27 de jun de 2016

Ciganos - a Terra é a minha pátria, o céu é o meu teto e a liberdade é a minha religião!



A Terra é a minha pátria,
O céu é o meu teto
E a liberdade é a minha religião!


Essas poucas palavras deixam claro a extensão do sentido da palavra liberdade para os ciganos.

Segundo algumas fontes históricas de pesquisa, os ciganos teriam aparecido por volta de 3000 atrás, na Índia, e no ano de 2400 d.C. quando os persas invadiram a Índia, teria acontecido uma diáspora; dessa, dois grandes grupos se formaram, um seguindo para a Europa (os Peclom) e o outro (Beni) teria atingido a Síria, o Egito e a Palestina. Há vários clãs ciganos dessas descendências.

No Brasil os ciganos teriam chegado por volta de 1574, embora haja relatos de alguns grupos terem chegado antes, como degredados.


Possuem um código próprio de honra e são regidos por suas próprias leis que são guardadas por um tribunal- a kris Romanis- que é formada por homens sábios de seu povo e presidida pelo barô, nome dado ao cigano líder de cada grupo.

O mestre de cura é o Kaku (xamã) dotado de grande paranormalidade, podendo ser homem ou mulher.

Na sua estrutura social, há integração e o respeito aos idosos, desconhecendo-se que algum idoso tenha sido abandonado. As crianças são sua maior alegria , e são cuidadas por todos do grupo.

Possuem ritos próprios para nascimentos, casamentos e morte.

Ritos e nascimento:
  • nome civil para não ciganos
  • nome para o clã
  • nome secreto dado somente pela mãe
  • banho da sorte
  • pão das três fadas
  • apresentação da criança à lua cheia
Os ciganos estão relacionados à magia e ao poder divinatório de maneira muito forte.

No livro do Tarô Cigano, há o relato feito em 1879 pelo professor de matemática e estatística Jean Pierre Dunant, que estudou papéis encontrados em uma livraria de Budapeste, na Hungria, os quais relatavam a história e a magia dos ciganos e dezenas de métodos divinatórios. Para corroborar seu achado o professor conviveu com um grupo cigano por volta de 4 anos, concluindo que os ciganos tinham um poder fora do comum para adivinhar coisas.

A leitura de cartas, do Tarô, a quiromancia são artes divinatórias bem populares praticadas pelos ciganos, porém o que chama a atenção é que para eles, a quiromancia é mais que um sistema divinatório, é um inteligente esquema de orientação sobre o corpo, a mente e o espírito; sobre a saúde e o destino.

Os ciganos são possuidores de um espírito livre dos condicionamentos das pessoas organizadas em sociedades normais, são também detentores de de uma rotina em que a arte divinatória é comum ao cotidiano do grupo. Esses fatores aliados a outros de suas tradições, criam uma aura mágica em torno deles. Esse fascínio pelo mistério dos segredos éticos do grupo, por suas tradições, pelos poderes divinatórios se estendem aos “ciganos do além”, ou seja, aos trabalhos espirituais em que se apresentam espíritos na forma de ciganos. O porque desse fascínio é pela aura secular que se formou e segue buscando a mágica das soluções rápidas. A música, a dança, a alegria contagiante, enche o ar de um clima diferente e reascende “o mágico” que a história e as tradições mantém.

Mas o povo cigano que vem no terreiro de Umbanda tem como único propósito a caridade.

A linha dos ciganos trabalha conjugada ou em paralelo com as demais linhas. Não trabalham a serviço de um Orixá. Não são guardiões (mesmo trabalhando com Exu), são Protetores.

O maior risco do médium que trabalha com ciganos é o fascínio do ego pelo aparato que as tradições cultuam. Os elementos de rito ( cartas, taças, vinhos) imagens ricamente vestidas, moedas. Esse deslumbre pelos elementos que ele organizou, o “poder de seu cigano” , vai envolvendo sutilmente a vaidade do médium e a sintonia com seu protetor vai se tornando mais difícil, podendo até cessar, ficando o médium em sintonia com os afins de sua vaidade.

No livro Diário Mediúnico, está o alerta que esse risco pode acontecer de ambos os lados, ficando o médium viciado em oferendar para receber suas respostas e o espírito viciado em oferendas para ser escutado pelo médium, fazendo com que os dois se "percam".

Para fazer a caridade o povo cigano, como as outras formas de apresentação na Umbanda, não precisa de vinho, taça ou qualquer outro elemento, precisa de médium humilde, amoroso, disposto a sintonizar com o trabalho da seara do Cristo, abrindo o coração para o amor incondicional e sem julgamentos.

Para fazermos a caridade abrangente, precisamos nos nivelar com o outro como no abraço que une os corações no mesmo plano, nem acima, nem abaixo, auxiliando com o coração....assim se faz a caridade, assim é a Umbanda..

Salve o povo Cigano!