20 de set de 2016

A mediunidade na Umbanda - parte II


Vamos entrar efetivamente no assunto Mediunidade. O que é Mediunidade ? 

– É a capacidade natural que nos permite sentir e interagir com o plano espiritual. 

Quem fez nosso curso: Animismo e Mediunidade, deve lembrar que abordamos o assunto sob outro prisma:

- na de que apenas fenômenos que possa efetivamente estabelecer uma comunicação entre um espírito e o plano físico, que tenha a obrigatoriedade de uma intervenção de algum
espírito para que possa estabelecer a comunicação, pode ser considerada mediunidade. E que as capacidades naturais advinda do próprio espírito do médium, como a clarividência, desdobramento, sonhos premonitórios, etc. são fenômenos anímicos – da própria alma do médium e que não requer de nenhum tipo de intervenção de algum espírito. 

Porém, iremos neste material, para facilitar o entendimento geral, adotar a interpretação dada por Allan Kardec, onde todas as capacidades e fenômenos extra físicos e extras sensoriais são considerados mediúnicos. 

Mediunidade na Umbanda é inegável que a capacidade mediúnica privilegiada na Umbanda é a incorporação (psicofonia = *o espírito fala através do médium), pois por ser uma Religião conduzida pelo plano espiritual de forma efetiva e direta, em conjunto com os dirigentes encarnados dos terreiros, é preciso que os guias tenham acesso direto para se manifestar e falar através de seus “aparelhos”. Podemos dizer que cada casa é um núcleo, uma célula de um grande organismo que é a Umbanda, dirigida ostensivamente por seus mentores astrais e dirigentes carnais. E para que essa parceria “administrativa” ocorra, o dirigente é sempre um médium de incorporação, para que possa ser o elo de ligação dos dirigentes espirituais para os filhos de terreiro encarnados. Daí a grande importância da mediunidade de incorporação. São os guias que trazem os ensinamentos para organização e estruturação de cada casa, e como a casa deverá ser conduzida. São os guias que trazem os ensinamentos para o nosso aprimoramento humano e espiritual, assim como nossos irmãos mais velhos, nossos pais e mães de terreiros, que também tiveram como mestres, nossos guias espirituais. 

A relação entre adeptos e guias é intensa e constante. É com eles que aprendemos a crescer dentro de nossa religião, que aprendemos a crescer como pessoas e como família. São os guias que trazem os fundamentos que cada casa irá seguir, e repassar aos seus filhos. A incorporação difere dos centros Espíritas, a incorporação na Umbanda envolve mais o domínio por parte da entidade nos centros nervosos e motor do médium *(e principalmente nos chakras). 

Há também a atuação mental, mas as sensações corporais que se sentem são mais acentuadas, como apontamos mais acima. A entidade assume parcial controle do corpo do médium, atua nos centros da fala, e estabelece a conexão mental. Este domínio é relativo de médium pra médium e até de entidade para entidades, podendo ser variante. Cada entidade pode atuar mais acentuadamente em determinado chacra ou parte do corpo. 

Assim como nas incorporações em centros espíritas, o médium na Umbanda, também pode repassar o que vem a sua mente, pois as mensagens vindas da entidade passam primeiro pelo seu campo mental, e este, muitas vezes “ouve” internamente o que a entidade dirá, antes de ser pronunciadas as palavras. Porém, vale lembrar que, quando se estabelece perfeita sintonia entre médium e entidade, esse processo é tão automático, que parece que é a própria entidade que assume a fala, e o médium é mero ouvinte. Parecendo que não se passou pelo mental do médium. 

Irradiação X Incorporação É extremamente necessário colocarmos que as entidades começam primeiro com o processo chamado de irradiação. Ela emana, irradia energia e trabalha nos centros energéticos e aura no médium. Nesse trabalho, muitas vezes acha-se que a entidade quer vir e incorporar. Mas não é bem assim. Para isso, ela primeiro precisa trabalhar os corpos sutis do médium e ir aos poucos estabelecendo favorável conexão. Na irradiação, o médium não perde o controle dos movimentos do corpo. Pode ter certa dificuldade de movimentar algum membro, caso ele tenda a contrair o corpo pela sensibilidade das vibrações que sente.

Interferência psíquica Este é um problema, que é também pejorativamente chamado de *animismo, é fato constante em iniciantes, e até mesmo, médiuns mais experientes que não passaram por boa educação mediúnica. Como as incorporações , principalmente no inicio, passa pelo mental do médium de forma mais lenta e perceptível, o médium fica em dúvida se o pensamento é dele, ou da entidade. E isso pode gerar conflitos, porque há duas consciências ali interagindo; médium e entidade. Além disso, o médium novato questiona todo o tempo sobre o que ocorre a sua volta, o que dificulta um relaxamento necessário para a entidade assumir o controle para uma plena incorporação. 

Como vocês podem ver até aqui, incorporar e ser um veículo realmente eficaz e fiel ao que a entidade quer transmitir não é tarefa fácil. Principalmente nos iniciantes, que estão cercados de dúvidas, medos, questionamentos, insegurança e a ansiedade, que é um dos piores inimigos do neófito. A pressa de querer saber quem são seus guias, de querer trabalhar incorporando, dar consultas, atender pessoas, ter as coisas de seus guias, é o pior dos engodos que podemos passar. Pois essa pressa, pode se misturar a períodos de irradiação promovida da entidade e daí para uma pseudo-incorporação é um salto muito grande. 

Não tenha pressa jamais. Não apresse o falar das entidades. Muitas vezes as incorporações começam de forma lenta, e a entidade vai dominando aos poucos o médium, mas não consegue ter um domínio tal, que lhe permita falar através do médium. E nossa ansiedade, junta a corrente de pensamentos que passam em nossa mente, de suposições e achismos, acaba-se por ser a voz das entidades, muitas vezes. Além disso, nem sempre a entidade tem algo a dizer ao cambono. Muitas vezes, ela somente veio trabalhar as energias do médium e ajudar junto a outros guias, pela atmosfera energética da casa. Mas o silêncio da entidade, pode incomodar os ansiosos e apressados iniciantes. 

Agora, quando estabelecida uma incorporação plena, a entidade tem o dever de falar quando lhe for solicitado. Afinal o objetivo da incorporação é a comunicação oral. Se não for para se comunicar verbalmente não é preciso incorporar, não concorda? Se for apenas para trabalhar as energias do médium e do terreiro ou dos assistidos, *basta a entidade atuar irradiando através do médium, e não precisa incorporar. Mas uma vez que se estabelece a incorporação, é porque a entidade pode falar se for lhe perguntado algo ou solicitado. Não existe entidade que não possa falar, seja sob quais condições teve em vida pretérita. Pois ela irá usar o arquivo mental do médium para se comunicar. Mesmo que ela tenha sido um espírito que encarnado, não teve acesso a língua local, ela irá usar o conhecimento mental do médium para estabelecer uma comunicação. Ela poderá falar de forma peculiar, mas é capaz de falar a língua do médium. Além disso, o próprio médium, pode ser o medianeiro a transmitir o que lhe chegam em pensamento, oriundo do que a entidade quer falar.