12 de mai de 2017

Uma preta-velha abriu a porta

Há muitos anos atrás um rapaz procurou uma senhora conhecida da sua família para desabafar sobre um relacionamento que havia terminado de forma abrupta. O rapaz em questão era (ou ainda será que é?) muito emotivo e sentiu muito essa separação. Seu coração doía pela "perda" da namorada e ele não conseguia mais encontrar forças para seguir seu caminho naquele momento de sua vida.


Essa senhora lembrou-lhe sobre o centro de Umbanda que ela frequentava e que a mãe dele - já desencarnada há aquela época - também costumava frequentar e convidou-o para ir até lá e ter um dedo de prosa com Vó Barbina, preta-velha que dava consultas naquele terreiro.

Ao chegar ao centro, o jovem desabafou e a preta-velha Barbina lhe respondeu falando sobre resignação, perdão, amor próprio, fé, força, Deus... essas coisa que preto-velho adora falar!

Ao final da conversa, que levou seguramente mais de uma hora, o jovem cometeu um "erro" perguntando: "Como posso pagar a senhora pelo alivio no coração que me proporcionou?"

A velha, sagaz como sempre foi e é, sentenciou sem pestanejar: "Você vai me pagar aqui neste mesmo centro! Vou lhe ver dançando e celebrando os Orixás conosco!!!"

Com espanto e admiração o jovem pensou consigo: "Quem, eu? Nunquinha! Jamais! Tá doida?"

Depois desse dia muitas coisas aconteceram, algumas importantes e outras sem muita importância, na vida desse jovem. Dentre todas a que nos mais interessa saber é, afinal, se o jovem veio mesmo a entrar para a corrente mediúnica daquele centro, daquela preta-velha.

Lógico que entrou! Não de imediato, sejamos francos. Mas em menos de um ano depois daquela primeira consulta com aquela preta-velha estava lá novamente o jovem dançando e louvando os Orixás.

Diga-se de passagem, essa mesma preta-velha teve muitas outras prosas com esse jovem - que hoje já
nem é tão jovem assim - ensinando-lhe muito sobre a caridade, o trabalho mediúnico, a cristandade, os Orixás, a Umbanda...

A história, desse rapaz, dessa preta-velha é verídica; é minha história!

Eu não queria passar esse dia dos pretos-velhos sem poder agradecer a esse espírito de luz que me mostrou a Umbanda de uma forma tão linda, meiga e séria!

Que mostrou que nem todos são para a Umbanda, apesar da Umbanda ser para todos!

Que mediunidade é coisa para ser levada a sério; pelo outro, para o outro... com benefícios decorrentes para cada um dos médiuns que assim procederem.

Preto-velho é assim, uma flor no deserto que no seu desabrochar exala um perfume de compreensão e a beleza hipnotizadora da caridade.

Gratidão Barbina, por tudo!!!!

Adorei as almas!!!


Por: Gérson Floriz Costa Júnior - dirigente do Cantinho de Francisco de Assis