23 de nov de 2016

Os perigos da mediunidade

Este texto abaixo também não é meu. Havia sido colocado ainda em 2008 para análises na Comunidade Umbanda Sem medo, no Orkut e, como o seu conteúdo é de muito boa escolha e além disto consistente, substancioso, com certeza levará a todos os que por aqui passarem muito boas informações sobre essa tal de MEDIUNIDADE e a importância dos que dela fazem uso estarem em estado de atenção.


Como costumamos dizer sobre a Umbanda, a MEDIUNIDADE É COISA SÉRIA PARA GENTE MUITO SÉRIA, também.

Leiam com atenção e previnam-se, para que no futuro vocês não tenham que se dizer "EX".

Recebam TODOS, antes de mais nada, um forte e fraterno abraço.

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Na Grécia Antiga, filósofos de diversas escolas se reuniam para debater sobre vários temas de grande interesse à pluralidade dos mundos. Um dos mais famosos debates é o Debate de Delfos, onde Aristóteles com seus discípulos Popicas, Joboxus e outros membros do Liceu do templo de Apolo e filósofos de toda a Grécia, Éfeso, no oeste, a Siracusa do atual sul da Itália se encontravam diante do oráculo.

Filósofos da escola pitagórica iam debater com aqueles da escola atomista e com Platão e seus discípulos, para deleite de seus presentes. Todas essas vozes fluiriam da mesma fonte, o incrível oráculo, o único capaz de entrar e sair livremente do mundo dos espíritos através dos poderes de Tália que recriariam duzentos anos de sabedoria.

No altar qual o oráculo oficiaria a cerimônia, estátuas de deuses adornavam o centro, coberto de frutas e flores e a belíssima Tália com seus cabelos pretos como ébano, e a pele, de um branco quase transparente, parecia ser feita de matéria diferente dos restos dos mortais. De seu pescoço pendia um enorme rubi que brilhava sobre túnica branca, supostamente a chave para outro mundo.

Sentada sobre a pedra de Aegospotami (A pedra de Aegospotami, que caiu dos céus há cerca de 113 anos (467 a.c)), Tália diante da platéia, trazia a face transformada, e em seus olhos brilhava uma luz que não tinha nada de humano. Ela não era a mais bela Tália, mas o sucessor de Tales, Anaximandro, que viveu cerca há de duzentos anos (550 a.c).

Depois de debaterem sobre o que Anaximandro dizia Tália voltava a pedra, e novamente recebia um outro filosofo da antiguidade, entre eles Anaxoras de Clazômenas, Demócrito o grande filosofo atomista, Platão, Sócrates etc.

Hoje, através do espiritismo também temos o deleite de estarmos presentes com entidades que com suas sabedorias, vem até nós pelos chamados médiuns para ensinar e mostrar-nos que existe vida após a morte. Seja no chamado Kardecismo, crença baseada na milenar doutrina hinduísta da transmigração das almas, e que se apóia em dois pilares básicos: a concepção hinduísta do Karma e a possibilidade concreta de comunicação com os mortos. O Kardecismo também é conhecido como "espiritismo de mesa branca", ou mesmo “alto espiritismo”.

Também temos o Candomblé que é uma religião mágica e ritual, o que se busca a interferência concreta do sobrenatural “neste mundo” presente, mediante a manipulação de forças sagradas, a invocação das potências divinas e os sacrifícios oferecidos às diferentes divindades, os chamados orixás.

E a Umbanda, “Aquele que caminha no meio”, tem suas origens negras, porém a umbanda pode ser chamada de religião brasileira por excelência e pelo fato de ser uma resultante de um encontro histórico único, que só se deu no Brasil: o encontro cultural de diversas crenças e tradições religiosas africanas com formas populares de catolicismo, mais o sincretismo hindu-cristão trazido pelo espiritismo kardecista de origem européia. Entre ser uma religião ética, preocupada com a regulamentação moral da conduta (Kardec), e ser uma religião estritamente ritual, voltada para a manipulação mágica do mundo (Candomblé), a umbanda escolheu o caminho do meio.

Diante destas ramificações do espiritismo, dificilmente no meio magiko, não se conhece alguém que não tenha conhecido ou vivenciado e até continua seguindo uma destas religiões. O magnífico mundo da mediunidade reflete o fato de que não estamos sozinhos e de que alguma forma alguém se preocupa conosco, guiando-nos com seus mestres espirituais e ajudando no caminho da evolução espiritual, mesmo na vida carnal como depois da morte.

