15 de ago de 2016

Esù, O Guardião de tudo e de todos

Esù é planejamento, intuição e estratégia.

Ele possui uma visão global de ação e dinâmica.

Osaalà, Ifá, Ogum são criadores, Esù fez a civilidade.

Elegbara é senhor do poder, mas este poder não é de autoridade e sim poder de executar, mudar, transformar, realinhar e solucionar.

Esù também é a morte, mas a morte cíclica.

Esù devolve a vida, ele recicla dentro da sua versatilidade.

Ele promove o equilíbrio entre a vida e o homem.


O jogo (ifá) é adivinhação e ele é estática, define uma situação.

Esù fala no jogo, pois ele á ação, portanto a solução para o fato adivinhado.

Esù é completamente ligado às oferendas; ele as leva a quem de direito.

Deve-se louvar e pedir a Ele ao se ofertar. Não há por que o sacerdote ter que arcar com o carrego se Esù fará isso.

Reserve para ele sempre uma parte do “dinheiro” cobrado do ebó, alias toda uma parte de qualquer coisa ou alimento deverá ser de dirigida a Esù.

A boca dos homens é a boca dos Deuses.

Esù é o guardião de tudo e todos, ele é o protetor. È errado dizer que ele não possui morada; o perigo não esta dentro de casa e sim na entrada, portanto é lá que ele mora para melhor nos proteger.

Esù Odara – o Bondoso.

Osun rege o amor na energia atrativa, Esù é a continuidade desse sentimento.

Esù esta também intimamente ligado a terra (Onilé) , pois Yangi é a laterita na profundeza da terra. 

Também é ligado as Iyami, nossas primeiras mães, e ao culto a Egungun, pois ele é o guardião de toda entrada.

Todos os dias são dia de Esù, ele é o homem do tempo.

Ele é o homem da reprodução, como a reprodução não é um ato somente sexual simbolicamente suas reproduções poderão ter seios, embora não exista Esù feminino.

Ele é a divindade das virtudes, o portador do Àse.

Ele é Laroye, aquele que propaga o que aconteceu.

Ele é Aworo, o grande sacerdote.

Qualquer pessoa pode ser iniciada em Esù, embora seja uma missão muito séria e sublime ser Elegun de Esù!

Seus escolhidos são seres especiais.

Sua maior virtude deverá ser a lealdade. Pode-se ser desleal até com o “sacerdote”, jamais com Orisà.

Ejé Bale
Ki ara ro
Èsu sara soro

Que o ejé caia
Para que o corpo e o espírito se harmonizem

E lembrando o principio da dissertação sobre a oralidade metafórica da nossa cultura eu digo:

Inu mi dun, ou seja: Inu=Boca – Mi=minha – Dun= doce.
Tradução literal – Minha boca esta doce - Metáfora de bem estar, satisfação, contentamento.
Significado = Eu estou feliz!

Esù Korede (trouxe toda sorte), Èsu Kayode (trouxe toda alegria), Esù Tumbi (me fez renascer), Èsu Gbami (que me acolhe e me socorre), Esù Yomi (que me livrou da morte e da desgraça).

Esù Femi - Èsu que me ama.
IRAWO AKODA
A primeira estrela que brilha.

OLULANO
Aquele que abre caminhos e direções.

ELEGBARA
O homem do poder e da força.

Esù é o limite de tudo; disciplina, ordem e organização.

Esù é paciente; através da paciência ele promove esta disciplina , ordem e organização.

Ele é conselheiro e não opinador, pois Ele é sábio e experiente.

Por ele reger a vida, a penetração de Esù no homem é de 100%, ao contrário dos outros Orisà que regem suas aspirações espirituais.

Esù é o único que não “leva vantagem”, Ele trabalha em prol dos outros.

Existe uma lenda sobre Ele que bem exemplifica este lado altruístico:

“Olodumaré teve um filho completamente anormal, possuía todas as deficiências, surdo, mudo, corcunda, manco enfim todo deformado”.

Olodumaré tentou de tudo para curá-lo sem conseguir. Mandou-o então ao Aiye.

Orunmilà que vivia aqui no Aiye, embora fosse um bem sucedido solucionador de problemas era muito pobre e, recorreu a um Babalawo que o mandou fazer um ebó de 5 dias, com 5 galinhas, vísceras, dendê e sal num alguidar e depositar na encruzilhada ( caminhos de Esù ). E recitar “Que a sorte venha a mim”.

Ocorre que o filho de Olodumaré ao chegar a terra ficou estático em uma encruzilhada, exatamente na qual Orunmilà depositou seu ebó. Faminto ele comeu o 1º ebó. Para sua surpresa começou a ouvir e a falar. Durante os 5 dias comeu os ebós e ficou completamente curado de todas as anormalidades e então retornou ao ORUN.

Lá chegando e perfeito, Olodumaré muito se admirou e perguntou ao filho quem era o responsável pela sua cura. O filho respondeu que comeu durante 5 dias as oferendas colocadas numa encruzilhada de um Sr. Orunmilà.

Olodumaré então deu ao filho: dinheiro, fertilidade, longevidade e paciência como presentes para que ele levasse a Orunmilà como agradecimento, porem ele só poderia escolher uma das dádivas.

