25 de fev de 2016

Contra-Egun


Há algumas discussões sobre a utilização desta ritualística na Umbanda. O contra-Egun é um procedimento ritualístico avindo dos iorubas, praticado nos cultos aos Orixás e usado em iniciados. A palavra “Egun” significa “Desencarnado”, portanto, todo espírito que já esteve em processo de encarnação, após desencarnar se torna um egun, independentemente de seu grau de elevação na espiritualidade. Na Umbanda não nos referimos
aos nossos guias espirituais como eguns, simplesmente pelo fato de não dizer que o guia é somente um desencarnado, mas sim um espírito elevado e capacitado, mas o termo a grosso modo serve para todos os desencarnados.

Na África, os iorubas carregam uma filosofia em seus cultos que descartam quaisquer envolvimentos espirituais ligados aos Orixás (Divindades) que envolvam desencarnados (Eguns), em suas crenças o egun atrapalhará a força da cabeça do iniciado, ou seja, seu contato com Orixá, sendo assim, em período de obrigações espirituais ao seu Orixá, o iniciado passa por diversos procedimentos ritualísticos, um deles é o uso do contra-egun, no qual a palavra já diz por si. O contra-egun é um objeto feito da palha com búzios, em alguns casos utiliza-se de outras ferramentas, este na maioria dos casos fica amarrado nos braços do iniciado para que através dele e do teor que nele está depositado os eguns não fiquem ao redor do iniciado, não entrarei em detalhes sobre seus fundamentos porque não cabe a discussão ou as especificações sobre fundamentos em livros ou internet.

Muitos umbandistas que sabem o teor dos Orixás fazem o uso do contra-egun em seus filhos, geralmente no período iniciativo dos mesmos (não confundir ritualísticas e filosofias espirituais entre Candomblé e Umbanda). Daí a pergunta que não cala, se cultuamos desencarnados/Eguns (Guias espirituais), como se usa um contra-egun que afastaria qualquer tipo de desencarnado, não seria um tanto contraditório? A resposta é simples, não! Umbandistas que não se baseiam nos Orixás através da filosofia candomblecistas e sim através do que é realmente o Orixá e historicamente através do povo africano, fazem este procedimento sem problema algum em sua interpretação. O Orixá perante cada um de nós é a nossa ligação direta com a natureza, com o princípio, é a nossa força natural que através de nossa cabeça (Orí) nos faz nascer e nos mantêm vivos, a tradução da palavra “Orixá” já nos dá esta resposta: “Força da cabeça”! Portanto, para nos manter equilibrados é necessário que nosso orí esteja em harmonia, ou seja, que nós estejamos em harmonia com a nossa natureza, com nosso Orixá. Uma pessoa que segue um caminho mais perto do que seja Umbanda, por mais leigo, sabe que em nosso orí nenhum espírito se aproxima, pois o nosso orí tem que estar puro, sem nenhum tipo de fluído paralelo que não seja aqueles que nos coligam com nossa natureza, com o nosso Orixá. Portanto, a primeira providência perante um novato umbandista que está adentrando uma corrente espiritual, é o manter equilibrado para que futuramente possa tranquilamente desenvolver sua mediunidade, mesmo que não seja a faculdade da incorporação mediúnica. Como fazer para se manter alguém em equilíbrio? Poxa, manter este em dia com sua natureza, ou seja, em ordem com seu Orixá! E pra isso, num período específico é necessário afastar quaisquer tipos de desencarnados de perto deste filho, até mesmo seus guias espirituais, para que em fundamento específico, este filho se resguarde ao seu Orixá e não receba nenhum tipo de fluído paralelo neste período, portanto, a resposta é simples: na Umbanda a utilização do contra-egun é como na tradição africana, porém, dentro da filosofia do culto umbandista, onde a utilização deste artefato ritualístico serve para não deixar influências dos desencarnados se aproximarem do orí da pessoa no período de resguardo espiritual ao seu Orixá, justamente porque orí ou/e coroa espiritual é algo particular, que coliga cada indivíduo a sua própria natureza de forma direta, sem poder obter nenhuma influência fluídica paralela, ou de terceiros, independentemente do grau evolutivo do espírito em questão.

Qual umbandista nunca ouviu falar sobre o procedimento da deitada numa camarinha? Ou alguém aqui deita para guia espiritual? É importante sempre desvincular o conceito de Orixá na Umbanda da filosofia candomblecista, ou da filosofia nagô dentro dos conceitos rituais deles a fundo, mas sempre vincular o Orixá e sua tradição dentro da filosofia própria que a Umbanda adquire, se baseando no Orixá por si próprio e em sua raiz, do contrário, vamos continuar com umbandistas submissos e perdidos nos conceitos de sua religião, procurando outras religiões para sucumbirem suas dúvidas, e a respeito dos Orixás, continuarão se colocando como pessoas que cultuam indiretamente os mesmos, nas quais pedem aval do Candomblé ou outros para poderem brincar de saudar Orixá em seus cultos!


Por: Carlos Pavão