7 de nov de 2016

As giras e o resguardo sexual


É muito comum entre as doutrinas umbandistas o pedido de resguardo espiritual antes dos cultos. Este resguardo, primeiramente implica em manter o médium com energias equilibradas, onde ele poderá receber de forma adequada os fluídos dos guias espirituais e também se prevenir contra quaisquer energias negativas.

O mais comum é o pedido de não ingerir carne vermelha por conta da concentração de sangue que contém a carne, pois, o sangue concentra o que chamamos de ectoplasma e após ser exposto
como num corte ou na própria carne animal atrai espíritos opositores, obsessores e outros que procuram por este fluído a fim de fortalecimento, este também é o motivo da prevenção no trabalho da médium em períodos menstruais, pois, com o sangue exposto emana ectoplasma do qual atrai espíritos obsessores, por isso há uma prevenção a respeito de mulheres neste período perante os procedimentos de cada templo umbandista.

Outra prevenção que se adequada ao resguardo espiritual é o não ingerimento de bebidas alcoólicas, simplesmente para que o médium não esteja vulnerável, não apenas espiritualmente como fisicamente, afinal, uma corrente é lugar de trabalho e ninguém trabalha alcoolizado. Nos dias de giras (devemos tentar fazer isto todos os dias) pede-se para que o médium se mantenha com bons pensamentos se afastando o máximo de intrigas ou coisas que lhe atormente ou lhe faça atormentar, isto justamente para que ele possa manter o seu interior em paz e em equilíbrio, afinal, nosso orixá se concentra dentro de nós, é a nossa força principal da cabeça, nosso ponto de partida, por isso, devemos tentar ao máximo corresponder a esta força. 

Um dos resguardos mais polêmicos é justamente aquele que se vai contra quaisquer tipos de relacionamentos sexuais com parceiros. Este tema se tornou polêmico, porque infelizmente muitos umbandistas ainda pensam com a mentalidade sustentada na cultura católica apostólica romana, onde o sexo ou demais atos são pecados (conceito que a Umbanda não prega). Muitos umbandistas, mesmo indo contra os conceitos católicos, ainda se esquivam pensando como o católico, se pensassem como umbandistas não enxergariam desta forma e encontrariam a razão do aconselhamento ao evitar relações sexuais antes dos cultos ou em períodos de preceitos. O ato sexual é a maior troca de fluídos que pode ocorrer entre duas pessoas ou mais, por isso, é muito comum um guia espiritual dizer para ''não sujar o corpo'' antes de uma gira, a questão não é a impureza no sentido mental social que a população criou em cima do sexo, mas sim, no sentido espiritual fluídico. Quando absorvemos energias que não são nossas dizemos numa linguagem espiritual que ficamos impuros, ou seja, não estamos em estado de energias próprias, o que atrapalha bastante a nossa função para servir de veículo aos guias ou orixás. Para que um guia espiritual possa trabalhar de forma adequada e limpar as impurezas (energias mistas ou negativas) do próximo, é preciso que a morada da qual estiver utilizando esteja limpa, desta forma o guia mantém com mais facilidade a morada que utiliza e as demais moradas limpas, sem correr o risco de deixar seu veículo num estado impuro ou mais impuro ainda, e também deixar os demais não tão limpos como a necessidade pede. Por absorver uma grande troca de fluídos perante uma relação sexual, seja no ato de amor ou apenas prazer, também haverá uma troca de fluídos não tão boa assim para um dos lados ou ambos, pois, ao relacionar-se com alguém, poderá absorver toda uma energia negativa desta pessoa, e sendo um médium em dia de gira, esta energia negativa poderá dar mais trabalho para seus próprios guias espirituais limpá-lo do que limparem os consulentes, e isto causará uma certa conturbação ao próprio médium durante e depois da gira.

O resguardo espiritual, embora, deve ser seguido rispidamente pelo médium, não é uma determinação obrigada pelo dirigente e sim recomendada, justamente porque a Umbanda trabalha na base da conscientização e não da obrigação, pois, a filosofia umbandista visa que uma pessoa obrigada não age por ela e sim por medo, por isso, a filosofia umbandista opina por trabalhar a pessoa em sua própria conscientização, para que ela compreenda as razões de cada passo que dá na jornada umbandista, por isso, para alguém pisar numa corrente de Umbanda, este alguém deve ser capacitado antes, e então passará através desta capacitação a trabalhar como um devido filho de pemba.


Por: Pai Carlos Pavão