Mas nem tudo é um mar de rosas, o médium deve estar bem preparado quanto aos perigos que o espreitam ao se embrenhar no mundo dos espíritos. Infelizmente pessoas atraídas pelo fascínio da espiritualidade acabam se tornando alvos de seres maléficos que se aproveitam da ignorância para vampirizar ou usa-los como objeto de seus desejos profanos.

Além disso, há o animismo mediúnico que aflora como uma doença no meio mediúnico. Com a incorporação de si mesmo, sem ao menos se dar conta disso ou estar em apenas na chamada barra – vento, pode-se transmitir as pessoas desconfianças que geram intrigas e discórdias. Quando se conhece o seu estado de letargia mediúnica e insiste nisso acaba gerando o charlatanismo intencional ou não.

Para se ter uma idéia dos perigos é necessário ter a consciência que há coisas que são apenas compreendidas na luz e é apenas na luz que elas devem ser compreendidas, assim elas são totalmente incompreensíveis nas trevas, assim como há coisas nas trevas que somente podem ser compreendidas nas trevas e são incompreensíveis na luz.

Por esse motivo na tentativa de se praticar a caridade, ao achar que esta fazendo o bem para alguém se pode estar na verdade fazendo o mal para si próprio ou para este alguém. É como benzer uma criança com desequilíbrio energético e por ignorância e despreparo transmitir a ela um pouco de sua energia interior sendo alvo da prática do vampirismo incondicional.


A diferença de um médium que conhece a magia e preparado é que ao enveredar no mundo dos espíritos procura-se conhecer, experimentar e descobrir usando conhecimentos literalmente aprendidos dentro de seu ritual por um mestre ou zelador de santo confiável. As armadilhas são intensas, ao tentar fazer o bem para uma pessoa pode-se ganhar muitos inimigos, adquirir Karma, etc.

Mas não é por isso que o médium deve desistir de sua sina. Deve-se aprender, estudar, saber o porque das coisas, jamais deve se garantir apenas na intuição, pois a partir do momento que está sendo guiado e ensinado não há apenas intuição, mas também percepção. É de grande relevância saber se os espíritos que traz consigo não são espíritos enganadores que com seu fascínio e postura de espíritos de luz trazem a sua destruição. 

Desconfie sempre quando, mesmo seguindo corretamente a doutrina, sua vida não vai bem, acontece de tudo como polemicas e intrigas.

Lembre-se: ninguém aprende apenas pela dor ou pelo amor. Existe uma interação entre ambas nas suas diferentes variáveis. Por isso quem sofre ama e quem ama sofre. Dentro deste pressuposto o médium deve desconfiar se está freqüentando o lugar e fazendo as coisas certas. É necessário conhecer os princípios, os rituais e o porque das coisas. Se viver no mundo do eu acho, vive então na ignorância dos seus erros e certamente será alvo de alguém ou algo que o espreita para derruba-lo.

Os perigos não estão apenas nos espíritos enganadores, larvas e senhores do baixo astral. Os perigos podem estar com o próprio médium. Sua ignorância é uma delas. O fato de não poder enxergar com os olhos comuns leva-o a imaginação e a fantasias. Desta maneira inventam e misturam conceitos e, sem ao menos perceberem, acabam achando que podem tudo, inclusive incorporar Jesus Cristo.

A mediunidade é algo incrível. Deve-se ter a consciência de sua importância, inclusive no meio científico. Hoje colegas biólogos físicos e químicos, espíritas e não espíritas, estudam o fenômeno mediúnico com grande interesse e alertam a comunidade espírita dos perigos que envolvem ao usar a mediunidade como ferramenta de seu próprio interesse e argumentam que um dos maiores perigos que o médium pode enfrentar é ele mesmo, sua própria ignorância e seu despreparo.

Ao agir de forma ínfima pode atrair consigo infinidades de coisas que o levam à destruição do espírito e das pessoas ao seu redor. Por essa razão o médium deve ter consigo que é preciso preocupar-se em como e o que se precisa fazer para não enveredar no caminho de sua própria destruição.

A mediunidade é a oportunidade que temos de poder entrar em contato com seres evoluídos em sabedoria, por isso é preciso não deturpar essa dádiva que é dado as pessoas que servem de veículo para a comunicação com essas entidades. As transmissões desses conhecimentos não podem ser modificadas por falsos médiuns e nem alterados por médiuns que sem saber ou não, por despreparo ou não, alteram a mensagem enviada por esses seres.

Vincular o uso da mediunidade as coisas de si próprio, mistifica um dos mais preciosos dons que a magia nos tornou possível de aprender. Ao enveredar pelo caminho da mediunidade conheça seus perigos e principalmente as armadilhas preparadas para aqueles que desprezam o verdadeiro conhecimento da magia e fazem aquilo que mais os aprouver.


Por: João Coutinho