27 de out de 2016

Quais os motivos que fazem os médiuns negligenciarem seus compromissos na matéria?

PERGUNTA: Podeis indicar os principais motivos ou fatos que, em geral, fazem os médiuns negligenciarem seus compromissos de última hora, impossibilitando os seus mentores de ultimarem na matéria o seu programa sideral manifesto depois de um andamento tão dificultoso?

RAMATÍS: Os médiuns, em sua maioria, e antes de se encarnarem na Terra, prometeram cumprir à risca determinados programas com objetivos espirituais, que lhes expuseram no Além, com o fito de influírem algumas criaturas para a sua renovação crística. Entretanto, à última hora, grande parte negligencia ou foge do
seu compromisso espiritual, enquanto outra vive de modo tão equívoco, que se toma impermeável à receptividade dos seus elevados mentores. Em geral, eles se deixam influir pelos espíritos maquiavélicos das sombras, que tudo fazem para interceptar as mensagens nobres do Alto e operam contra os objetivos sadios da vida crística.

Às vezes, após incessante assistência cotidiana e benfeitora do guia junto ao seu médium, incentivando-o para que participe de certo trabalho mediúnico com o fito de abalar as convicções errôneas de algumas criaturas, eis que ele desiste de sua tarefa mediúnica da noite, preferindo realizar a visita trivial, demorar-se no repasto glutônico, prender-se à prosa fútil ou entregar-se à aventura pecaminosa. Como o êxito do intercâmbio mediúnico superior depende muitíssimo do estado vibratório do espírito do médium, isso só é conseguido quando ele se devota a uma vida sadia de corpo e de alma, a fim de manter-se pronto, a qualquer momento, para a convocação do serviço espiritual. Mas, às vezes, o médium apresenta-se para cumprir o seu dever mediúnico só depois que abandona as mesas opíparas, com o estômago e os intestinos forrados pelos miasmas da carne regada a álcool, mal podendo dissimular as erutações da fermentação hostil produzida pela digestação descontrolada.

Quando não é assim, ele gasta os derradeiros minutos que o separam do serviço mediúnico no humorismo vil das palestras fesceninas e do anedotário indecente, cujos assuntos alicerçam-se despudoradamente sobre a figura da mulher. Então apresenta-se para cumprir a tarefa junto à"mesa espírita", com os fluidos corrompidos, malgrado o esforço profilático dos seus guias para o sanearem das impurezas comuns. Afora de tudo isso, ainda existem os médiuns que buscam a concentração mediúnica depois de violenta discussão conjugal ou da altercação insultuosa com o vizinho teimoso. Enfraquece-se ainda a prática da mediunidade naqueles que destrambelham os seus nervos com emoções tolas junto ao carteado clandestino, pela avidez de ganho na aposta imprudente ou então pela paixão fanática com que comenta colericamente os lances duvidosos do seu clube de futebol em competição infeliz.

Assim, louváveis empreendimentos programados no Espaço, com o fito de esclarecer a humanidade terrena, ficam na dependência exclusiva dos médiuns invigilantes e indiferentes, que deixam de aproveitar integralmente o "acréscimo" da mediunidade concedida generosamente para a sua própria redenção espiritual. 


Por: Ramatís/Hercílio Maes - do livro: Mediunismo - Editora do Conhecimento