19 de jul de 2016

Umbanda, o que és?

Milito na Umbanda há 38 anos, e durante esse tempo já recebi diversas definições sobre essa doutrina. Além de ouvir as mais absurdas preleções sobre a “Religião do Diabo”, qualificando nossas atividades como demoníacas, bruxarias e macumbas, ainda tive que presenciar a depreciação dos espíritos que nos auxiliam, chamados de seres sem luz, espíritos inferiores, ou, até mesmo, a manifestação do próprio “Ser do Mal”.

Também muitos me afirmaram que a Umbanda não é cristã, que se trata de um segmento pagão. Então pergunto a esses interlocutores: o que é ser cristão?

Alguns respondem que Cristão é aquele que frequenta a Igreja toda semana, assiste seu culto e comunga com o
Senhor. Então tento compreender, de acordo com tal definição, aonde me enquadro, pois costumo ir ao Templo de nossa fé ao menos cinco vezes por semana, inclusive sábados, domingos e feriados. Nestes dias cultuo ao Senhor dos Mundos, não apenas através de ritos e cantos de louvor, mas principalmente através do exercício da caridade, ao ceder meu corpo e minha mente aos irmãos espirituais que se dispõem a trazer o consolo àqueles que sofrem de infinitos males, o alívio aos seus corações repletos de culpas e sofrimentos, o ombro amigo para deitar o pranto que lhes tira o sentido da vida. Irmãos que nos são gratos por apenas tê-los escutado. E ainda não disse que lá também realizo as tarefas mais simples, como varrer, lavar banheiros, limpar móveis e até mesmo pintar paredes. Não posso me esquecer de mencionar que comungo com ELE através da prece e da água, do amor e da fraternidade, que são o maior lenitivo para nossas almas doentias.

Alguém um dia me perguntou de que trata a Bíblia da Umbanda. Estarrecida respondi que não a conhecia, pois entendo que só exista uma obra destinada a ditar as ordens morais que preceituam a fé no Cristo. Vários autores compilaram os ensinamentos do Messias, traduziram-nos em diversos idiomas, mas a mesma Bíblia dos Católicos ou dos Evangélicos contém os princípios de conduta ensinados pelos profetas, compartilhados por Jesus, transcritos por seus apóstolos e que até hoje, embora a humanidade ainda não os compreenda na íntegra, são os alicerces que nos conduzem de volta ao Reino de Deus Pai e balizam nosso modo de viver a Umbanda.

E aí chegamos a algo mais delicado ainda. O que fazemos com os animais sacrificados? Bebemos seu sangue, entregamos esse fluido vital aos nossos “Guias” (digam-se capetas)? Estupefata, tento esclarecer que sequer sei matar uma galinha para o almoço, e se eu vir seu pescocinho sendo cortado, de onde jorra seu sangue, nem ao menos conseguiria ingerir suas partes depois de cozidas. Como ainda necessito me alimentar de proteína animal nessa encarnação, já adquiro a carne cruelmente sacrificada nos matadouros e as utilizo exclusivamente para a sustentação de meu corpo físico. 

Sacrificante é observar a depredação do planeta que nos serve de moradia, o desrespeito à família, a banalização dos crimes, principalmente os de pedofilia e de corrupção, o anseio desesperado dos irmãos que buscam em nosso Santuário as “imediatas soluções de seus problemas” os quais já se perduram por tempo demasiado sem que a pessoa reflita sobre a possibilidade de mudar seu padrão de comportamento para alcançar a prosperidade, a alegria, a paz, o equilíbrio e a saúde.

E de maneira ainda mais crucial, assistirmos aos irmãos planetários se digladiarem pela posse da verdade sobre o Cristo Jesus, dizendo-se possuidores do único caminho que conduzirá aos céus, se esquecendo do que disse o Nazareno: “Meu reino não é deste mundo” (João, 28:33,36 e 37) e se assim é por que reclamar um direito que é de todos, não de exclusividade deste ou daquele?

Então, tenho que concordar com W.W. da Matta e Silva (1) que definiu UMBANDA como “um movimento de luz , feito pelos espíritos cármicamente afins a essa massa e pelos que dentro de afinidades mais elevadas ainda, se pautam no AMOR, na AJUDA, na RENÚNCIA em prol da EVOLUÇÃO DE SEUS SEMELHANTES” , trazendo as forças e direitos de trabalho aos integrantes da Corrente Astral de Umbanda, ou seja pretos velhos, caboclos e crianças.

Agora ficou claro? Umbanda não precisa de palavras difíceis para defini-la, pois ela se manifesta na simplicidade e na humildade com que seus representantes, encarnados e desencarnados, atuam em nome do Cristo, nosso Pai Orixalá.

Paz, luz, amor e harmonia sempre!


Por: Mãe Andrea
Fonte: TUEDLUZ