18 de jan de 2016

Mediunidade VI

mediunidade, umbanda,
Consciente ou inconsciente?

A mediunidade é uma só quando se é trabalhada devidamente, ou seja, o indivíduo só tem duas opções quando se trata da incorporação (psicofonia), ser médium ou não ser médium. Os fatores da consciência ou inconsciência são apenas fatores, dos quais trabalhados devidamente farão do indivíduo um médium de incorporação.

Antigamente ocorria um preconceito muito grande com os médiuns conscientes, talvez por falta de acesso as informações pessoas se desviavam dos médiuns conscientes para se consultarem com os médiuns inconscientes, porém, mal sabiam elas que raramente dentro de uma corrente mediúnica se encontravam médiuns inconscientes, pois, nesta época muitos médiuns omitiam o seu fator mediúnico, alguns por vergonha, outros insegurança ou medo de perder a credibilidade de consulentes e irmãos de terreiro. Infelizmente era um ponto negativo desta época, do qual gerou um preconceito para aqueles que assumiam a veracidade de seu fator mediúnico e por causa deste preconceito a maioria dos médiuns diziam ser inconscientes e outros tinham problemas de aceitações com a própria mediunidade, achavam que tratava-se de um sinal de fraqueza ou de ser menos médium que o inconsciente. O fato é que médium é médium, não importa se o fator é consciente ou inconsciente, se está num processo mecânico ou semi-mecânico, o que importa é ser um médium bem trabalhado a ponto de não interferir nas ações dos guias espirituais e não regredir com alguns conceitos que leva um médium ao abismo, um dos principais é a vaidade.

Ser um médium inconsciente não traz nenhuma vantagem sobre o médium consciente, justamente porque ambos trabalham suas mediunidades absolutamente dentro da mesma veracidade e mesma eficiência, sem tirar e nem por. Para entender o que afirmo é preciso compreender que um médium consciente não é um médium intuitivo, isto eu já expliquei em outros textos em meu blog (Ligação Ancestral Umbanda) e página no Facebook (Recanto das Almas Benditas - Umbanda), todos esses textos coligados ao tema ''Mediunidade''. O médium inconsciente na realidade entra numa zona de conforto, ele se torna uma ferramenta apenas, seu corpo é utilizado e então após acabar tudo ele vai pra casa descarregado espiritualmente, porém, sem ter aproveitado o culto numa forma prazerosa (digamos assim), a missão do médium inconsciente é a mesma do consciente, entretanto, acredito que o inconsciente veio com esta designação de ''apagar'' completamente porque se fosse ao contrário não suportaria o trabalho de se familiarizar com a própria mediunidade e fazer um processo de auto-trabalho. Já o médium consciente após todo o trabalho do desenvolvimento e do período de familiarização tem a condição de usufruir mais dos cultos e absorver mais de tudo aquilo que foi depositado em seu ser, mas importante frisar bem que ambos os médiuns estão dentro de uma condição mecânica, são conduzidos pelos guias espirituais e são involuntários no ato da manifestação espiritual, sendo assim, o consciente não pode afirmar aquilo que viu, ou que sentiu, corre um grande risco de contradizer os trabalhos dos seus guias, o consciente também tem que ter o trabalho de automaticamente se desligar de tudo o que aconteceu durante o período de trabalho mediúnico, ficar apenas com absorvimento das energias e dos fundamentos deixados pela espiritualidade.

O médium, seja ele consciente ou inconsciente não tem que se preocupar com credibilidade, não deve se preocupar se está agradando ou não consulentes, se as pessoas têm ou não crença na sua manifestação ou em seus guias espirituais, o médium tem apenas que se preocupar com a sua missão, com a idoneidade de suas ações e comportamentos, deve apenas se apegar na própria fé, se vigiar sempre moralmente e ser honesto consigo mesmo, o médium tem que primeiramente aceitar aquilo que Deus lhe deu, pois a mediunidade é como o seu corpo, se você nasce com cabelo liso, crespo, ondulado, se nasce branco, negro, amarelo, vermelho, se nasce com olhos azuis, verdes, castanhos, se nasce com uma genética mais pra magro ou pra gordo, indiferente de como nasceu, a necessidade é que se aceite, porque se não conseguir aceitar-se não conseguirá ter vida, assim é a mediunidade, se não conseguir aceitar o que é mediunicamente seu não terá vida espiritual ativa, será retraído em cima de uma frustração mediúnica, portanto, assuma-se e seja feliz, assuma-se dentro de uma presteza sobre a missão que fora lhe designada , o médium é médium quando trabalhado devidamente, não tenha preconceito consigo mesmo, sua missão não é agradar e sim trabalhar, evoluir. Como numa gira um Exu assoprou e disse para alguns que se preocupavam com isto, não exatamente com as palavras que colocarei, mas com a mesma objetividade:

''Não se preocupe em ser consciente, se preocupe em ser médium.''


Por: Carlos Pavão