24 de jun de 2016

Xangô

As lendas atribuídas aos Orixás muitas vezes exprimem uma noção de hierarquia no relacionamento entre eles, mas na prática isso não existe, pois todos os Orixás possuem a mesma importância perante suas funções cósmicas.


As lendas estão relacionadas às culturas que as originaram e recheadas pelos elementos dos costumes das mesmas. Elas normalmente colocam Xangô com um status de realeza, por ter sido ele o governante de um reinado na África (Oyó). Simbolicamente, é possível entender a realeza de outra forma, pois a de Xangô está relacionada à vida (física e espiritual), e sendo ele o senhor do fogo sagrado (alma) uma de suas funções seria determinar quem é merecedor, ou não, de ocupar um corpo e passar novas experiências no plano (ou reino) físico, bem como, qual o momento certo de deixar o veículo carnal. A realeza de Xangô tem haver com todos os processos em que nos envolvemos, ela irá sempre influenciar para a melhoria e evolução, como por exemplo: a burocracia, para ser eficiente, ágil e prestativa; a política, para ser um instrumento de comunicação e direcionamento de recursos para a melhoria coletiva; o estudo, para ser uma ferramenta de aprimoramento pessoal e gerar bens de melhoria social.

Tamanha é a responsabilidade de Xangô que o torna rígido como a rocha, por isso se considera esse elemento como detentor de seu axé. No sentido positivo de sua vibração a rocha traz firmeza de propósitos e convicções, que irão construir (alicerçar) novos elementos, no negativo traz a teimosia, insensibilidade e destruição. A justiça divina é administrada por Xangô e tem por objetivo promover e manter o equilíbrio em todos os planos de existência, uma de suas ferramentas é o Karma e o Dharma, que funcionam como grandes bancos de dados onde são catalogadas todas as situações e conseqüências geradas pelos nossos atos.

As entidades que trabalham sobre a vibração de Xangô acabam sendo as executoras de suas determinações, orientando a todos para que progridam em suas existências (física e espiritual) e reequilibrando os campos de seus atendidos, normalmente desequilibrados por sua própria falha (pensamentos, sentimentos, falta de senso de justiça, dureza para com outros, etc.) ou causados pela atuação de obsessores e/ou campos de feitiçaria.

Algumas correspondências de Xangô:
  • Cores: marrom, branco e vermelho;
  • Elemento: pedra e fogo;
  • Símbolos: balança e machado de dois lados;
  • Sítio da natureza: Pedreiras, cachoeiras e montanhas;
  • Chácra: Cardíaco;
  • Sincretismo: São Jerônimo, São Pedro e São João Batista
  • Atributos psicológicos: entendimento do desencadeamento de nossas ações (senso de justiça), sabedoria e prudência.
Consideramos o trabalho de Xangô muito próximo com o de Ogum e Exu não havendo nenhum tipo de incompatibilidades entre eles, pois todos trabalham em prol da melhoria da coletividade. Simbolicamente as entidades de Xangô promoveriam a análise dos fatos, as de Ogum as ações necessárias e as de Exú a execução propriamente dita.


O texto asseguir faz parte do livro Umbanda Pé no Chão - Editora do Conhecimento:

Atributo - Sabedoria e prudência: entendimento do encadeamento de nossas ações e reações, que estabelecem uma relação de causa e conseqüência no sentido de ascensão espiritual: equilíbrio cármico.

Os tipos psicológicos dos filhos de XANGÔ podem ser voluntariosos, rígidos em suas opiniões e se contrariados em seu pontos de vistas, são enfáticos e até duros na defesa de suas opiniões, principalmente se estiverem com a razão. Todavia, com a maturidade, se tornam muito sábios, mansos e de grande compostura moral, como o velho pastor da montanha, tendo a firmeza da rocha e a mansuetude da ovelha.

Aspectos Positivos: justiça; discernimento; palavras adequadas no momento certo, eqüidade; nobreza de caráter; atitude digna; a organização e o trabalho; o progresso cultural e social; altivez; inteligência.

Habilidade na oratória e no domínio das multidões. Gostam do conforto.

Aspectos Negativos: Onipotência; rigidez de opiniões; vitimização; palavras metálicas: ferem; “só eu tenho razão”... Prolixo. Vaidade exacerbada; conservadorismo extremo.


Por: Norbeto Peixoto