenômenos se repetem.

Nascendo e morrendo; renascendo e novamente morrendo; e recriando-se o tempo todo, continuamente, como ser divino, pleno e completo, autodescobrindo-se em camadas de existência que se desprendem aos poucos, pela ação irresistível da força centrífuga da própria espiral que a carrega.

E despindo-se de si para vestir-se de Deus, a consciência se eleva, às vezes sofrendo, às vezes sorrindo, trazendo consigo uma porção do universo, que traz consigo outras consciências, que trazem consigo outras porções de universo, que trazem consciências...

P.S.: Esse texto foi escrito durante a 4a. Fase do Curso de Estudos Parapsíquicos no IPPB, com Wagner Borges. 

- Nota de Wagner Borges: Maísa é paulistana, neta de italianos, tem 41 anos, taurina com ascendente em Aquário se interessa por assuntos espirituais desde que se entende por gente, como diz. Aos 14 anos foi para a Umbanda, levada por seu pai, onde ficou por 13 anos trabalhando como médium de incorporação em todas as linhas. Aos 27 anos passou para o Espiritismo, onde fez os cursos Básico, Mediúnico e Evangélico, além dos cursos de Expositores (palestrantes), Orientação a Desencarnados, e Reflexões Evangélicas, todos na Seara Bendita Instituição Espírita.
Nessa mesma casa, atuou como médium de passes, clarividência e psicofonia nos trabalhos de desobsessão e choque anímico, além de ter dado palestras públicas em vários trabalhos de assistência, reuniões e de colaborar com o informativo da casa, Jornal “O Seareiro”, com pequenas crônicas e mensagens. Em 1993 tornou-se instrutora no curso Evangélico da mesma casa, onde ministrou aulas por quase seis anos. 
Em 1999, deixou a Seara Bendita e acompanhou o grupo de Orientação a Desencarnados, que passou a trabalhar no Lar Espírita Servas de Maria. 
Nessa casa, participa até hoje das reuniões semanais e dá aulas desde o início de 2002 no Curso Básico e Mediúnico. Ministra palestras para assistidos e participa esporadicamente dos trabalhos de desobsessão e passes, quando solicitada pelos dirigentes. É participante do grupo de estudos e assistência espiritual do IPPB.

Para maiores detalhes sobre o seu trabalho, ver sua coluna na revista on line de nosso site – www.ippb.org.br 

Peço permissão a Maísa para postar aqui um texto que escrevi em 1995, pelo mesmo apresentar forte correspondência com o seu texto de agora.

IMPERMANÊNCIA

Há pensamentos que vêm e vão. 
Há amores que vêm, ficam e passam. 
Na vida, tudo é transitório, nada é fixo. 
Há coisas que ficam por um tempo, outras por um tempinho, e outras mais por um tempão. Porém, tudo passa. 
O traço característico da existência terrestre é a impermanência. 
Logo, o apego a algo é uma ilusão, pois nada nos pertence para sempre. 
As pessoas dão muita importância a coisas que não valem a pena. 
Na verdade, nada é importante, a não ser a experiência da vida que passa. 
No Universo só há três coisas permanentes: 
Deus, o Amor (que faz a magia da luz acontecer) e os espíritos (que também somos nós). 

- Wagner Borges – 
São Paulo, 28 de julho de 1995.


Por: Maísa Intelisano