23 de jan de 2017

Os chifres na Umbanda

Antigamente, tribos utilizavam partes dos animais com diversos objetivos:

- A pele que nos protegia do sol e do frio;
- A pele que nos mascarava e nos camuflava de inimigos;
- Chifres e rabos que serviam de culto pagão;
- Elemento símbolo da força humana sobre as outras espécies animais;
- etc.


Alguns bruxos de tribo acreditavam que ao ter o chifre de um rinoceronte, por exemplo, o seu portador teria a mesma força do animal. "ter um chifre de animal" foi tornando-se simbologismo de ter a sua força.

Na espécie animal dos búfalos, a disputa de poder e vitalidade se dá por uma batalha de chifres entre búfalos, onde o mais forte ganha o direito de liderar a matilha. Se olharmos a religião africana, Yansã é conhecida por usar o rabo de búfalo e como tal a sua força. Herdar uma parte animal como herdar a força que ele carrega já foi mais comum do que pensamos. 

Na época medieval, reis cortavam a cabeça de outros reis e colecionavam suas coroas como simbolo de sua força sobre os reinos (podemos ver claramente esta cena no filme "300"). Conforme o homem foi tornando-se o centro do universo e deixando a religião de lado, o chifre ganhou outro papel cultural, um papel pejorativo:

- Chifre na cabeça como sinônimo de ser corno;
- Chifre como elemento do capeta;
- Etc.

Entendamos que até aqui o chifre teve papeis bons e ruins na história e assim é Exu. Exu é bom para quem é bom e mau para quem é mau. 

Do ponto de vista psicanalítico, um chifre é em si um falo, ou seja, um objeto que representa a masculinidade. Muitos deuses que tinham em seu corpo "chifres" eram tidos como os mais machos assustadores, como por exemplo:

Deus Pã: Deus dos bosques na mitologia Grega e em algumas divisões de Wicca. 

Odin: Da mitologia Nórtica

Seja em épocas antigas ou para psicanalise, chifre durante muito tempo foi uma representação de masculinidade, vigor, vitalidade, força e o que é isso se não Exu?

Na Babilônia antiga o grau de elevação dos deuses se dava pelo tamanho de seus chifres. Nas civilizações Vikings igualmente. 

Na bíblia entendemos que Jesus é o cordeiro de Deus. Cordeiro tem chifres. Ele é comparado a um cordeiro e não é a toa. Poderia ter sido o "pássaro de Deus", mas não, sempre foi o "cordeiro". Coincidência?

Ainda na bíblia, convido-os a olhar "Daniel, capítulos 7 e 8" onde há uma história inteira envolvendo o poder e a simbologia dos chifres. Rodrigo Queiroz organizou um e-book (que está disponível na internet) onde organizou muito bem este assunto discorrendo com mais profundidade inclusive em considerações Wiccas, Celtas e Astrologia. 

Quero chamar a atenção ao fato de que chifres estão diretamente associados ao que vamos consagrar. 


Eles podem ser utilizados para fortalecimento de tronqueiras, magia de exu, elementos sagrados, magias negras, invocações, etc. Tudo dependerá diretamente da doutrina e mistério do guia que trabalha. Observe que na cultura antiga, na Calta, Na Viking ou até mesmo na bíblia o chifre era usado de forma diferente e como tal será na Umbanda.

Posso ter um boiadeiro que usa chifre de boi como um instrumento de cura como posso ter um exu que usa chifre para quebrar uma demanda ou devolver uma carga. O chifre sozinho representa pouca coisa. Como este chifre vai ser preparado, cuidado, utilizado, pego e consagrado é que é o mistério. Na dúvida sobre como usar este elemento, procure o pai de santo de sua confiança.


Por: Eduardo de Oxossi