29 de jul de 2016

A certeza da fé


Se antes se falou sobre dúvida, ira se explicar agora o reverso da moeda. Do outro lado da dúvida há a certeza, por que são dois lados da mesma verdade, ou se acredita ou se duvida, quem crê em meias verdades e tem meias certezas, não tem certeza alguma, somente se defende da possibilidade de vir a enxergar uma verdade inteira, abrigado em sua meia crença.

E não cresce, pois não dá a sua vida nem a certeza e nem a dúvida.

Quando se vê pressionado pela dúvida apenas se defende na sua meia crença, e diz, tenho fé, quando na verdade fé lhe falta, mas não consegue ver, tão somente se defender.

Portanto, ou se tem fé, ou não se tem, ou se crê numa força superior ou se duvida de sua existência.

Não se pode acreditar em partes, algumas coisas sim e em outras não.

E com isso não se está falando em duvidar de milagres.

Não.

A duvida aqui é de que há uma harmonia cósmica, que existe o mundo espiritual, que os filhos são muito mais espíritos do que carne, que continuam sua jornada, independente do tempo de vida em uma ou em outra encarnação, que tem sua missão, que ao final a missão é para um retorno ao bem, ao puro, que tem a obrigação do bem, de saber da existência do mal e dele se proteger, que tem que inspirar os bons espíritos, que não existem coincidências, que os fatos ocorrem por que há um motivo superior, que aos filhos só cabe tentar entender os motivos e levar da melhor forma possível as provações, sabendo que se elas lhes foram impostas é por que podem ser suportadas, que o caminho continua, mesmo após um tombo, que ninguém é tão mal que não possa levantar ou tão bom que não possa cair, que ao filho não cabe julgar, que o julgamento não é dado nem a encarnados nem a desencarnados em evolução, que tudo obedece a uma lei superior, que não existem espíritos bons ou maus, mas apenas mais ou menos desenvolvidos, que a essência é boa, que a maldade é apenas uma casca temporária, que nada, absolutamente nada é desnecessário a não ser o sofrimento que não traz a evolução.

Que Oxalá é bom e que, como energia boa, não ira impor sofrimentos desnecessários, que a felicidade é o estado normal de consciência, que a consciência leva a felicidade, que se pode estar triste, mas que a tristeza faz parte de um empurrão para a evolução, que a evolução se dará, pelo amor ou pela dor, que a vida ira fluir mesmo que se faça fim dela, que a natureza é perfeita e a perfeição esta no desenvolvimento do caminho, que as regras são claras àqueles que querem vê-las, que para alguns é dado conversar com desencarnados, a outros com encarnados.

Que todos os filhos são iguais, mas diferentes em sua individualidade e por ela devem ser respeitados e não julgados, que o dinheiro não é um fim, mas um meio, que o desejo como a fome e o frio, fazem parte da natureza humana.

Que a natureza humana é perfeita, apenas se apresenta distorcida por dificuldades criadas pelo próprio homem, que o aleijão nunca é em vão, que a verdade se apresenta na mais simples das palhoças e no mais suntuoso dos palácios, que a verdade se apresenta na alma.

Que toda religião que conduz ao bem, leva a nada mais do que ao bem, que a crença, desde que traga evolução e respeito mutuo é boa, que não cabe aos filhos julgar, que os ensinamentos são simples e tão básicos que complicados parecem, que em qualquer hipótese para o bem se caminha, que qualquer distorção do bem é apenas uma distorção, que a morte não isola, apenas separa o visível do invisível, que o invisível não deixa de ser real por ser invisível.

Que não se pode perdoar, pelo simples motivo que não se deve culpar, que os que não conseguem entender, devem se perguntar uma, dez, cem vezes, mas quando obtida a resposta, devem fazer cessar as perguntas, que a ignorância não é a falta de letras, que a ignorância é a falta destes conhecimentos e que toda a ignorância será a seu tempo extinta, que se a evolução não se faz por igual, mas não obsta às dos desiguais.

Que a ação é seguida por uma reação e que a reação de hoje pode ser a ação de ontem, mesmo que a memória falte, que o esquecimento é uma benção, que a lembrança pode levar à eterna tortura e culpa, que a verdade se apresentará em um momento ou em outro, mas que os filhos devem buscar por ela, que o erro machuca mais a alma que erra do que quem foi afetado, que o desencarne rápido é uma luz, que o desencarne em meio ao sofrimento pode ser o último momento da alma aprender, que a dor pode levar ao aprendizado, mas também à revolta, que a ninguém é dado ceifar a vida de outros nem a sua própria, que a ninguém é dado causar o sofrimento nem a outros nem a si próprio.

Que o respeito deve ser à tona na relação entre as almas, que a todos é dado a segunda, a terceira, a quinta chance, mas que o preço será diferente e cobrado a cada uma delas, que a Umbanda é um caminho para a luz, mas que qualquer crença que prime pelo bem também pode ser.

Que a evolução leva ao conhecimento, mas que só o auto conhecimento não é suficiente para a evolução, por que a natureza é um sistema e não uma verdade estancada e presa em uma única alma, que às verdades são reveladas a todos aqueles que pretendem vê-las, que o sofrimento é temporário, que a dor cessa quando há compreensão, que a falta e a saudade podem existir mesmo quando há compreensão, que a vida tem um propósito, mas que várias vidas às vezes não são suficientes ao propósito, que aquele que não perdoa faz paga com seu próprio atraso, que o ódio não faz alma nenhuma pagar, apenas impinge mais sofrimento àqueles que sentem, que às verdadeiras guerras não são travadas nos campos de batalha, que os campos de batalha existirão enquanto não houver compreensão, que não crer no óbvio não é sinal de autocontrole, mas sim de estupidez, que a estupidez faz parte da evolução, mas a atrasa, que o cemitério não é o fim apenas um novo começo, que a maternidade não é em vão, que a paternidade não é em vão, que o ódio tem um motivo, que o amor também.

Que a ninguém é dado ser o pregador da verdade, por que os que sabem não pregam, ensinam e respeitam, que o que se vê necessariamente não é apenas o que se tem, que intenções contam como ação, mas que intenções sem ações são desprovidas da força que faria a evolução mais ágil, que intenções desprovidas de ações também levam à paga, que consciente é àquele que consegue ver sua inconsciência, que aceitar não significa questionar, mas que questionar significa compreender e aceitar, que todo o momento é o inicial, que a ninguém é dado à força da ação se não se fizer uso dela, que a indiferença é tão penosa quanto à ação para o mal, que a indiferença não desobriga, mas obriga, novamente, que no fim não existem os infernos ou os céus, mas tão somente a compreensão de que o bem é o fim e que no fim tudo acabará bem, mesmo que assim não pareça agora, que a verdade se fará presente na fome ou na abastança.

Que estas são algumas das verdades da face das várias verdades.

Que elas devem ser questionadas e que a ninguém, muito menos ao filho é dado julgar, que finalmente não haverá um final se não houver compreensão destas e de muitas outras verdades.

Que não basta ler, mas compreender.

Que não basta compreender, mas questionar.

Que não basta questionar, mas aceitar.

Sempre.