15 de jan de 2016

Mediunidade V

mediunidade, umbanda, incerteza, insegurança
Os conflitos da consciência – Por Pai Carlos Pavão

Existe um grande dilema a respeito da incorporação consciente, do qual é um fator mediúnico. É muito importante frisar que há uma distorção enorme a respeito deste fator mediúnico, onde muitas pessoas confundem incorporação consciente com incorporação intuitiva, ou seja, com a famosa irradiação do guia no médium. Na incorporação intuitiva não há um desdobramento ou afastamento do perispírito do médium, desta forma o guia espiritual se manifesta no perispírito e não diretamente no veículo, não tendo controle do médium e sim transmitindo intuições para que este repasse as informações, das quais podem sofrer alterações pelo próprio médium. No fator consciente ocorre o desdobramento do perispírito e o guia espiritual incorpora no veículo (médium), tendo o controle dele, transmitindo diretamente as informações, assim como ocorre no fator inconsciente.

O grande conflito que ocorre na consciência é a questão das oscilações que são absolutamente normais na fase do desenvolvimento, justamente porque o médium não tem discernimento para administrar o que está acontecendo com ele. Quando ocorrem oscilações, simplesmente o médium fica constantemente passando do fator consciente para o intuitivo, ou seja, hora se torna voluntário e hora involuntário, pois seu perispírito entra num processo de afastamento e retorno, justamente por conta da adaptação ao processo de incorporação mediúnica. Neste período o/a dirigente espiritual deve ficar atento e vigiando o médium, e ao lado dos guias espirituais trabalharem em prol da redução das oscilações, pois num momento de incorporação intuitiva, o médium consciente pode distorcer informações e trabalhos dos guias espirituais, o que seria um desastre perante uma consulta ou culto. Este processo de desenvolvimento mediúnico pode se tornar num grande conflito interno para o médium, justamente por conta dessas oscilações, porém, perante um devido desenvolvimento, do qual não há um prazo certo para encerrar-se, pode levar anos ou não, este médium terá aprendido a administrar essas oscilações, sabendo que a consciência lhe torna involuntário, ou seja, sem o devido controle dos atos do guia espiritual, já que o fator intuitivo lhe deixa com basicamente o absoluto controle, podendo interferir ou distorcer o trabalho do guia espiritual. Podem ocorrer oscilações num médium consciente já desenvolvido e preparado para trabalhar? Sim, isto é absolutamente normal, pois, as oscilações são causadas por conta dos mais diversificados motivos, como a falta de firmeza do médium, problemas de saúde, pensamentos conturbados por conta de problemas, etc. Porém, quando um médium já pronto passar por oscilações, ele saberá trabalhar para que haja uma afirmação do guia, ou seja, ele mesmo fará com que essas oscilações parem, mas é importante citar que este médium terá o devido discernimento para controlar as oscilações e também para afastar de vez o guia da incorporação se caso não houver a redução das oscilações por força ou motivos maiores.

O médium consciente de certa forma assiste os trabalhos do guia espiritual, porém, de forma diferenciada do médium intuitivo, pois na consciência há deturpações das lembranças e dos sentidos, como ouvir de forma embaraçada ou simplesmente não ouvir absolutamente nada, como enxergar com nebulosidade ou não enxergar absolutamente nada, como obter o tato, porém, muitas vezes não tendo o discernimento do que está sentindo e as vez ou muitas vezes não sentir absolutamente nada, e principalmente, ao tentar resgatar um trabalho do guia em momento de incorporação, resgatá-lo de forma embaraçada, onde pensará que o guia disse algo que não falou ou agiu de forma que não agiu, ou seja, o próprio médium num fator de incorporação diretamente no veículo como a consciência e inconsciência não é o mais indicado para afirmar o que seus guias espirituais fizeram durante os trabalhos. Por isso, é muito importante obter um senso de que não se deve tentar buscar o que ocorreu durante a incorporação, fazer isso é como aguçar as oscilações e posteriormente afastar os guias espirituais de uma incorporação direta, correndo o risco de entrar seriamente num caso de animismo, do qual o médium segue seus próprios pensamentos acreditando se tratar de uma incorporação. Tente sempre se conscientizar perante as verdadeiras situações, é absolutamente normal nos deixar levar pela emoção, os cantos fazem isso conosco e também todas as energias nos causam fortes emoções, mas o médium deve saber separar emoção de realidade, deve ter os pés afirmados no chão e não elevados ao céu, como diz o ponto cantado...

‘’Pisa na Umbanda, pisa devagar, afirma o pensamento que é pra não tombar...’’

A Umbanda é emocionante, porém, algo que deve se levar com muita seriedade!


Por: Carlos Pavão