16 de mai de 2016

Umbanda é de todas as nações?


A Umbanda é uma religião antiga, misteriosa, tão misteriosa que até hoje não se sabe a certo quando foi formada a sua existência. Sendo uma religião totalmente voltada para as doutrinas espirituais, a Umbanda apresenta muitas incógnitas, se pensarmos e analisarmos Deus é uma incógnita, então é natural que a espiritualidade reflita esta incógnita e a hierarquia umbandista é refletida pela espiritualidade, pois suas doutrinas e formações ritualísticas se expressam através de Guias
espirituais, as Entidades de Umbanda.

Deus designa sua espiritualidade em partículas, essas partículas perpetuam o universo e a Terra, espalhando missões e caminhos para os seres espirituais e carnais, nada é feito por uma simples coincidência ou escolha, as coisas sempre vieram bem arquitetadas e planejadas para que não ocorram desastres em missões, se tratando do assunto e logicamente de Deus, essas missões são espirituais, pois vivemos em constante harmonia com a espiritualidade, o homem apenas segue o caminho, ele é guiado para encontrar seu caminho, porém, deve ter a sabedoria e a sensibilidade de escutar quem lhe guia, para não percorrer na estrada errada, lembrando que não somos controlados por Deus, nós temos o livre arbítrio, mas somos guiados pela espiritualidade do Criador e temos que ter a sensibilidade adquirida em nossa consciência espiritual para escutar nossos Guias. Se não dermos ouvidos a quem nos guia, poderemos tomar um rumo oposto do que nos foi designado e se a pessoa não tiver senso moral para receber devidas orientações, pode até mesmo atrapalhar o rumo de outras missões, dificultando o caminho daqueles que seguem suas designações. O homem não conduz a espiritualidade e sim a espiritualidade o conduz, o homem pode tentar entende-la, questioná-la, mas jamais irá conduzi-la ou muito menos mudá-la, pois andamos ao lado da espiritualidade sendo guiados por ela, não andamos ao lado dela para modificá-la ou introduzir nossos conceitos nela, a espiritualidade sendo partículas de Deus, cumpri sua missão diretamente com Ele, tendo a missão de se orientar entre si e nos orientar, nós os encarnados estamos distantes moralmente deste mundo oculto, precisamos ser peneirados de muitas coisas físicas para passarmos a outras etapas espirituais, a evolução que tanto dizem é para refletir em nossos espíritos, ainda precisamos arquivar conceitos morais para assim preencher nossos espíritos com ensinamentos e orientações divinas, a evolução da qual ainda precisamos é diferente daquela vinda de seres superiores, poderemos chegar a um contexto moral e espiritual maior, vendo que estamos em constante evolução, mas não podemos mudar a ordem dos fatos, se nós encarnados somos guiados a ter um seguimento espiritual no qual denominamos como religiões, então é que neles precisamos ser orientados para compreender a complexidade do mundo oculto, porém, estamos nesses seguimentos para termos as respostas e respondermos as perguntar daqueles que ao menos compreendem ou alcançaram a uma fé, para que desta forma possam seguir suas religiosidades em paz. Não podemos responder no lugar da espiritualidade, mas sim repassar a mensagem da mesma, repassar o que nos foi respondido através de nosso caminho, ou seja, da nossa jornada onde depositamos nossa fé e crença através dos rituais que praticamos. Entro neste ponto exclusivamente na Umbanda, na qual no início deste tema citei que é uma religião totalmente Guiada pela espiritualidade, pelas Entidades espirituais que atuam na mesma, então se pensarmos no que citado no decorrer de minhas palavras aqui colocadas, não a como reverter os papéis, a Umbanda irá nos guiar e nós vamos ser conduzidos por ela, não temos como conduzir a Umbanda ou impor nossos conceitos nela, estaríamos indo contra o tempo, contra a lógica Divina, ou até mesmo contra o procedimento da evolução imposta por Deus, o que podemos fazer é conduzir o culto na parte ritualística através dos Guias espirituais, ou seja, o ser encarnado deve adquirir moralidade suficiente para ajudar na condução da prática umbandista ao lado da espiritualidade, não querendo impor suas vaidades, vontades e conceitos próprios, mas sim com humildade, seriedade, sabedoria e reconhecimento de seu devido lugar, manter as raízes que a Umbanda adquiriu através da espiritualidade, através do que Deus e suas partículas espirituais arquitetaram e planejaram para esta religião chegar até nós.

