1 de jul de 2016

Aos meus pais...

Hoje estou aqui me referindo aos senhores como meus Pais de Umbanda, venho aqui para expressar toda minha gratidão e compartilhar meus sentimentos em relação a esta missão espiritual.

Foram anos e anos de preparo, mas me lembro quando ainda era um simples consulente que ficava contando os minutos, horas e dias pra falar com suas Entidades, não entendia nada de Umbanda e quem diria de suas complexidades, somente entendia o sentido dela, no qual era a prática da caridade com amor, dedicação e seriedade, pois, assim sempre vi de vocês esta prática. Me lembro um dia meu pai, o senhor me dizendo com aquela sua sintonia mediúnica:

- Filho, você vai ser Dirigente Espiritual, este é o caminho que terá que seguir na Umbanda!

Eu lembro até do meu sorriso, não de felicidade, mas um sorriso envergonhado lhe respondendo:

- Mas pai, eu não sinto isso, porque não entendo nada disso, essas coisas que você diz sobre a religião não me entra na cabeça, como seguirei a religião se não consigo compreender nada e nem mesmo tenho este interesse, de segui-la como vocês fazem!

Pois é...

Passaram-se uns dois anos, as Entidades passaram a cuidar de meu lado espiritual (o que seria o desenvolvimento), mesmo sem eu ter a noção exata do que se passava, mal sabia que aos treze anos o que tinha acontecido comigo era uma manifestação involuntária da forma mais brilhante que a espiritualidade se apresenta e que desde a adolescência meu terreno vinha sendo preparado com muitos preceitos, da forma mais espontânea e natural possível. Então sem que eu tivesse o interesse em buscar saber sobre a religião, seus preceitos, suas incógnitas e sua tamanha complexidade foram entrando em minha mente, como se alguém tivesse depositando a cada dia e a cada fundamento presenciado diversos conhecimentos e diversas respostas para inúmeras questões que ao menos eu questionava, e assim continua até hoje. Diante isso, percebi que já estava ajudando muitas pessoas, principalmente no que era esclarecer pontos de vistas sobre a espiritualidade e principalmente a atuação da mesma na Umbanda, involuntariamente quando percebia, já havia ajudado pessoas em problemas designados as situações que a espiritualidade se encarrega a resolver, porém, quando me dei conta disso, calado em meu canto, sem dizer nada a ninguém, perguntei:

-O que está acontecendo comigo?

Foi quando um lindo Caboclo de minha mãe em sua presença nos trabalhos espirituais, me disse:

- Você herdou um dom espiritual, que está te levando a sua missão, não se assuste e muito menos duvide, apenas use esta dádiva que está recebendo e cumpra sua missão, porque aqueles que se aproximam de você, espera algo de você, confiam em ti!

Eu abaixei a cabeça, suspirei e continuei seguindo os fundamentos que vocês meus pais, juntos de suas Entidades me passaram.

Foram dias, meses e anos de preparo, muito sorri, muito sofri, pois, ser médium não é uma designação qualquer, passar pelas aprovações de todos os trabalhos ser confirmados diretamente por vocês e as Entidades não é pra qualquer um. Vi diante essas passagens resultados vindo de meus Guias, ajudando pessoas em causas aparentemente impossíveis, e quando ocorria isso, sorria e agradecia a vocês e as Entidades que me prepararam. Mas quando eu jamais imaginava passei por uma consagração, a de Dirigente Espiritual do Templo que ainda estamos reconstruindo. Onde as Entidades e vocês me disseram que serão avós de todos que entrassem pela porta do Templo, porque eu já estava pronto para assumir a paternidade dos filhos... Me assustei, mas jamais me senti despreparado, porque sei o que passei em meus preceitos, sei o que sofri (com muito gosto) para chegar a esta designação, principalmente porque jamais almejei a mesma, mas sim, fui selecionado para segui-la, creio ser assim que procede com todos os Dirigentes, os mesmos não escolhem e sim, são escolhidos.

Me sinto muito honrado por hoje conduzir ao lado de vocês este Templo que já ajudou muitas pessoas desde a década de 1970, quando ainda se chamava: Tenda de Umbanda Caboclo Cobra-Coral e Baiana das Miçangas. Onde depois nesta nova etapa e recomeço, e conforme foi me dito por Seu Cobra-Coral onde disse que o nome do Templo deveria ser outro (Já obviamente sabendo o que viria a frente) e que através de mim, este nome surgiria, me veio como um sonho acordado este nome: Recanto das Almas Benditas.

Nem tenho palavras para tudo o que fizeram e ainda fazem por mim, mas depois de ouvir novamente no dia de ontem de meu pai:

- Sua ''coroa'' é pronta e bem preparada, não tenho o mínimo de preocupação e sim, confiança plena de tudo que vem de você, por isso, somos, eu e sua mãe, avós espirituais de seus filhos, estaremos ali do seu lado sempre, mas assistindo você em prática de sua designação, colaborando com nossa casa (Templo espiritual), as pessoas não tem muito o que conversarem comigo, quando chegarem a mim, as colocarei em suas mãos e essas estarão em boas mãos, afinal, fomos nós que preparamos, temos ciência do que fazemos!...rs
(Meu pai disse isto, por causa da minha resistência em assumir o Templo e os filhos na presença deles.) (rs)

Mas só resisti porque sempre obtive muito respeito e sei respeitar hierarquias, porém, sei a importância da designação que me deram e confio no que foi me passado...

Por isso meus pais, agradeço a vocês por tudo, por jamais passar a mão em minha cabeça somente por ser filho carnal de vocês, pelas broncas quando precisas, pela preparação árdua, sei e agora entendo o porque esta foi árdua, entendo meu caminho e aceito minha designação. E digo que a seguirei sempre dentro dos fundamentos, dentro das raízes, sem perder jamais a essência, sabendo escutar meus Guias e demais Guias espirituais , ajudando aqueles que chegarem até mim. Hoje graças a vocês me tornei um Pai carnal e espiritual, e guiarei meus filhos de terreiro na espiritualidade, com o mesmo cuidado que conduzirei meu filho carnal na vida.

Obrigado por tudo! Amo demais vocês e as Entidades espirituais, em especial meu padrinho Seu Zé das Almas, minha eterna Vovó Sá Maria e minha madrinha da qual sempre a respeitarei neste novo caminho, Cabocla Iracema!

Benção a todas as Entidades, peço a benção aos meus protetores, grato por ter todos vocês ao meu lado!


Por: Carlos Pavão (Pai Carlos de Ogum)