Èsú sempre foi o melhor companheiro de Orunmilà foi chamado para aconselhá-lo na escolha, uma vez que seus parentes cada um queria uma das dádivas: as suas mulheres queriam a fertilidade; os irmãos, o dinheiro, os filhos a longevidade e ninguém quiseram a paciência.

Èsú muito pensou e aconselhou ao amigo que escolhesse a paciência, pois para que ele queria fertilidade se ele não conseguia criar nem os filhos que já tinha; dinheiro se os irmãos os quisessem que fossem trabalhar; viver muitos anos naquela penúria era sofrimento demais, portanto o mais coerente era ele ter paciência para enfrentar a adversidade.

Orunmilà seguiu seu conselho e escolheu a paciência contrariando todos da família e o filho de Olodumaré retornou a sua casa. No caminho a fertilidade perguntou da paciência ele disse que ela tinha ficado e imediatamente ela voltou, pois sem a paciência ela não teria função uma vez que a gestação demandava de tempo. O dinheiro também voltou, pois sem a paciência ninguém poderia ganha-lo e por final a longevidade também se foi por que sem paciência não era possível uma vida longa.

O filho de Olodumaré chegou à casa muito infeliz e preocupado, pois não conseguiu trazer de volta as dádivas que foram confiadas a ele.

Então Olodumaré o acalmou e lhe garantiu que ele assim fizera seu plano, porém queria testar os valores de Orunmilà.

Esù aconselhou bem seu amigo sem nada ter em troca, sem nenhum interesse, no entanto pode compartilhar com ele de todas as dádivas recebidas.

Este estudo não tem caráter de ensino ritualístico do Orisà e sim um estudo filosófico sobre o mesmo, dentro de uma óptica africana.

Nada é mais importante do que Esù, saber entendê-lo é ter os problemas resolvidos.

Esù não é polêmico, ele é difícil, portanto há de se ter um raciocínio lógico para compreender seu principio ético, moral e filosófico.

Seriedade não tem sido o forte das pessoas de nossa religião.

Ser iniciado é ser nobre, pois o adosu é nossa coroa.

Se somos nobres nossas atitudes devem seguir a mesma nobreza.

Ser sacerdote é ter caráter e dignidade; ser um bom filho (a), bom pai/mãe, bom marido/esposa, bom vizinho (a), bom amigo (a), ou seja, ter uma postura coerente para um orientador (a) espiritual.

Assim é Esù – O Benevolente.

Esù não trás uma filosofia de morte e sim do aqui e agora.

Há de se entender que nossa cultura chegou aqui numa condição sub-humana, com conflitos de crenças, dificuldades de linguagem, torturas físicas e psicológicas, e diante dessa situação muitos conceitos e rituais foram dissimulados e a partir daí deturpados e confundidos.

Hoje somos livres, uma outra geração, temos nossos direitos adquiridos, temos acessos ao conhecimento e a interpretação a nossa cultura original.

Cabe a nós, portanto desmistificar alguns conceitos que marcaram por demais nossa religião e o maior sem duvida é sobre Esù.

Não existe comparação para este Orisà, nem espaço para erros.

Ele é a base, a essência de tudo.

Ele é o guardião de todos os Àse.

Ele é o alicerce de qualquer casa e se não bem alicerçada a casa vai ruir.

Sem ele nada existe. Onde houver vida e movimento lá estará Esù.

Na áfrica, cada nação ou região cultua um determinado Orisà, somente Esù é cultuado em todas as regiões e cultos, daí se concluir que somente ele é o guardião dos Àse.

Os grandes equívocos de interpretação se deram ao se traduzir a literatura escrita Yoruba, pois na verdade não é uma cultura literária e sim oral.

A oralidade é e era nosso meio de comunicação e propagação dos rituais.

Ocorre que nossa oralidade é fundamentada em metáforas daí as discrepâncias de tradução, modificando todo um conteúdo de uma mitologia, itan ou oriki.

No caso de Esù ele é dito como o mensageiro dos Orisà, embora não seja bem esta sua função, como já vimos ele é o Guardião.

Só ele tem acesso direto com o Supremo, portanto ele mais trás as determinações Dele aos Orisà e leva seus pedidos ao Divino.

Tratam-no como escravo dos Orisà, um simples Office-boy.

Acreditam num sincretismo absurdo que para que ele faça algo que querem que ocorra, jogam-lhe azeites quentes, acorrentam-no, entre outras aberrações.

Ai está à ligação antepassada da condição sub-humana dos nossos ancestrais que assim também eram tratados, meramente escravos.

Talvez por Esù ser o que mais se aproxima do material, portanto do humano, esta condição de escravo, ranço do ocidentalismo, faz com que nosso comportamento com a maior energia do universo seja completamente errado.

Se em nossa religião um sacerdote (Pai/Mãe de Santo) se sente maior que o Orisà, imaginem de Esù, que inúmeros consideram “escravo”.

Num completo paradoxo, nenhuma casa ou sacerdote começa nenhuma função antes de render homenagem a Esù.

Que Esù nos guarde, defenda e nos ilumine... Esù o Senhor dos nossos caminhos!

Beijos de mãe...