18 de ago de 2016

"O fumo"

PERGUNTA: — Visto o uso do fumo ser assim tão pernicioso ao homem, não teria sido porventura mais sensato que Deus não houvesse criado a planta “Nicotiana tabacum “, com cujas folhas se prepara o fumo?

RAMATIS: — Acreditais que Deus haja criado alguma coisa perniciosa? Porventura a medicina terrena não se utiliza atualmente de venenos, ácidos e drogas mortíferas que, no emprego
terapêutico, logram salvar milhares de criaturas? O próprio veneno das aranhas, escorpiões e cobras não tem sido aplicado com êxito para debelar diversos males considerados incuráveis? Na planta a que vos referis existe grande quantidade de elementos que podem ser aplicados com excelente utilidade na indústria, na medicina, no comércio e noutras esferas de trabalho pacífico. Não consta na tradição espiritual de nosso plano que o Criador haja criado o tabaco para o homem mascá-lo, sugá-lo queimado ou torrá-lo para metê-lo dentro das narinas ou, ainda, chupar a fumaça de suas folhas secas e enroladas sob vistosos rótulos coloridos.

Certos índios mastigavam as folhas de fumo ou as chupavam enroladas, porque ainda lhes faltavam o senso estético e o conhecimento médico dos atuais civilizados. No entanto, os homens modernos, substituindo os antigos penduricalhos de ossos, dos silvícolas, por piteiras elegantes, continuam a sugar as mesmas folhas do tabaco! A diferença está em que se iludem pelo fato de arrumá-las em artísticas caixinhas de madeira ou então as queimarem reduzidas a fiapos metidos em papel acetinado ou entre palha de milho.
A planta “Nicotiana tabacum” não é coisa perniciosa criada por Deus; é o homem que a transforma em fumo, e então perde o seu comando mental e se transforma num obsidiado do cigarro, que lhe controla até os nervos motores e o obriga a render-lhe tributo desde a madrugada até a noite!