17 de nov de 2016

Fatores comportamentais que atrapalham a incorporação – Parte 1

A incorporação é uma das faculdades mediúnicas existentes na Umbanda. Através dela o Guia (mentor espiritual) se acopla na matéria do médium com intuito de orientar o consulente, fornecer passes magnéticos, realizar descarrego, benzimentos, entre outros serviços que abastecem a relação do que chamamos de “incorporação”.

A incorporação pode ser consciente, inconsciente ou semi-consciente. Independente de qual seja, neste artigo vamos ilustrar algumas situações que
atrapalham a incorporação seja do médium iniciante ou do médium veterano. Assim, caso você esteja tendo dificuldades com a incorporação, isso pode estar atrelado a um ou a diversos dos itens abaixo. 

VAIDADE: A FALTA DE AUTOGERENCIAMENTO!

A vaidade dentro de um Terreiro é um problema. Quanto mais cedo você se livrar dela, melhor será para sua incorporação. Entendemos como vaidade quando:
  • Queremos ser melhor que os outros no sentido de competitividade;
  • Queremos se desenvolver e dar passe mais rápido do que os outros;
  • Colocamos pressão e afronta nos seus Guias para que tragam respostas no NOSSO tempo (nome do Guia, etc);
  • Acreditamos e achamos que nossos Guias são os melhores do Terreiro;
  • Desdenhamos o Guia dos outros;
  • Vangloriamos a nós mesmos de coisas que foram alcançadas pelos Guias e ficamos contando vantagem sobre isso;
  • Reparamos se a nossa roupa é melhor que a do outro irmão;
  • Temos ciúmes de alguém dentro do Terreiro pelo que ele faz, fez ou deixou de fazer junto à Casa, aos Guias e aos dirigentes;
  • Vangloriamos a nós mesmos da fila de pessoas que se forma para passar com nossos Guias;
  • Reparamos em quantas pessoas um médium atende x ao número que atendemos;
  • Cobramos a postura de alguém quando em comparação com a nossa;
  • Avaliamos um irmão chamando-o de “menos” preparado do que nós quando não é nossa função fazer este tipo de avaliação, mas sim aos dirigentes espirituais da Casa;
  • Vangloriamos a nós mesmos dos nossos recursos financeiros e comparamos a qualidade dos itens (guias de cristal, tipos de charuto, tipos de bebida, etc) com de um irmão menos favorecido financeiramente.
A vaidade é coisa do médium. O Guia e o Orixá já são seres evoluídos e não precisam deste tipo de comportamento. Quando um médium, seja ele mais velho ou em desenvolvimento, for dotado de VAIDADE, você pode ter certeza que ele “apanhará” muito dos seus Guias na incorporação (tendo dificuldades para recebê-lo) ou ainda pior: passará na frente deles diversas vezes dando conselhos desnecessários e até mesmo prejudicial aos consulentes. Lembrando que o termo “apanhar” em Umbanda não se trata de uma surra física, mas espiritual. Chamamos de surra o ato espiritual do Guia sobre o próprio médium para corrigi-lo, por exemplo, em uma Gira de Marinheiro, o médium sai totalmente bêbado sem se quer ter bebido.

Isso tudo é, na verdade, a falta de AUTOGERENCIAMENTO, ou seja, de gerenciar a si mesmo sem ficar perdendo tempo com o que colega do lado está fazendo. Devemos ficar felizes com o sucesso do outro e não invejá-los. Terreiro não é lugar de “estrelinhas”, mas sim de humildade. Jesus (Oxalá) é o pilar principal desta religião e nos ensina isso. O problema é que algumas pessoas seguem e outras não. Use seu livre arbítrio para cuidar da sua vida em primeiro lugar e verá como o processo de incorporação ficará mais fácil.

FOFOCA: A FALTA DE ÉTICA E PROFISSIONALISMO!

A fofoca acontece geralmente antes e após a Gira, pois presumimos que a pessoa tem que ser muito cara de pau para fazer fofoca dentro do rito sagrado! De qualquer forma, para um médium de Umbanda (além de ser uma atitude muito feia e imatura), fazer fofoca atrapalha sua conexão com os Guias diretamente. O Guia não tem WHATSAPP, FACEBOOK, CELULAR, porém, ele está conosco e tem ampla visão do que fazemos antes e depois da Gira.

De nada adianta ficar na Gira comportado com cara de santo (a) se fora dela você:
  • Planta a discórdia;
  • Faz leva e traz de informações de pessoas pelas costas;
  • Enche a cabeça do irmão com assuntos desnecessários;
  • Conta mentiras;
  • Aumenta e sensacionaliza fatos;
  • Distorce informações a seu favor;
  • Revela segredos e casos que foram confiados APENAS A VOCÊ OU AO SEU GUIA.
A fofoca é, em si, uma grande falta de ÉTICA E PROFISSIONALISMO, pois se tratando de UMBANDA, não há espaço para este tipo de caráter. Além de responder diretamente a Xangô (Orixá que avalia os dois lados da moeda), a fofoca pode e certamente irá atrapalhar o processo de incorporação. Em outras palavras, é como se deixássemos de ser dignos deste dom.

Fora do Terreiro a autonomia do Pai de Santo não tem acesso, mas dentro do Terreiro ele pode e deve exigir RESPEITO entre os Filhos de Santo. Não deve assumir, ouvir e muito menos alimentar estas ervas daninhas. Nenhum Guia ou Orixá quer ter para si um cavalo (médium de incorporação) corrupto, mentiroso e fofoqueiro. Na dúvida, pergunte ao seu Orixá se tudo bem para ele este tipo de atitude!

PREGUIÇA: FALTA DE QUALIDADE

Muitos Filhos de Santo deixam compromissos com o Terreiro a desejar, seja por preguiça, falta de tempo ou outro motivo qualquer:
  • Ficam preocupados com o horário de início e término da Gira (reclamam de ficar 4 horas em ritual sagrado em prol do seu próprio desenvolvimento e da caridade, mas não reclamam de ficar 4 horas em uma balada ou 4 horas no computador);
  • Deixam de fazer banhos e firmamentos;
  • Deixam de fazer as entregas e obrigações de seus Guias;
  • Não aplicam as diretrizes e fundamentos que os dirigentes da Casa delegam;
  • Fazem as coisas reclamando (na frente ou nas costas do dirigente);
  • Fazem as coisas de cara feia;
  • Falam de um jeito, mas fazem de outro;
  • Acham que a mediunidade se limita apenas a incorporar;
  • Faltam e/ou não cumprem as regras da Casa.
Estas e outras ações sintetizam a falta de QUALIDADE dentro da religião. Nenhum Guia espiritual quer colocar seu nome, seu Ponto Riscado e seus mistérios em uma matéria rala, superficial, preguiçosa ou descomprometida. Na Umbanda mexemos diretamente com a VIDA das pessoas e isso não é brincadeira. Tal como a área da saúde, não há espaço para um trabalho mau feito quando o assunto é a vida do próximo.

Fonte: Baiano Juvenal