15 de jun de 2017

EXU na Umbanda o grande mistério. Um mistério? - PARTE IV

Infelizmente, creio eu, para alguns, Espíritos Exus (OS APELIDADOS DE) são, como todos os outros, apenas ES-PÍ-RI-TOS, podendo pertencer tanto ao gênero humano quanto ao elemental, mas espíritos e não deuses, orixás, senhores do sobrenatural, etc.

Como por seus apegos à matéria permanecem em planos vibracionais bastante densos, próximos ao Plano Físico, a matéria astral que compõe seus corpos tende a ser densa, condensada, e, por isto mesmo, a exemplo de outros mais densos ainda e de menor nível evolutivo espiritual, têm uma certa facilidade de acesso, de tangência à matéria física de que somos formados e, desta forma, no caso de não se tratarem de Espíritos Exus Coroados ou Batizados SOB O PONTO DE VISTA DA UMBANDA (ponto de vista este que não é de agora e sim de muitos e muitos anos atrás), sendo amorais portanto, costumavam (e costumam ainda,
infelizmente, por uma certa casta de humanos tão ou mais amorais que eles) ser buscados para trabalhos de "baixo-espiritismo" com efeitos mais rápidos. Também por esta facilidade de acessar a matéria física são contatados mais facilmente pela mediunidade, bem assim como podem dominar seus médiuns mais facilmente quando em processo de incorporação.

Pelas afirmativas acima explica-se o porquê de ser tão mais fácil "dar-se passagem" a espíritos desta categoria, deste nível evolutivo, do que a "Medalhões do Astral" - os verdadeiros, porque o que tem de mistificador se passando por medalhão por aí, passando mensagens que não passam pelo menor crivo de razão e sendo "engolidos" pelo que apresentam de fachada e não pelo que são de verdade ...

A todos esses que julgam conhecerem profundamente quaisquer das personalidades que se apresentam como Exus ou mesmo que assim não se apresentem mas são Exus por seus comportamentos, ideais, objetivos, eu faria uma simples pergunta:

- Você tem certeza de que conhece profundamente seu ou sua filha? Seu marido? Sua esposa e até mesmo seu pai ou mãe?

Claro que não! Ninguém pode dizer, racionalmente, que conhece profundamente qualquer outro ser que esteja encarnado e que, inclusive, viva sob seu próprio teto diuturnamente. Se disser que sim está sendo, ou ingênuo demais ou hipócrita!

E se não podemos conhecer profundamente sequer os encarnados que podemos ver e tocar todos os dias, quem é que pode dizer que conhece perfeitamente "seu" Exu, Pomba Gira, que são difíceis de serem conhecidos e compreendidos a fundo como seres independentes que são, e também qualquer outra entidade espiritual que pense por si e aja de acordo com seus próprios princípios e idéias de realidade (livre arbítrio)?

Isso você até poderia apelar para dizer que é um mistério, só que não é "um mistério exu" mas sim um mistério da vida, embasado nos mais diversos tipos de personalidades que se formam ao longo da existência de cada um.

Como se aprofundar no conhecimento sobre um determinado ser?

Só mesmo o acompanhando nas mais diversas situações (quanto mais melhor), analisando o que fala, o que prega no dia a dia e, principalmente, se seus atos estão de acordo com o que fala e prega em todas as ocasiões ou se a pregação é uma e as atitudes são outras.

Será que se pode fazer isto em relação a qualquer entidade espiritual? Acho "um pouco meio muito difícil demais", se é que você me entende.

Vamos tratar a partir de agora de LINHA ESPIRITUAL ou só LINHA a todos esses grupamentos de
Espíritos que se enquadram na categoria de EXUS que, da mesma forma que Caboclos e Pretos Velhos, trabalham em falanges com diversos nomes, atraídos que são por semelhanças e sintonias, da mesma forma que nós aqui, os encarnados, costumamos nos reunir em grupos que "tenham algo a ver conosco".

Você sabe como, em princípio, criam-se diversos grupos de espíritos (falanges)? 

Por assemelhação de intenções, de idéias, de forma de agir e reagir, de entender isto ou aquilo pela forma que aprenderam, e, dessa forma, por essas semelhanças, se criarem as amizades que os fazem trabalhar em harmonia uns com os outros ...

É da mesma forma que se juntam aqui em grupos, pessoas de mesma religião, que torcem por um mesmo time, que costumam se reunir para aquela cervejinha todos os dias a uma determinada hora e num mesmo local e que, a partir dessas semelhanças e reuniões, passam a conviver mais profundamente uns com os outros e até mesmo a criarem objetivos para o grupo, como nos casos em que se formam clubes sociais de amigos, times de futebol (ou outro esporte qualquer) para disputas entre amigos, podendo acontecer também daí as formações de pequenas empresas, cultos e até quadrihas criminosas se o pessoal for "da pesada".