O surgimento da Umbanda, o nascimento dela ou o princípio da mesma é algo impossível de saber ao certo ou de ter uma ciência exata para isso, mas sabemos que suas raízes vieram de dois povos, da união de dois povos sofridos no Brasil, povos que uniram sua fé, seus costumes e miscigenaram suas crenças, povos que foram escravizados juntos, mas mesmo com tudo isso jamais se entregaram, povos que também tiveram uma moralidade grande o suficiente para não desprezarem a fé do povo que os faziam de escravos, tiveram a hombridade de entender suas crenças e tiveram uma visão onde somente quem carrega uma boa evolução espiritual tem, souberam não generalizar os brancos, perceberam a verdadeira devoção, crença e fé, naqueles que tinham uma verdadeira consciência moral, naqueles que eram realmente seres humanos dignos, mas não tinham o poder de fazerem nada para mudar a situação escravocrata no Brasil, então esses dois povos também adquiriram a crença dos brancos, ou melhor, esses que eram dignos se uniram junto ao sofrimento dos negros e dos índios, fazendo a espiritualidade ser encontrada como única ao responder o sofrimento desses povos, então foi daí que as três diferentes crenças foram introduzidas e miscigenadas dentro de uma só ritualística, hoje conhecida como Umbanda, se repararmos é um verdadeiro plano de Deus, para que as diversas formas espirituais dessem a motivação a esses três povos diante uma só resposta, mostrando que Deus e a espiritualidade não se divide e jamais se discriminariam, essa é a raiz umbandista.

Agora diante de um planejamento Divino deste, como o homem pode querer mudar ou “evoluir” a Umbanda? Como o homem se ousa a denominar ou dar títulos a Umbanda, usando outras religiões como “bengala” para com as hierarquias e doutrinas Umbandistas?

Umbanda é única, nossa religião não advém de outras religiosidades, nossa religião advém da espiritualidade, de povos que uniram seus conceitos e sua fé, mas não plagiaram nenhuma crença ou religião. Não precisamos ter vergonha de nossas raízes, pelo contrário, devemos ter orgulho delas, pois elas representam a união dos povos, elas representam que não há como evitar o sofrimento, mas há como confortá-lo através de nossas crenças e fé, nossas raízes nos ensinam que por maior que seja o sofrimento e a injustiça, os mesmos não conseguirão jamais deter a fé e a felicidade, portanto, devemos nos orgulhar de nossas raízes, devemos segui-las porque já são evoluídas e nossos Guias espirituais vêm nos trazendo essa evolução, não precisamos “embranquecer” a Umbanda com doutrinas paralelas de outros cultos, ciências ou filosofias, pois a Umbanda não tem cor, a Umbanda é o reflexo da espiritualidade, é uma religião que nos ensina a respeitar as outras e não priva a nossa fé, porém, é dona de seus próprios conceitos, a Umbanda é de todas as nações, mas isso não a torna uma religião aberta a conceitos do encarnado, pois a mesma já obtém seus conceitos espirituais Divinos, Umbanda é de todas as nações, porque abre suas portas para todos aqueles que precisam dela e não para fazer dela o que quiserem, a Umbanda é uma religião tão fundamentada que o homem não tem inteligência suficiente para entendê-la por completo, mas deve ter a consciência de que nela, ele será sempre um aprendiz e não o professor.


Por: Pai Carlos Pavão