5 de set de 2016

Desmistificando o animismo

Tema que muito aflige médiuns em desenvolvimento é o animismo. Em mais um texto muito feliz de seu livro Psicologia e Mediunidade,Adenáuer Novaes discorre sobre o assunto com conselhos valiosos aos iniciantes no desenvolvimento mediúnico. Entenda o que é e como lidar com o animismo.

Diferenças entre anímico e mediúnico no psiquismo

O que se chama de animismo é a produção, pelo médium, de fenômenos de efeitos físicos ou de efeitos intelectuais sem a intervenção de espíritos desencarnados. Conseqüentemente, só é mediúnico o fenômeno que tenha a participação de um ou mais desencarnados. Há porém fenômenos que podem ser enquadrados como anímicos muito embora possam ter a interferência de espíritos desencarnados, como por exemplo, a visão de paisagens espirituais e a clarividência. Nessa mesma categoria podemos inserir as premonições oriundas de sonhos nos quais desencarnados passam informações sobre o futuro para o sonhador.

Há também fenômenos que sugerem a intervenção de espíritos, mas que parecem ter causas desconhecidas, a exemplo dos classificados por C. G. Jung (1856-1961) como Sincronicidade. Cito como exemplos, o fato de um relógio parar no exato momento em que ocorre a morte de seu dono ou no aparecimento de um inseto raro num ambiente muito distante de seu habitat natural quando seu nome científico é citado.

Há fenômenos que ocorrem com o ser humano, do ponto de vista psíquico, que não podem simplesmente receber a denominação de anímico ou mediúnico. Pode-se dizer que essas duas classificações são polaridades de um espectro muito grande, o qual contém fenômenos de natureza ainda desconhecida e que o cérebro humano não é capaz de registrar.

O fenômeno anímico está sempre presente no mediúnico, pois que todos os fenômenos que se passam na via do psiquismo humano, contêm elementos e símbolos presentes na psiquê de quem deles participa.

A consciência dos processos anímicos como algo natural na mediunidade pode colaborar para a individuação* do médium, pois, simultaneamente à sua contribuição como intermediário, perceberá aquilo que lhe é próprio, adquirido em sua evolução espiritual. Ela passa a se conscientizar de suas qualidades e, talvez, de seu nível de evolução espiritual.

É preciso que retiremos do exercício mediúnico o medo ou receio do animismo, pois este estará sempre presente. A palavra animismo tornou-se um símbolo que transfere uma certa insegurança e até medo aos médiuns inexperientes. Não se deve temer o que é natural. Deve o candidato a médium ou mesmo o experiente, conscientizar-se de si mesmo e despreocupar-se de sua interferência pessoal. Deve, porém ter senso crítico sobre o que produz através da mediunidade, além de submeter sua produção ao crivo de terceiros.

Os conteúdos repetitivos de alguns médiuns, trazendo mensagens mediúnicas que se assemelham, nem sempre se tratam de animismo, pois, muitas vezes, procedem do mesmo espírito, o qual não consegue, com aquele intermediário, mudar seu próprio padrão de pensamento e sentimento.

É importante distinguir a fraude do animismo. Na fraude há uma falha de caráter do médium ou do espírito comunicante. O objetivo da fraude é enganar. O fenômeno anímico é inconsciente, isto é, não depende da vontade do médium. É produzido à sua revelia. Ele pode reduzir sua influência, mas nunca evitar totalmente. Ele consegue reduzir a influência do animismo em suas comunicações na medida que identifica seus padrões psíquicos, evitando que eles se apresentem.

Os sinais identificadores do animismo só são observáveis no exercício freqüente da mediunidade e após um conhecimento específico da personalidade do médium. À primeira vista não há quem distinga o anímico do mediúnico, pois uma única comunicação

não é suficiente para detectar se isso faz parte do “modus operandi” daquele médium.

São alguns sinais característicos das comunicações nas quais prevalece o animismo:
  1. Padrão repetitivo do conteúdo das comunicações intelectuais;
  2. Construção repetitiva das idéias transmitidas nas comunicações intelectuais;
  3. Semelhança típica entre a personalidade do médium e o conteúdo de suas comunicações, quando se trata de histórias com personagens;
  4. O conteúdo das mensagens apresenta repetitivamente soluções diretas para os conflitos íntimos do médium;
  5. Citação constante do nome do médium nas mensagens por ele transmitidas;
  6. Perspectiva não espiritual na forma de apresentar as mensagens;
  7. Trejeitos e tiques que não pertencem aos espíritos desencarnados;
  8. Exigências exclusivas e esquisitas para que o fenômeno mediúnico ocorra;

Muitas vezes, a simples presença de um espírito desencarnado, pressentida pelo médium, provoca-lhe a vontade de emitir uma comunicação, mesmo que ele não tenha essa intenção, nem nada tenha a dizer. A sintonia psíquica também pode se dar à distância, desde que ambos estejam na mesma freqüência vibratória.

O animismo antes de ser um problema é uma condição natural existente em todas as comunicações, as quais invariavelmente se servem dos conteúdos da consciência e do inconsciente dos médiuns.

Para se lhe reduzir os efeitos, que porventura sejam prejudiciais nas comunicações, é importante que os médiuns busquem uma maior sintonia com os espíritos com quem trabalham ou desejem se comunicar, além de desenvolver um maior senso crítico em relação ao conteúdo de suas comunicações.
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* Processo de crescimento pessoal descrito por Jung, que inclui a maturação do ego, a integração da sombra, a dissolução dos complexos, o reconhecimento das personas, o encontro com a ânima/ânimus e a realização do Self.


Fonte: Pai Joaquim