31 de out de 2016

Ser um verdadeiro sacerdote - Dirigente de Umbanda

UM SACERDOTE possui inúmeras atribuições dentro do terreiro, que incluem desde o assentamento das forças e poderes para proteção daquele solo sagrado até preocupar-se se toda a consulência está bem instalada para a gira; ou seja, todos os pequenos e grandes detalhes de um templo.

Ele deve multiplicar-se em muitos olhos, ouvidos e cabeças para resolver problemas administrativos, contábeis, jurídicos, financeiros,
operacionais, logísticos, sociais, mediúnicos e espirituais.

E muitas dessas responsabilidades podem e devem ser delegadas para especialistas contratados e médiuns da Casa capacitados para ajudar.

No quesito espiritual, o sacerdote detém um conhecimento sobre procedimentos a serem realizados na Casa, nos filhos da Casa ou nos consulentes que os ajudarão em sua jornada espiritual na busca de uma cura, equilíbrio, um viver mais pleno.

Tudo que foi dito acima é de suma importância para a função de sacerdote, para o bom andamento de um terreiro. No entanto, há um ponto crucial e fundamental que separa quem “está” sacerdote de quem “é” sacerdote: o AMOR.

O sacerdote deve amar infinitamente Olorum, os Orixás e os Guias - isso é indiscutível. Mas esse amor deve ir além... o sacerdote deve amar o ser humano! Deve ser alguém encantado e apaixonado pela beleza e complexidade dessa criatura de Deus.

Tem que entender as fraquezas, vícios, limitações e negatividades da raça humana e, ainda assim, amá-la. Tem que acreditar que toda pessoa tem “conserto”, que todos merecem uma segunda, terceira, milésima chance; e que a reforma íntima existe e acontece todos os dias.

Porque amar a Deus é fácil e simples, pois Olorum não erra, não fraqueja, não trai... Amar aos semelhantes, principalmente aqueles com quem se convive mais de perto, é a verdadeira prova de fogo!

Um sacerdote é chamado muitas vezes a entrar na intimidade do problema e da dor alheia, nos desequilíbrios e viciações, nos sofrimentos e angústias, nas sombras de cada um.

E diante de tudo isso, deve ser o portador da ajuda espiritual, do conselho sábio, do ensinamento que conduz a um caminho de solução, bem estar e harmonia.

No entanto, nunca pode julgar, não pode projetar suas vivências e experiências na vida alheia e julgar, pois o sacerdote, mais que qualquer pessoa, deve ter a ciência plena de que só Pai Xangô pode emitir um parecer limpo e verdadeiro sobre alguém ou uma situação. Ao dirigente, resta apenas amar e ajudar sem julgar.

A relação médium / sacerdote extrapola o mero ensinar receitas de banhos, defumações e oferendas frente aos problemas específicos e individuais. A convivência quase diária transforma o sacerdote em pai/mãe e o médium em um filho que busca orientação, proteção, colo, amparo, direcionamento, exemplo e ajuda para uma vida melhor.

E nessa relação paternal/maternal/ fraternal, o sacerdote aprende a amar de uma forma única e especial cada um de seus filhos por todas as suas qualidades e apesar de seus defeitos. Porque quem realmente ama Pai Olorum, irá amar a centelha divina que anima cada médium de sua corrente e cada ser humano deste planeta.

Pois um sacerdote que fale a língua dos homens e dos Orixás e não tenha AMOR pelo ser humano é como o metal que soa ou como o sino que tine. E mesmo que ele tenha todos os dons da mediunidade, e conheça todos os mistérios dos Guias e Orixás e que tenha tamanha Fé que transporte montanhas, sem AMOR ele nada será! (adaptação de 1 Corintios 13:1-2).

Este texto é dedicado à nossa irmã Hélia Dias, uma grande médium, guerreira, companheira de jornada, umbandista orgulhosa de sua religião... um ser humano maravilhoso que amo muito e que foi chamada para trabalhar em Aruanda em 3 dejunho de 2014.


Por: Fabiana Carvalho - Jornal de Umbanda Sagrada