14 de nov de 2016

Cura xamânica e técnica para resgate da alma

Cura xamânica. As tradições nativas, especialmente da Ásia e América do Norte, enxergavam a doença como perda ou rapto da alma, mesmo que o doente apresentasse um problema no corpo físico. Os xamãs compreendiam que tal problema era, na realidade, na alma, e que o corpo estava apenas refletindo a dor do espírito.

Por este motivo, para reabilitar a saúde do
enfermo, para a cura, o xamã viajava junto de seus espíritos auxiliares, em busca da alma do doente.

Perder a alma não significa morrer, mas adoecer. Quando estamos tristes nos autodenominamos desanimados, isto é, sem anima, sem alma. Os nativos acreditam que a alma pode fugir ocasionada por um motivo, fato que ocorre quando passamos por grande perda, período de dificuldade profunda ou trauma.

É como se para não sucumbir à morte pela dor infringida e abandonar o corpo, a alma apenas se afastasse.

Quantas vezes já não passamos por momentos de dificuldade em que falamos: “Eu quero sumir!” Não é mesmo?

A alma, quando diante de um grande sofrimento, também quer sumir e de fato some, se esconde em algum lugar longínquo da realidade imaterial, mantendo-se conectada ainda a seu dono por cordões sutilíssimos.

No livro Resgate da Alma, a xamã Sandra Ingerman (2008, p. 43) explica a relação entre doença e perda da alma:

Quando ocorre um divórcio ou uma morte, normalmente advém um período de pesar. Depois de algum tempo, a vida reassume alguma aparência de normalidade. Como o Universo tem horror a vácuo, se faltarem pedaços de nós mesmos, uma doença pode ocupar esse espaço. O coma é um exemplo extremos de perda da alma.

Não é possível ter saúde se estamos sem alma, pela conexão que existe entre nós e ela. Quando ocorrida a separação entre as duas partes, sentimos que há um vazio.

Nosso sexto sentido nos avisa que há um buraco a ser preenchido e desta forma seguimos buscando uma cura, formas de preenche-lo: com um relacionamento, com a intenção de ter um filho, com objetos materiais, com entretenimento, etc. Mas o que ocorre é que tais subterfúgios não são capazes de preencher o vazio deixado pela alma que partiu.

Sozinhos não podemos ir em busca dessa parte perdida.

Precisamos de um intermediário especializado em viajar aos lugares mais recônditos, onde se escondem as almas feridas, alguém que além de saber o caminho tenha autorização para entrar nos vales e túneis do astral e que saiba se defender.

O xamã não vai sozinho: leva consigo toda a sua equipe espiritual, que dá a ele respaldo na busca da cura.

E você? Sente que perdeu partes da alma? Mais do que buscar um xamã para fazer o resgate da alma, pense nisso:

O que preenche meus espaços vazios?

Um bom livro, um cinema no meio da tarde, um CD com músicas que goste, prática de esportes.

Mais do que buscar no outro o preenchimento desses espaços vazios (relacionamentos, amizades, filhos), cabe refletir sobre o que você pode fazer a respeito desse sentimento de “algo está faltando”.

Sem dúvida, o auxílio de um xamã é o ideal, mas xamãs atualmente estão difíceis de encontrar, e este é um trabalho que deve ser feito por um bom profissional.


Por: Veridiana Mataji - Matéria veiculada no JUS - Edição de outubro/2016