9 de nov de 2016

Desabafo de um médium

Escrevo este texto com o intuito de expressar as dificuldades que um médium iniciante passa no decorrer de seu caminho espiritual dentro da nossa Umbanda tão querida.

Cresci na religião, desde pequeno. Sabe quando as criancinhas ficam dentro da corrente, num cantinho? Pois é, era eu!

A fase de início de um médium talvez seja a fase
mais difícil no seu caminho dentro da espiritualidade. Tudo é novidade, o médium tende a ficar ansioso, com medo e receio.

Passa um turbilhão de coisas na cabeça de um médium iniciante e ele ainda precisa manter a concentração, saber a hora certa de se entregar e manter o laço espiritual criado firme e forte.

Nossa! Quanta coisa, né!? Se todos soubessem como é difícil passar por esse momento, não fariam cara feia para o médium depois que ocorre a desincorporação, não olhariam torto para ele.

É um momento de descoberta, novidades, onde, aos poucos, ele vai se doando cada vez mais, deixando o guia tomar conta da matéria e mostrar sua personalidade, jeito de agir, caminhar, tom de voz, etc.

Um médium iniciante tem de lidar com tantas coisas em sua cabeça ao mesmo tempo, que, às vezes, é preciso ter uma maneira mais delicada, sutil ao dar um conselho, até mesmo repreender alguma atitude do médium ou da própria entidade.

 preciso ter paciência com médiuns novos, não importa se você tem que ter uma conversa, duas ou quantas vezes forem necessárias.

Se o erro não acontece por “maldade” do médium, é preciso ter paciência por parte dos irmãos e dirigentes da Casa.

Muitas são as razões que fazem um médium iniciante deixar o seu caminho espiritual de lado: medo de estar se passando pela entidade, confusão em função da incorporação ser praticamente consciente, represálias, pressões e até mesmo inveja.

Sim. Inveja! E de onde ela vem? Dos próprios elos dessa corrente mediúnica. Ao passo que um médium vai se “firmando” com determinada entidade, essa vai agindo de acordo com seu modo específico de “trabalhar”.

Algumas entidades são mais quietas, reservadas, outras são mais agitadas, se movimentam mais, estalam dedos, puxam Pontos e etc.

Infelizmente alguns médiuns não entendem que o modo particular de trabalho de seu Guia é o que o torna tão especial e bonito, e acabam por desejar, inconscientemente, que seu guia fosse como o do seu irmão.

Já pensou passar por tudo isso sem estremecer? É praticamente impossível. Por último, vou encerrar dizendo que a Umbanda é muito mais do que se pode ver e sentir.


Por: Gabriel Huff Marques