23 de mai de 2017

Paz: o segredo da vida espiritual



“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou;
não vo-la dou como o mundo a dá.
Não se turbe o vosso coração,
nem se atemorize.”
(João 14;27)

Minha paz, a paz de Cristo! Têm-se efetuado mais curas em absoluto silêncio do que com todos os argumentos elaborados por todos os metafísicos conhecidos na história do mundo.

Quando te pedirem ajuda, senta-te e fica em paz. Não penses nada: senta-te e espera. Espera. Espera pacientemente que a paz de Cristo desça sobre ti. E então, nesse momento de paz, calado, testemunharás a cura.

O único valor do tratamento consiste em nos elevar a um nível de consciência que nos permita o desdobramento da consciência espiritual. Agora, porém, estamos numa posição diferente daquela em que procurávamos curar por meio de tratamentos. Já atingimos em ponto, em nosso desenvolvimento, que nos facilita encetar o próximo passo ascensional.

Embora a princípio tivéssemos necessitado de argumentos mentais, de afirmação e negações, agora não recorreremos mais a tal método. Aprende a sentar-te e relaxar os músculos. Não importa se o caso for de pecado, doença, morte ou desemprego.

Senta-te e descontrai os músculos. Não tentes resolver o problema. Não tentes trabalhar sobre ele. Não tentes tratar dele. Senta-te descontraído e, em silêncio, cria uma espécie de vácuo para que Deus, o Cristo, se precipite nele. Senta-te e abandona a ideia de que a mente humana possa curar: o curador é o Cristo, ou seja, a Substância Espiritual Única Eterna, permanente e Invisível.

A essência de todo o nosso trabalho é esta: Deus é, Deus está presente. Deixemos, pois, que Deus trabalhe em nós e por meio de nós na execução de Seu plano.

Ao invés de ficares a repetir "Deus, Deus, Deus", deixa que Ele realize Sua obra, visto que "Ele é".

"A minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo".

O mundo pode dar-nos certa espécie de paz. Pode proporcionar-nos um lugar sem ruídos, um sítio tranquilo ou um passeio marítimo. Esta é a paz que o mundo nos pode oferecer.

Aqueles que viajam para lugares distantes, vão consigo mesmos e regressam a seus lares consigo mesmos. Não podem fugir de si mesmos. Quem tem problemas leva-os consigo aonde quer que vá. Devemos abandonar tais esforços inúteis

A mente humana não é o Cristo. Há muitos anos que se vêm fazendo esforços mentais em tentativas de curas. Entretanto, diz a Bíblia: "Os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos".

O que adianta tudo o que temos pensado? A verdade é que a mente humana não desempenha nenhum papel na realização da cura. O trabalho de cura espiritual é feito exclusivamente pelo Cristo, ou seja, pela essência divina presente em todos nós.

Cura espiritual é aquela que resulta da autorrealização consciente em Cristo - a Substância Espiritual que permeia todas as aparências -, não de argumentos mentais, nem do emprego de meios externos, como a medicina e a cirurgia.

"A minha paz vos dou". Nessa paz que excede todo o entendimento, nessa quietude, nesse silêncio é que o poder de Deus se manifesta e executa o trabalho.

Muitos nos procuram parecendo querer somente pães e peixes, ao invés de buscarem a Deus por Deus mesmo. Não devemos preocupar-nos com isto. Não nos devemos preocupar com o que parecem querer. Continuemos cantando nossa canção. Os que puderem a ouvirão; os outros talvez ainda não estejam aptos a ouvi-la.

Constatarás que sempre se operam mais curas ante um sorriso, ante o simples reconhecimento da presença de Deus, do que por esforços mentais. E essas curas são mais autênticas, mais suaves e duradouras, porque resultam da descida do Espírito Santo, ou seja, do próprio Cristo, ao penetrar na consciência humana e banir as crenças errôneas dos sentidos físicos.

Que é o que se requer para andar sobre as águas e acalmar tempestades? Algum argumento mental? Alguma negação? Alguma afirmação? O que Jesus disse à tempestade foi: "Paz! Fica quieta!" E foi o bastante: Paz! fica quieta!

Todos aqueles que tem feito trabalhos de cura sabem que ela se opera quando se experimenta essa sensação de paz, esse estado de autorrealização em Cristo - a essência espiritual única. O que talvez não conheçam é o porquê da cura.

Permitam-me explicá-lo: É porque nesse estado de consciência, nessa paz, o curador não luta, não opõe resistência ao erro ou falsa crença.

Isto me deu o que pensar. Foi a minha primeira experiência de cura pelo esquecimento da doença.

Isto eu aprendi por experiência no meu primeiro ano de serviço de cura. Um homem que sofria de tuberculose foi levado ao meu gabinete por um amigo. Ao atendê-lo, ele mencionou sua dificuldade em comer alimento sólidos, por sofrer de piorréia, e pediu-me que o curasse disto também. Assegurei-lhe que sim. Mas esqueci-me completamente da promessa que fizera. Na manhã seguinte ele me telefonou e disse: O que foi que o senhor fez por mim? Levei cinco minutos escovando os dentes com uma escova dura e notei que já estão todos firmes.