Uma coisa é certa e deve ser OBSERVADA ATENTAMENTE: Nenhum espírito vai se unir a uma falange e, PRINCIPALMENTE ASSUMIR O NOME DELA se não tiver algo em comum com a filosofia/doutrina padrão desta falange. Isto não teria a menor lógica.

Ou você se sentiria à vontade unindo-se a um grupo religioso, por exemplo, que não tenha algo em comum com o que você tem como religião? Ou time? Ou idéias políticas? Ou a grupos em que os padrões de moralidade sejam muito diferentes dos seus?

Parou? Pensou bem sobre isto? Então continuemos.

Se você ainda não entendeu porque eu enveredei por estes caminhos vai perceber agora.

Repare que no início a LINHA dos ekuruns apelidados de exus dividia-se em diversas falanges que assumiam nomes como: Tranca Ruas, Sete Encruzilhadas, Marabô, Tronqueira, Sete Covas e outros mais, e os espíritos que se apresentavam davam como "nome próprio" O NOME DESSAS FALANGES sem que nenhuma delas demarcasse claramente os aspectos da personalidade de cada um desses espíritos ou mesmo da filosofia central da falange em si. O que os punha como EXUS eram suas idéias e comportamentos que, estes sim, demonstravam o quanto se assemelhavam ao descrito como Exu africano.

De uns tempos para cá formaram-se falanges com nomes como MALANDROS, MALANDRINHOS, PELINTRAS (esta adotada dos Catimbós) que, claramente, pelo nome que assumem, já apresentam, de cara, o tipo de formação e filosofia que têm como central, ou seja: a malandragem, a pilantragem, porque não me venha dizer que um espírito passa a se chamar de pilantra ou malandro ou se unir a uma falange destas SE NÃO HOUVER ALGO EM COMUM entre ele e os demais, como já vimos acima, pois ninguém o faria de boa vontade.

Não vamos dar uma de "mães enganadas" que mesmo vendo seus "queridos filhinhos ou filhinhas" aparecerem em casa quase sempre com uma roupa novinha em folha, tenis da onda, chegam em casa em altas horas e sempre em estado alterado de consciência (leia-se bêbado ou drogado), sem estudar às vezes, ou trabalhar quase sempre, continua achando que "É MUITO NORMAL", é "COISA DA ADOLESCÊNCIA" e "quando ele crescer" vai mudar tudo isto!

Se acontecer é EXCEÇÃO e não REGRA; e que se agradeça muito a DEUS por esta exceção.

Já diziam os mais antigos, com muita sabedoria: "Diga-me com quem andas [ou o que fazes, complemento eu] que te direi quem és!"

Da mesma forma que as "mães enganadas" procuram sempre alguma coisa que não as leve a encarar a realidade e tentam justificar todos os atos desregrados de seus filhinhos pelo fato de que assim agindo entenderem erradamente que "os estão amando acima de qualquer coisa", há muitos entre nós que, mesmo estando de frente a um espírito que se auto-intitule MALANDRO, PELINTRA (pilantra), só pelo fato de os "amarem", normalmente por algum ou alguns êxitos que através deles conseguiram obter, passam a entender que eles não têm defeitos, que são divindades e até orixás, como já vi comentarem.

Desde quando um grupo de ESPÍRITOS DE LUZ, VER-DA-DEI-ROS, assumiriam como grupamento e nome, estes acima citados ou outros que poderiam criar como Zé TRAFICANTE, Joâo DOIDÃO DE PEDRA, Chico ASSALTANTE ... o que cairia mais ou menos no mesmo nível dos Malandros, Malandrinhos e Pilantras?

O que os levaria a assumir estes nomes que revelam categorias de comportamentos não adequados, que eu não compreendo?

Você, de sã consciência, se for alguém de caráter e personalidade reta, criaria ou se uniria a um grupo que tivesse o nome de "BANDIDOS DO ALÉM", por exemplo? Será?

Mas, como isso pode voltar a insuflar a Pelintromania principalmente, é sempre bom lembrar que existe evolução, mesmo dentro dessas falanges e que alguns espíritos podem, muito bem, crescer espiritualmente:
  1. na medida em que adquirirem compreensão de suas condições atuais;
  2. na medida em que deixarem de ser amorais;
  3. na medida em que passarem a entender e praticar a filosofia da Umbanda por terem-na aprendido estando em contato com outros espíritos já BATIZADOS NA BANDA e com dirigentes e médiuns que saibam que trabalham com estes espíritos para os alavancarem para cima e não para baixo e que não se deixam enfeitiçar pelos fenômenos que eles podem produzir por suas situações de adensamento de matéria, como já explicamos antes, fenômenos estes que acabam criando DEVOTOS E FANÁTICOS deslumbrados que daí pra diante, seja o que lhes for "ensinado" por seus ídolos, passa a ser "verdade irrefutável".
Foi por isto que expliquei, ainda na PARTE III deste trabalho, que podemos encontrar até espíritos de uma certa boa condição evolutiva em falanges como estas, até porque É POR SINTONIA TAMBÉM, que os espíritos se achegam a nós para trabalharem e, dependendo do médium ...

