7 de jun de 2017

Devo ter medo de exu?


O medo surge quando nos deparamos com o inesperado, desconhecido ou imprevisível. É algo tão natural e inerente ao ser humano quanto respirar. 


Exu talvez seja a entidade que mais fomenta a criação de debates desde sua primeira incorporação e, por consequência, também é detentor da maior quantidade de mitos e preconceitos relacionados à religião.

Exu e o medo andam de mãos dadas, para alguns, pois em suas concepções "Exu deve ser temido, porque não é um ser inteiramente bom”. Grande absurdo, se me permite dar minha opinião. 

Talvez estas ocorrências estejam mais presentes fora do mundo umbandista, porém não é tão incomum ouvir aqui e ali um praticante declarar que Exu está pronto para destruir as vidas daqueles que o serve ou que existe uma disposição descomunal do próprio para a realização de trabalhos que envolvem vingança, raiva, crueldade e tantos outros sentimentos inferiores. Infelizmente para estes venho hoje declarar que Exu nada mais é do que uma figura divina que jamais teve e nem terá qualquer intenção maléfica e/ou diabólica e, portanto, temer relacionar-se com ele é desnecessário. Acredite quando digo que, deixar de acender uma ou duas velas não fará sua vida sair dos trilhos e nem que tudo o que construiu irá embora pelos ares. 

Se voltarmos alguns bons anos no tempo, encontraremos que a origem para o “Exu de Dupla
Personalidade” está no culto africano e em suas lendas, ou seja, em nada tem a ver com a Umbanda e, menos ainda, deveria ter a ver com a visão umbandista. Me pergunte então: “Alan, como a Umbanda vê Exu?” E eu respondo:

O Exu, na Umbanda, é o responsável pela execução da lei divina e também é aquele que traz em sua essência a capacidade de despertar no homem o executor que há em si. Exu é aquele que lhe protegerá do início ao fim, o seu melhor amigo e aquele que lhe ensinará lições valiosas através de experiências indispensáveis para o seu crescimento. Ter uma entidade tão misteriosa, humana e cheia de valores como mentor me permitiu compreender minhas quedas e meus erros como jamais imaginei que um dia poderia ser possível. E, sinceramente, nunca houve nenhuma adversidade por isso. Convido-o, por fim, a confiar naqueles em que tem fé e a se desprender de tantas amarras dispensáveis.

Reverencie e honre aquele que te guarda. Laroyê, Mojubá!