E logo depois tive a segunda, quando uma moça me telefonou pedindo ajuda para livrar-se de uma forte dor de cabeça. Achava-se no meu consultório um paciente que, reconhecendo a urgência do caso, levantou-se para sair, mas antes de chegar à porta, o telefone tocou novamente: era a jovem, para comunicar que a dor tinha passado. A cura fora instantânea.

Tais coisas não ocorrem a ninguém que se dedique a este trabalho sem que o leve a pesquisar-lhe a causa, a indagar se são acidentais, se acontecem por acaso, ou se revelam a existência de um princípio que as determine.

Estudando e observando meticulosamente tudo o que pudesse contribuir para a descoberta do segredo, aprendi que a cura espiritual não é produzida pela mente humana, mas por um estado de Consciência Crístico.

A Consciência Crística é o entendimento de que a doença não existe como realidade e não deve ser combatida. Ao esquecer a doença, o curador mostra que não a leva muito a sério.

Aquele em que a luz de Cristo se evidencia na realização de curas não faz do erro uma realidade, pois não o combate. Pelo contrário, reconhece pacificamente o fato de que Deus constitui a vida do ser individual, conscientiza-se de que a cura não se efetua por força nem poder, mas pelo Espírito.

Se uma só pessoa sentada em silêncio numa sala, em estado de receptividade, pode fazer com que o silêncio ou paz que ela experimenta seja sentida por todos os que se encontrem dentro da mesma sala, qual não será a repercussão do grande poder de silêncio mantido por todos os pequenos grupos de pessoas que estejam em meditação, espalhados por todo o mundo?

Se a tua consciência estiver permeada pelo silêncio, pela paz, estará impregnada do poder de cura. A realização da cura depende do estado de consciência do curador. Essa consciência é o que determina a cura daqueles que recorrem a ti, não que este poder seja tua propriedade pessoal.

O poder de cura é a presença de Deus, o Espírito, manifestando-se como consciência individual. Tu não tens este poder, a menos que tua consciência esteja unida ao Amor divino, à paz que excede todo o entendimento.

Se quiseres entrar para o mundo dos negócios, se quiseres ser bem sucedido comprando e vendendo alguma coisa ou trabalho de cura: começa com a consciência em paz. Não inicies nada com medo, dúvida ou preocupações, pois do contrário, estarás transmitindo tal estado de ser negativo àqueles com quem negociares, e eles também o sentirão. Vai com este silêncio em teu coração, vai em estado de paz.

Se necessário, antes de fazeres tua visita de negócio, isola-te em algum lugar, por um ou dois minutos, senta-te e obtém essa sensação de paz, antes de saíres de casa.

Observa o que essa sensação de paz já fez por ti, e atenta no que ainda fará.

A paz na consciência é um estado de receptividade.

Finalmente, vamos aprender o maior de todos os segredos, o segredo que até agora muito pouca gente conhece: o que é Deus.

Se estudarmos as Escrituras, se estudarmos as religiões e filosofias do mundo, provavelmente chegaremos à conclusão de que Deus é alguma coisa que está muito distante de nós, algo que pouquíssimas vezes se toma contato, algo que pouquíssimas vezes responde às nossas preces de acordo com os nossos desejos, necessidades e vontades.

Por não saber o que é Deus, continua o homem, geração após geração, orando pela paz do mundo e não conseguindo paz, orando pela prosperidade, pela vida, pela saúde e imortalidade individuais e não as conseguindo.

Se somos cristãos, devemos pelo menos saber onde Deus está, porque Jesus nos disse que o reino de Deus está dentro de nós. Somente isso, se o tivéssemos crido, teria sido uma base maravilhosa para a nossa pesquisa.

Se os nossos pais, avós e outros que nos precederam tivessem passado estes últimos dois mil anos buscando o reino de Deus dentro de si mesmos, este já teria sido encontrado e estaria manifesto. Ao invés disto, porém, todas as gerações que nos antecederam têm-se voltado para alguns mestres postos em evidência, ou têm volvido os olhos para o firmamento ou em outra direção qualquer, menos para onde lhes fora aconselhado, isto é, para dentro de si mesmos.

É chegada a hora, neste século, de começarmos a olhar para esse reino dentro de nosso ser, porque é onde encontraremos Deus. Embora possa falar-te desse reino, somente tu poderás fazer com que ele se revele dentro de ti mesmo.

Então saberás realmente que Deus é Vida eterna, Consciência infinita. E saberás também que essa Consciência divina, universal, está Se manifestando como tua consciência individual, para que, finalmente, possas declarar como quem tem autoridade: Eu e o Pai somos um.

Precisamos conhecer a natureza de Deus e sentir-lhe a presença.

Espero que no próximo decênio não continuemos como até agora, apenas a falar acerca de Deus: já é chegado o momento em que devemos conhecer a Deus por experiência.

Não devemos passar superficialmente por esta parte do ensino de "O Caminho do Infinito", porque é a mais importante.

Precisamos ver a Deus enquanto ainda estamos na carne – tu e eu, individualmente, aqui e agora, sem, esperarmos pela morte. Precisamos conhecer a Deus diretamente em nossos períodos de silêncio, em nossos momentos de paz.


Por: Joel S. Goldsmith