O que não se pode é, por esses espíritos já "umbandizados", avaliarmos todos os da mesma falange que só pelo nome já nos traduz a que vieram, dizendo por conseguinte, que os demais, por seus comportamentos, ou não existem (são médiuns mistificando) ou são kiumbas disfarçados, porque "a coisa" não é bem por aí não e os que destoam disto são justamente os "umbandizados" (iniciados e aceitos como tal na Banda, pelo menos). Os demais continuam pensando e agindo de acordo com o padrão da falange que é AMORAL, lembre-se disto.

O que se sabe é que os espíritos, na medida em que se modificam interiormente e passam a aceitar e praticar a doutrina/filosofia da Umbanda, tendem a abandonar antigas falanges (grupamentos) e se acertar com novas outras. Neste caso, ou abandonam também seus médiuns (se eles permanecerem estáticos em suas crenças) ou passam a trabalhar como se outros espíritos fossem com estes mesmos médiuns, ou seja, dando outro nome, agora da falange a que se uniram, ocasião em que fica parecendo para os médiuns que "outros Espíritos apareceram em sua guarda". 
E se abandonam os médiuns é, principalmente, porque nunca foram GUIAS DE FATO e sim PROTETORES enquanto com eles estiveram.

Vem daí, exatamente, o ensinamento de que o espírito Exu, ao evoluir e se desprender de sua falange, deixa de ser um Exu (isto fica muito claro pelo que já foi explicado sobre o porquê serem chamados de exus) e passa para outras falanges (outros grupos), podendo vir com outros nomes, novos comportamentos e ideais....

E que falanges poderiam ser estas para as quais passariam os antes Exus?

Da mesma forma que antes se uniam por semelhanças de idéias e ideais (aqueles antigos e em acordo com suas compreensões anteriores) às falanges antigas, serão aceitos (ou se unirão) agora, em vista de tudo o que aprenderam sobre suas situações de ESPÍRITOS e também dos NOVOS OBJETIVOS que entendam estar em harmonia com seus jeitos de serem, em falanges nas quais melhor se adaptarem.

Levando-se isto em consideração, vemos que poderão adentrar a uma falange de Pretos Velhos, de Caboclos, de Oguns, de Xangôs, etc., LINHAS ESTAS de ESPÍRITOS TRABALHADORES e não DE ORIXÁS, como somos levados a entender pelos nomes a elas dados.

O que podemos observar então, por estas apreciações?

Que as diversas LINHAS de trabalho que atuam na Umbanda, também compostas de INÚMERAS FALANGES DE ESPÍRITOS, mantém nessas falanges espíritos de diversas categorias (inclusive ETNIAS) sendo muitos deles antigos espíritos Exus que, por terem evoluído, deixado de ser amorais, terem assumido novos e mais retos comportamentos, já podem assumir os nomes das falanges a que vão se unir e desenvolver novas formas de trabalho com isto.

Mas esta é apenas uma faceta da "coisa", porque mesmo dentro de LINHAS como de Ogum, Xangô, Oxossi, etc., ESTAGIAM diversos espíritos ainda em condição de EXUS, como auxiliares diretos dos que são de fato merecedores de suas posições dentro dessas LINHAS e suas FALANGES.

A gente quase não os nota como Exus porque, ou atuam por fora (sem incorporarem) no auxílio direto a este ou aquele espírito Ogum confirmado, ou, mesmo que incorporem, já não agem mais como Exus (bebendo marafo, ou sendo amorais...). Agem sim, como mais um elemento da falange a que estão unidos, fazendo entender aos mais preocupados com as exteriorizações e menos com as vibrações energéticas, que são tão Oguns como qualquer outro, se bem que por observações sem idolatrias, podemos muito bem diferenciar um "Ogum Ogum", de um Ogum metá Exu ou Ogum Cruzado como os chamamos, valendo a mesma nomenclatura, tanto para Xangôs (metá Exu ou Cruzados), Pretos Velhos (idem), Caboclos (idem), etc.

Daí eu repetir aqui que o simples fato de se estar em frente a uma entidade que dê um determinado nome (que é o da falange e não o dela) não ser segurança total de que se está em frente a uma entidade da Lei (já totalmente enquadrada na filosofia/doutrina da Umbanda). Podemos muito bem estar em frente a um metá, um cruzado ou ainda quimbandeiro estagiário, sem que estejamos nos dando conta disto, pelo acima exposto.


Por: Cláudio Zeus